freud
O meu cão ainda existe.
Ele ainda está porque eu ainda o vejo
e ele ainda há porque eu ainda o lembro.
O meu cão não está morto
porque não se está morto
quando se morre,
deixa-se de estar,
por isso ele não está morto,
mas também não está aqui
(vivo? Eu acho que sim,
ele não sei).
Ele anda por aí
sem eu saber
(talvez por onde andei),
a viver.
O meu cão ainda está,
o meu cão ainda há
e eu ainda o amo.
Mesmo sem.
Ele só já não vem
quando o chamo.