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do choro uma coisa bonita

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A Carminho tem o dom de chorar com a garganta. Quando canta, faz do choro uma coisa bonita com todo o desespero e com todo o prazer que só a beleza tem. A voz da Carminho é verdade, e é ela que vem quando ela a chama. Ela não embala, estremece. É uma voz que cala quem não a esquece e a continua a lembrar mesmo depois de ela deixar de cantar. A voz da Carminho é uma espécie de lágrima arrastada arrancada ao coração. Não precisa de mais nada. Só assim, já é canção.

A Carminho veio ao Teatro José Lúcio da Silva cantar com a Orquestra Jazz de Leiria. Chorou com a garganta, mas pouco se ouviu, porque se ouvia o que não se deveria ouvir, o típico virtuosismo gabarola de quem tem talento a tocar, mas não o tem a compreender o que se ouve, o choro. É habitual em quem procura mais o aplauso do que a emoção, por só encontrar a sua vaidade no lugar do coração. A Carminho veio sozinha e foi sozinha que ela esteve em palco – apesar de toda a gente que o pisava. Eles não ouviam, mas ela chorava.

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