bom ou mau
Não queremos perceber, queremos definir quem é bom e quem é mau. E não é fácil definir quem é bom e quem é mau porque não é fácil definir o que é bom e o que é mau.
Estas são dificuldades que vêm de uma necessidade que vem de uma ditadura do pensamento que nos obriga a ver as coisas em binómio de oposição: bom ou mau, como bonito ou feio, direita ou esquerda.
E aqui temos dois problemas a resolver: definir o conceito – o que é ser bom e o que é ser mau – e definir a quem pertence o conceito – quem é bom e quem é mau.
(Por vezes, muitas vezes, é impossível definir o conceito, o que torna, por vezes, muitas vezes, impossível definir a quem pertence esse (não-)conceito.)
Estes dois problemas fazem com que criemos narrativas antagónicas que, claro, nos colocam uns contra os outros – não pelo tema em si – a moral, a estética, a política – mas por termos – não temos – de ser de um lado – que não existe por si, que só existe por ser criado por nós para nosso conforto. É confortável saber quem somos, é desconfortável não fazermos ideia.
Parece-me que a nossa certeza na nossa crença (de sabermos quem somos e o que são as coisas) é o que nos trama a vida. A nossa única certeza, digo eu, deveria estar na nossa ignorância (que não é crença), na nossa indefinição de nós próprios e daquilo que pensamos. Diria que é esse o caminho que nos aproxima daquilo que realmente somos (que eu não sei o que é).