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inquisidor mor

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O meu amigo (e católico-cristão-ex-padre – isto é relevante, atenção) Abílio Lisboa decidiu, numa das suas crónicas habituais no Jornal de Leiria, escrever sobre… mim – o que só demonstra a sua aptidão para o vazio. É uma Epístola, diz ele. E, como todas as Epístolas, digo eu, está carregadinha de imprecisões.

  • «Posicionas-te (…) como alguém muito distante da fé.»
    Ora, eu não estou «muito distante da fé», estou pertíssimo. Mas não da minha, da dos outros. E os outros estão pertíssimo de mim. Daí o meu interesse nela. (Na fé, atenção! Não me mandes já para o Inferno.)
  • «… normalmente és tu o motivador, melhor, provocador de serviço (sendo meigo).»
    Diria que afirmar a existência de um Inferno para onde vai quem não reza um Pai Nosso é mais provocador do que alguém que diz que não acredita na existência desse Deus bondoso criador de tudo (que, por ser bondoso e criador de tudo, criou, por exemplo, leucemias fulminantes em crianças).
  • «… admiro o jeito com que consegues fotografar a alma.»
    Sei bem o que estás a fazer aqui. Paga-me antes um copo.
  • «Os tempos (…) questionam a existência de um deus. Dirias.»
    Não. Eu diria, e digo, que nada me prova a existência do Deus da Igreja Católica. Para questionar a existência «de um deus», teremos, primeiro, de definir o que é deus e que deus é esse.
  • «… as discussões que provocas…»
    Errado (outra vez). Eu não provoco discussões. As pessoas que crêem no que eu não creio e que nos tentam (à sociedade) impôr a sua crença é que provocam. Dizeres que eu provoco é dizeres que a mulher agredida é que provoca a discussão ao fazer queixa por ter sido violada.
  • «… o que não te tem impedido de, facilmente, te arvorares em inquisidor mor…»
    Esta é, sem dúvida, o clímax (desculpa, sei que não é moral) do teu texto. Tu, um católico-cristão-ex-padre (eu disse que era relevante), tens a lata (a coragem, desculpa) de dizer que eu sou um Inquisidor. Talvez os meus textos carregadinhos de palavras sejam, afinal, fogueiras carregadinhas de pessoas não-crentes, mulheres viúvas, mulheres solteiras, mulheres sozinhas, prostitutas, homossexuais e deficientes (que, para a Igreja, «eram» a mesma coisa). «(Sendo meigo).»

Admiro-te e respeito-te enquanto pessoa que me convida (na verdade, há muito que não o fazes) para uma patuscada na Ti Augusta. Mas não admiro nem respeito a tua crença. Graças a deus.

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