o meu amigo Agostinho
Ainda não escrevi sobre a morte do meu amigo Agostinho. Não escrevi ainda porque eu, mesmo não tendo o Agostinho todos os dias, tinha o Agostinho todos os dias. Porque eu escrevia e ele lia e comentava e eu, coisa rara, ouvia. (Não oiço ninguém, sou um pequeno ditador do que escrevo.) Eu ouvia porque, que se foda, ele compreendia. Não é só disto que sinto saudades. É dele, muito mais dele. Também de o ler, que o que ele escrevia, era também o que ele era. E eu ainda sem escrever.