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Março, 2026
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freud

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O meu cão ainda existe.
Ele ainda está porque eu ainda o vejo
e ele ainda há porque eu ainda o lembro.
O meu cão não está morto
porque não se está morto
quando se morre,
deixa-se de estar,
por isso ele não está morto,
mas também não está aqui
(vivo? Eu acho que sim,
ele não sei).
Ele anda por aí
sem eu saber
(talvez por onde andei),
a viver.
O meu cão ainda está,
o meu cão ainda há
e eu ainda o amo.
Mesmo sem.
Ele só já não vem
quando o chamo.

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não sei matar

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Eu não sei acabar. Não sei acabar um livro, não sei acabar uma relação, não sei acabar nada, não sei matar ou aceitar a morte das coisas. Por não saber matar, não sei aceitar a morte. É qualquer coisa assim. Tenho de escrever sobre isto porque

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apenas eu

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Se eu não me sinto bem com o meu corpo, e se eu posso mudar o meu corpo, sou livre de mudar o meu corpo e ninguém tem nada com isso. Apenas eu. O problema é haver gente que se sente mal com o corpo dos outros e julga que é livre de fazer lei sobre o que os outros sentem. Acho graça. Quem julga o corpo dos outros julga que tem a parte mais ausente do seu: a cabeça.

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vinho também do bom

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Oiço dois velhos a lembrar. Um vai buscar o almoço entretanto para dar à mulher acamada e ao filho que come muito – durante a semana, almoça na CERCILEI; ao fim-de-semana, está com os pais. O Frazão já lá ficou em casa, agora não consegue receber ninguém porque tem a casa destruída da tempestade. E na churrasqueira, que agora não existe, fez batatas a murro, azeite com fartura e vinho também do bom. Continuas com a cara igual, sem rugas, sem marcas, só o cabelo branco. Não tenho Facebook nem Instagram, aquilo é só lavagem de roupa suja, não se lava roupa limpa, só Whatsapp, diz-me o teu número para falarmos. Quero falar mais contigo. Tenho de ir, tenho a vida à espera. E agora uma mulher bonita, com tatuagens e arranhões.

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parabéns

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Parabéns ao Sporting. Grande jogo do Sporting. Grande reviravolta do Sporting. Não é fácil vencer o Real Madrid – vencedor de 15 Ligas dos Campeões, não, o AC Milan – vencedor de 7 Ligas dos Campeões, não, o Liverpool – vencedor de 6 Ligas dos Campeões, não, o Bayern de Munique – vencedor de 6 Ligas dos Campeões, não, o Barcelona – vencedor de 5 Ligas dos Campeões, não, o Ajax – vencedor de 4 Ligas dos Campeões, não, o Inter de Milão – vencedor de 3 Ligas dos Campeões, não, o Manchester United – vencedor de 3 Ligas dos Campeões, não, a Juventus – vencedora de 2 Ligas dos Campeões, não, o Benfica – vencedor de 2 Ligas dos Campeões, não, o Chelsea – vencedor de 2 Ligas dos Campeões, não, o Nottingham Forest – vencedor de 2 Ligas dos Campeões, não, o FC Porto – vencedor de 2 Ligas dos Campeões, não, o Manchester City – vencedor de 1 Liga dos Campeões, não, o Borrusia de Dortmund – vencedor de 1 Liga dos Campeões, não, o Olympique de Marseille – vencedor de 1 Liga dos Campeões, não, o Aston Villa – vencedor de 1 Liga dos Campeões, não, o Hamburgo – vencedor de 1 Liga dos Campeões, não, o Estrela Vermelha – vencedor de 1 Liga dos Campeões, não, o Steaua de Bucareste – vencedor de 1 Liga dos Campeões, não, o PSV Eindhoven – vencedor de 1 Liga dos Campeões, não, o Celtic – vencedor de 1 Liga dos Campeões. Não, o Bodo Glimt, segundo classificado do campeonato da Noruega.

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do meu vitorino

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Purina Gourmet Revelations Mousse com Frango, Party Mix Ocean Sabor con Salmón, Carbonero y Trucha, Royal Canin Instinctive, Acana Grasslands com Borrego e Pato. Ele quer lá saber. Dêem-lhe uma lata de atum e uma fatia de fiambre, é assim desde pequenino. Eu também não preciso de grande coisa. Só do meu Vitorino. (Não, não vou comer o meu gato, apesar de muitas vezes o confundir com um leitão.) Dez anos.

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sair

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Quero sair, mas não quero sair porque, quando sair, se sair, sei que vou sentir que deveria ter mantido a vontade de não querer sair, mesmo indo mas, não saindo, fico com a vontade de querer sair. (Há vontade de querer ou de não querer? Vontade já não é querer ou não querer? Vontade é só querer mesmo que esse querer seja não fazer? Ter vontade já é fazer? O que estou aqui a fazer? Vou sair, não vou nada. É só a vontade de querer e de não querer. Tenho a cabeça cansada.)

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inquisidor mor

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O meu amigo (e católico-cristão-ex-padre – isto é relevante, atenção) Abílio Lisboa decidiu, numa das suas crónicas habituais no Jornal de Leiria, escrever sobre… mim – o que só demonstra a sua aptidão para o vazio. É uma Epístola, diz ele. E, como todas as Epístolas, digo eu, está carregadinha de imprecisões.

  • «Posicionas-te (…) como alguém muito distante da fé.»
    Ora, eu não estou «muito distante da fé», estou pertíssimo. Mas não da minha, da dos outros. E os outros estão pertíssimo de mim. Daí o meu interesse nela. (Na fé, atenção! Não me mandes já para o Inferno.)
  • «… normalmente és tu o motivador, melhor, provocador de serviço (sendo meigo).»
    Diria que afirmar a existência de um Inferno para onde vai quem não reza um Pai Nosso é mais provocador do que alguém que diz que não acredita na existência desse Deus bondoso criador de tudo (que, por ser bondoso e criador de tudo, criou, por exemplo, leucemias fulminantes em crianças).
  • «… admiro o jeito com que consegues fotografar a alma.»
    Sei bem o que estás a fazer aqui. Paga-me antes um copo.
  • «Os tempos (…) questionam a existência de um deus. Dirias.»
    Não. Eu diria, e digo, que nada me prova a existência do Deus da Igreja Católica. Para questionar a existência «de um deus», teremos, primeiro, de definir o que é deus e que deus é esse.
  • «… as discussões que provocas…»
    Errado (outra vez). Eu não provoco discussões. As pessoas que crêem no que eu não creio e que nos tentam (à sociedade) impôr a sua crença é que provocam. Dizeres que eu provoco é dizeres que a mulher agredida é que provoca a discussão ao fazer queixa por ter sido violada.
  • «… o que não te tem impedido de, facilmente, te arvorares em inquisidor mor…»
    Esta é, sem dúvida, o clímax (desculpa, sei que não é moral) do teu texto. Tu, um católico-cristão-ex-padre (eu disse que era relevante), tens a lata (a coragem, desculpa) de dizer que eu sou um Inquisidor. Talvez os meus textos carregadinhos de palavras sejam, afinal, fogueiras carregadinhas de pessoas não-crentes, mulheres viúvas, mulheres solteiras, mulheres sozinhas, prostitutas, homossexuais e deficientes (que, para a Igreja, «eram» a mesma coisa). «(Sendo meigo).»

Admiro-te e respeito-te enquanto pessoa que me convida (na verdade, há muito que não o fazes) para uma patuscada na Ti Augusta. Mas não admiro nem respeito a tua crença. Graças a deus.

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mulher

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Isto não é sobre flores, é sobre igualdade. E não é igualdade de homens e mulheres, porque homens e mulheres não são iguais; é igualdade de direitos e deveres de homens e mulheres. As flores só servem para esconder o cheiro a antigo que ainda há nesta luta que, por mais flores do que luta, ainda continua desigual.

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muito lindo

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«Vhils não quis receber por quadro de Marcelo: valor vai para artistas emergentes: “Quando o elevador social funciona, transforma gerações.» Jornal Expresso

Parece muito lindo mas, além de muito feio, é muito errado. O dinheiro é do Vhils, não é de outro artista. O Vhils, ao não querer o dinheiro, está a dizer que os artistas não querem o dinheiro. O Vhils, ao não querer o dinheiro e ao querer que o dinheiro vá para outros artistas, está a dizer que o Estado não tem de se preocupar com outros artistas porque os artistas vivem da caridade dos artistas. O Vhils não tem o direito (nem o dever) de fazer de Estado. O Vhils tem de fazer de artista. O Estado tem de fazer de Estado. Não é o Vhils que tem de pagar aos artistas com o seu dinheiro que vem do Estado. É o Estado que tem de pagar aos artistas com o seu dinheiro que vem do Estado. O Vhils, ao dizer que não ao seu dinheiro encaminhando-o para os artistas, está a perpetuar aquilo que pensa estar a combater: a desvalorização e a consequente precariedade da arte. O Vhils, pensando que não, está a fazer (e a ser) pior do que o Estado. Parece muito lindo mas, além de muito feio, é muito errado.

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