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poesia
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ter dito companheira

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Deixei cair o meu olhar no teu vestido
e senti o cheiro do teu cabelo,
fui a sítios aonde nunca tinha ido
e toquei o teu corpo só de vê-lo.

Descobri que eras feita de incertezas,
todas elas mais confusas do que a vida.
Dissolvi o meu corpo de impurezas
e desejei que fosse minha a despedida.

Mas, por obra do destino, tu voltaste
daquele sítio para onde tinhas ido
e, ao voltares, voltou tudo o que levaste
e eu voltei a despir o teu vestido.

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a dor de quem tem

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A dor de quem tem o nosso coração
dói mais do que a dor que inventamos
para sofrer.
Pode doer-nos o corpo,
da cabeça aos pés,
da pele aos ossos,
pode até doer-nos a dor de um amor falhado,
não amado,
fracassado,
esfarrapado
ou a dor de um ser perdido,
perdido,
perdido,
simplesmente, perdido,
pode, dói,
claro que dói,
muito,
mas esse muito é demasiado pouco
para o tamanho da dor
de quem tem o nosso coração.
E esse alguém não somos nós, claro que não,
o nosso coração
nunca é apenas nosso
e, quando é
(nas poucas vezes em que é),
dói e deixa de doer
ou dói e deixa-se morrer.
Mas, quando o nosso coração
está em quem sofre sem invenções,
que é sem saber, sem querer ou não querer,
sem pensar, sem estar, sem ter,
tendo mais de muitos corações em apenas um,
que é o nosso,
quando isso acontece,
a dor é-nos mais forte,
mais amor,
mais corte,
mais morte,
mais dor.
A dor é-nos mais dor.
E, quando quem a sente,
não a sabe dizer
nem escrever
nem ladrar
nem miar,
faz, do silêncio à deriva,
fraqueza,
motim,
solidão.
E nós, com esta dor em carne viva,
que é mais carne,
que é mais dor do que a tristeza,
que é mais viva,
que é mais vaga em incerteza,
sofremos desta forma estando assim,
não sabendo se é a norma ao ver o fim
em quem tem o nosso fraco
coração.

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fosse a vida

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Fosse a vida outra coisa que não isto.
Amor, silêncio, cor, canção…
Ou fosse nuvens. Simplesmente, nuvens.
Ou céu, se desse ser.
Nuvens brancas em forma de algodão
doce como o cheiro do prazer
de não ter consciência de saber
que isto não é tudo o que a vida é.
Isto – o que não é, o que deveria ser –
é pequena parte que nos parte daqui,
do coração,
brincando à sorte.
Mas a beleza que só nele existe
é como a estúpida ilusão que não desiste.
Fosse a vida outra coisa menos triste.
Fosse a vida outra coisa que não morte.

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a minha febre

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Quem me dera ser ignorante,
passar pela vida contente.
O pouco que sabe é bastante
e o nada que é não o sente.

Quem me dera perder o que tenho,
ter só o que posso tocar,
ser parte do fútil rebanho,
que parte o que tem a pastar.

Quem me dera ser tão comum,
tão nulo do meu coração,
trocar os meus sonhos por um:
sonhar que só tenho razão.

Quem me dera saber ser feliz,
sem medo, sem mágoa escondida,
ser fruto da minha raiz,
ser morte desta minha vida.

Mas eu não sou verdadeiro,
tenho emoções nos meus ossos!
Quem me dera ser eu por inteiro
e não o que eu sou em destroços…

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o horror de adormecer

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O horror de adormecer,
o zás do sono a cair
em chão de vidro, em som de corte.
Deixar, simplesmente, de ser,
sendo o mesmo, mas a dormir,
como se fosse um estágio
para a morte.

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