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pureza

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Quem é português não é criminoso – é o que nos querem dizer. A Lei da Nacionalidade chumbou, e ainda bem. A ideia era retirar a nacionalidade a naturalizados condenados nos dez anos seguintes. Não faz sentido, por uma razão: a verdade. E a verdade diz que o português não é puro. Porque ninguém, de nenhuma nacionalidade, é. Porque somos todos impuros porque somos todos humanos porque somos todos impuros. Porque somos todos maravilha e merda. Porque somos todos tudo. Dizer que um português deixa de ser português por cometer um crime é dizer que o português está num lugar que não existe – o da pureza. Querer fazer esta depuração da nacionalidade é, mais do que tudo o resto, querer fazer uma depuração do ser humano, tirando-lhe parte daquilo que faz dele o que ele é: as coisas «más». Nós não somos apenas lindos e respeitadores. Nós também somos feios e maus. E tudo isto é ser humano, é ser português, é ser da nacionalidade que for. Quem diz que não, não está a defender os portugueses como diz estar, nem está a defender aquilo que é. E não defendermos o que somos, por não sabermos que somos tudo, é sermos contra nós. E sermos contra nós é sermos contra a vida. E sermos contra a vida não me parece que seja uma boa forma de viver.

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