o meu avô
Foi embora o meu avô. Mas ficou.
Fica sempre quem, indo, existe ainda. Ele foi porque tinha de ir. E é no peito que ele me continua a existir. É mesmo no peito, fisicamente no peito. É lá que, pelo menos, pelo mais, me dói. É lá o aperto de já não o ter perto. É lá o soluço da respiração, o descompasso do coração, as costelas, os pulmões, os nervos, tudo comprimido. Ele não deveria ter ido. Não. Mas foi, e dói, e dói mais, tão mais, quando nos morrem aqueles que julgamos imortais. Quando eu nasci, o mundo que me apresentaram tinha o meu avô. Era assim que o mundo era e era assim – quem me dera – que deveria continuar a ser. Os imortais não deveriam morrer. Entregava-lhe, de volta, a cor dos olhos que me deixou, o sacana daquele sorriso, tudo o que fosse preciso só para ter, de volta, o meu avô. Mas ele não volta. Baralhou as cartas, distribuiu as peças do dominó e deu-me um calduço à socapa só para brincar e dizer, sem dizer, que tinha sido a minha avó. Jogou comigo às damas no sofá. Entrelaçou os dedos das mãos e encostou-lhes a nuca, como se fossem almofada. Perguntou pelo Benfica. Agora, nada. As memórias são tão reais como a carne.
Ele foi, mas ficou. Existe, ainda, o meu avô.
marketing: uma coligação
Para escrevermos um completíssimo artigo sobre Marketing Político e Marketing Digital temos de, em primeiro lugar, explicar o que é Marketing Político e o que é Marketing Digital. Faz parte das regras para escrever completíssimos artigos. Este não é um deles. Mas nós explicamos na mesma.
O que é o Marketing Político?
Marketing Político é uma série de técnicas de publicidade que têm como principal objectivo manter a ligação entre um político e o seu eleitorado. Mas não só. A ideia também é conquistar mais eleitores nas próximas eleições.
Não havendo Marketing Político, o eleitorado de determinado político não sabe o que este anda a fazer nos corredores do parlamento (assumindo que lá vai, como é óbvio).
O que é o Marketing Digital?
Por seu lado, Marketing Digital é… bem, para o amigo leitor estar aqui é porque sabe claramente o que é Marketing Digital, certo? De qualquer forma, nunca fiando: Marketing Digital é um conjunto de acções que uma entidade faz online com a intenção de conseguir novos negócios ou objectivos, criar relações e desenvolver a identidade digital da sua marca.
Para isso acontecer, há que pôr em prática algumas estratégias, das quais se destacam o Marketing de Conteúdo, o SEO (Search Engine Optimization) e o Inbound Marketing.
Marketing para Políticos – Marketing para Totós?
É indispensável que os políticos tenham uma mínima noção do que é fazer marketing. E, visto que, hoje em dia, vivemos todos coladinhos às viscosas paredes de uma bolha chamada Internet, é essencial que os políticos dominem a cena*
*viram como nós acabámos de usar uma expressão bué da jovem só para captar a atenção dos catraios? Isto é que é ser tótil influencer…**
**não, não é. Os jovens já não dizem bué da nem tótil. Aliás, os jovens já não são jovens, são millennials.
Vá, já chega de asteriscos. Vamos ao que interessa: António Costa, Rui Rio, Assunção Cristas, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa, este artigo (também) é para vocês. Esqueçam tudo aquilo que vocês têm feito nas vossas redes sociais. A nossa sugestão é mesmo fazerem um Delete, um CTRL+ALT+DEL ou até mesmo um Format C: ENTER.
Se a ideia é aproximarem-se do vosso eleitorado, não está a funcionar. Se a ideia é atraírem mais gente para a vossa caravana política, também não está a funcionar. Passamos a explicar.
(dêem-nos só um segundinho para irmos ali falar com o nosso “eleitorado” de forma a que ele perceba o que lhe queremos dizer) – perceberam a dica?
Olá de novo, caro leitor. António Costa, Rui Rio, Assunção Cristas, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. Estes são os líderes dos maiores partidos portugueses. Foquemo-nos nestes e foquemo-nos no Twitter, uma das redes sociais que tem sido mais usada por políticos e pessoas que, não sendo políticos, têm intervenção nessa área: António Costa tem 80 mil seguidores, Catarina Martins tem 66 mil, Assunção Cristas tem 3 mil, Rui Rio tem 3 mil e Jerónimo de Sousa nem sequer tem Twitter. Costa, Catarina, Cristas e Rio tem uma miserável média de 100 likes por tweet. Jerónimo de Sousa não tem likes porque não tem Twitter. Chega a ser confrangedor. A dona Fernanda da mercearia da nossa rua tem mais engagement do que qualquer um destes engravatados.
Isto acontece porque nenhum deles está a desenvolver uma estratégia de Marketing Político Digital. É que nem é boa nem má. Não existe.
Marketing Político Digital – Uma maioria absoluta
O que seria se a estratégia política tivesse, como base, uma estratégia de Marketing Digital? O que seria se os políticos se fizessem, realmente, ouvir? O que seria se, de facto, houvesse uma comunicação política mais eficaz?
Hoje em dia, imensa gente consegue alcançar imensa gente. Mas a esmagadora maioria dessa imensa gente não tem qualquer poder de decisão. Imagine que alguém que consegue alcançar essa imensa gente consiga, de facto, decidir. Tenha, de facto, poder.
Imagine pesquisar por “melhor salário” e aparecer-lhe, na primeira página do Google, a página do Político X. Imagine pesquisar por “direitos humanos” e aparecer-lhe, na primeira página do Google, a página do Político X. Imagine pesquisar por “combate ao racismo” e aparecer-lhe, na primeira página do Google, a página do Político X. Imagine pesquisar por qualquer termo ou expressão que esteja na ordem do dia e – sim, já sabe o resto da frase – aparecer-lhe, na primeira página do Google, a página do Político X.
E atenção que esta não é nenhuma referência Professor X dos X-Men. Deixemos o Xavier em paz e voltemos à verdadeira luta contra o mal que, neste caso, é a ausência de uma estratégia política digital no nosso país.
Costa, Catarina, Cristas, Rio e Jerónimo, ainda estão aí? Aqui ficam algumas dicas. Não precisam de agradecer:
Principais estratégias do Marketing Político:
- Desenvolver uma marca política
- Construir uma comunidade
- Investir em conteúdo
- Marcar presença (com estrtatégia) nas redes sociais
Há congressos, convenções, reuniões e tudo o mais. Tudo muito importante para o partido, mas tudo muito apenas para o partido. O que seria se vossas excelências olhassem o que se passa fora? O que seria se pegassem no que se passa fora e criassem uma estratégia de Marketing Digital, de Marketing de Conteúdo constante (baseado em temas trend e em pesquisas reais), de forma a obterem posicionamento orgânico face aos meios? O que seria se se transformassem numa autoridade digital? Tentem.
Depois nós podemos ficar com a pasta do Ministério do Marketing Político Digital. Até breve, futuros influencers!
publicado na Bluesoft
queremos o ouro
Temos o bronze, mas queremos o ouro. Se o amigo leitor for ao Google e pesquisar por “marketing de conteudo”, vai encontrar-nos, apenas, no último lugar do pódio das páginas, o terceiro. Mas isso era até hoje.
Dentro de momentos, vá, talvez dentro de uma semana ou duas, já estaremos no primeiro lugar do pódio do posicionamento orgânico, consigo a colocar-nos a medalha de ouro ao peito, ouvindo o lindo hino da Bluesoft, que começa com “Heróis do Marketing de Conteúdo, Nobre Inbound Marketing, Storytelling Valente e Marketing Digital!”.
Deixemo-nos de cantorias e vamos é ao trabalho.
Marketing de conteúdo: o que é?
De forma muito resumida, marketing de conteúdo é uma estratégia de marketing que assenta na criação e na distribuição de conteúdo relevante, sem mencionar, de forma explícita, a marca. Desta forma, a marca ajuda o seu público a resolver os seus problemas, tornando-se numa autoridade no assunto.
É desta forma que podemos caracterizar o Marketing de Conteúdo como uma espécie de combustível do Inbound Marketing. E o que é isso do Inbound Marketing?
Inbound Marketing | O Poder da Atracção
[Nota ao leitor: procurar qualquer xaropada de Barry White e clicar no play]
O Inbound Marketing é uma série de estratégias de marketing que têm como principal objectivo atrair e converter clientes usando conteúdo relevante. Atenção que é bastante diferente do marketing tradicional, o chamado Outbound Marketing!
No Inbound Marketing, é o cliente que procura a empresa. No Outbound Marketing, é a empresa que procura o cliente.
E mais. No Inbound Marketing, a área de marketing da empresa é uma fonte de investimento e não uma fonte de custo. Isto porque é possível medir todas as acções do Inbound Marketing. É possível saber, tintim por tintim, quantas pessoas viram a campanha, quanto tempo viram, como chegaram lá, o que pesquisaram, entre muitas outras coisas. Quase que dá para saber com que roupa estavam quando viram a campanha (atenção que isso não está assim tão longe de ser verdade – vá, agora vista mas é um robe que nós sabemos muito bem como está a ler este artigo…).
O Web Analytics é tramado. Diz-nos tudo. E o senhor Zuckerberg também. Mas falaremos disso noutra altura.
Sabendo tudo isto, é possível optimizar campanhas para ter um melhor ROI (Return On Investment). E são várias as etapas para atingir o objectivo definido pelo Inbound Marketing:
- Atrair
- Converter
- Relacionar
- Vender
- Analisar
O objectivo maior é fazer com que o seu público-alvo respeite a sua marca e a tenha como referência.
Mas para quê ter trabalho com criação e produção de conteúdo se eu posso pagar bom dinheiro para criar anúncios para o meu produto? Ora aqui está uma pergunta que não faz sentido nenhum. Porquê? Porque é o conteúdo que atrai o cliente, porque é o conteúdo que leva o cliente a efectuar a compra e porque é o conteúdo que mantém o cliente. E o cliente não é nenhum ser abstracto nem nenhum bicho de sete cabeças.
O cliente somos nós. E nós gostamos que a marca fale connosco, que a marca se preocupe connosco, que a marca nos acompanhe, que a marca nos compreenda e não que nos esteja constantemente a bombardear com conteúdo random e sem qualquer interesse.
E, para isso acontecer, é preciso haver uma estratégia bem arquitectada. Para haver uma estratégia bem arquitectada, é preciso haver tempo. Não é num estalar de dedos que uma marca se torna referência.
Marketing de Conteúdo não é apenas escrever um texto num blog, pôr uma fotografia no Instagram ou criar um post no Instagram. Marketing de Conteúdo não implica, apenas, produção de conteúdo. Acima de tudo, é preciso fazer uma coisa que parece ter caído em desuso: pensar. Pensar no que escrever, pensar quando é a melhor altura para publicar, pensar qual o melhor formato para partilhar o conteúdo, pensar qual o público-alvo a atingir, pensar qual o resultado pretendido… E é aqui que entra o storytelling.
Storytelling | Era uma vez na Internet
O que é isso do storytelling? Bem, talvez seja uma das actividades mais antigas do ser humano: contar histórias. O ser humano conta histórias desde sempre. Todos nós contamos histórias, todos nós vivemos histórias, todos nós estamos rodeados por histórias. E há sempre alguém que as conta: os nossos avós, os nossos filhos, os nossos amigos, o nosso chefe, o nosso governo… Histórias da Carochinha, de terror, de aventura, de amor… É à escolha do freguês. Elas estão à nossa volta.
O storytelling é um dos pontos fundamentais para uma estratégia ideal de marketing de conteúdos. A ele, junta-se o cumprimento de boas práticas de optimização com os motores de pesquisa SEO (Search Engine Otimization) e a transmedia (publicação e adaptação de conteúdos às diferentes redes sociais).
O grande objectivo do storytelling é criar uma identificação emocional entre a marca e as pessoas, com o objectivo de as enfeitiçar e de as levar a construir um relacionamento com a marca.
Mas não basta criar uma história ao calhas. Toda e qualquer mensagem precisa de uma base assente numa estratégia de conteúdo. O storytelling funciona, apenas, como um modelo de narrativa.
Dê uma voz à sua marca. Crie-lhe um perfil, um nome, uma idade, uma roupa, um penteado, um passado, um lugar… Assim, a sua marca desenvolverá uma personalidade própria, fazendo com que o público se identifique com ela e perceba facilmente quem conta esta história. Juntando-lhe conteúdo relevante, a história gera maior interesse.
Mas que histórias vou eu agora contar? Ao contrário da outra, esta sim, foi uma boa pergunta. Mas é bastante simples de ser respondida. A história mais importante é aquela que o seu público-alvo quer ouvir. Conheça o seu público-alvo, analise-o, compreenda-o e desenvolva narrativas em que ele seja o protagonista. É, assim, essencial conhecer o cliente, produzir conteúdo relevante, optimizar com SEO e fazer uma boa divulgação.
A sua produção de conteúdo assenta no que o seu cliente pretende. A sua marca será (ou apresentará) a solução para todos os problemas que surgirem. O seu futuro cliente tem de ser parte da história. E o resto é história.
“Levantai hoje de novo a Bluesoft para a primeira página de pesquisas do Google em Portugal… Contra a produção de conteúdo ao calhas marchar, marchar!”.
publicado na Bluesoft
um “beijinho grande”
Enfim, gente cobarde ali à roda com as palavras só para não dar um inteiro, simples, absoluto, puro, uno, claro, real, digno beijo.
Primeiro que tudo, beijinho grande não faz sentido. Ninguém dá uma coisa pequenina grande a ninguém. O diminutivo existe para transmitir um menor grau do seu significado original. O adjectivo grande existe para transmitir um maior grau do seu significado original. Ora, se beijinho existe para transmitir um menor grau de beijo e grande existe para transmitir um maior grau de beijinho, então, um beijinho grande é um beijo.
Não me venham é com paninhos quentes de beijinhos grandes, que isso é fugir com a boca à seringa da palavra certa, é ir dar a volta ao bilharzinho grande só para não dizer o que se deveria dizer. E não há cobardia alguma quando se diz o que se é. Por muito que aleije, se for para beijar, que se beije.
osso
Há um paralelismo curioso entre a relação do ser humano com o outro e a relação do ser humano com ele próprio. Uma espécie de básico, de osso.
Na relação com o outro, o ser humano está a simplificar o mundo. Está a voltar ao piso 0 da evolução, com a intolerância, a segregação e o conflito. Há bons e maus. Na origem, talvez o medo de morrer.
Na relação com ele próprio, o ser humano está a querer procurar o simples, o mais elementar da sua natureza. Está a aprender a respirar, a conhecer o corpo, a sentir, a olhar para si, a regressar ao seu próprio embrião. Na origem, talvez o medo de não estar a viver.
bê-à-bá do copy para seo
Há quem se desafie a enfrentar os seus medos, colocando, por exemplo, uma iguana na careca (clássico Agora ou Nunca, lembra-se? Ponha! Ponha! Ponha!). Há quem se desafie a saltar de um avião. Há quem se desafie a fazer uma dieta. Hoje em dia, toda a gente se desafia. E muito bem! Portanto, não há qualquer razão para nós também não o fazermos.
O nosso desafio não envolve animais exóticos nem saltos loucos de avião. Muito menos fazer dieta! (Salvé, açúcar, que tão maltratado tem sido nos últimos anos! – #jesuisaçúcar). Pois bem, o nosso desafio foi o seguinte: colocar, na primeira página de resultados do Google, a keyword “linha de Cascais” de forma totalmente orgânica.
Em Portugal, “Linha de Cascais” tem 2.900 pesquisas mensais! Mas o que é mais surpreendente ainda é, no mundo inteiro, “Linha de Cascais” ser pesquisada 3.600 vezes por mês! Ainda, assim, nós, Bluesoft, aparecemos na primeira página em 2.560,000 resultados. Sim, leu bem. Dois milhões quinhentos e sessenta mil resultados. É obra.
Mas, ao contrário de muitas obras levadas a cabo no nosso país, esta teve planeamento. Então ajeitámos o colarinho, sentámo-nos em frente ao computador (como se já não passássemos os dias inteiros nisto), pesquisámos, fechámos os olhos para dormitar, aliás, pensar um pouco, voltámos a pesquisar e escrevemos um artigo sobre a Linha de Cascais. Todas as técnicas de copywriting SEO estão a servir de base a este artigo, em conjunto com tecnologia optimizada. É por isso que ele está na primeira página do Google.
“Linha de Cascais” (bom título para conseguir superar o desafio, hein?) acaba por ser mais do que um artigo sobre a linha de Cascais. “Linha de Cascais” é um guia da linha de Cascais que fala sobre todas as praias, paragens de comboio e apeadeiros, monumentos, actividades a realizar, fundações, aquários, museus, enfim, um sem-número de elementos que se colocam no caminho da linha de Cascais. Elementos esses que nos ajudaram a alcançar o nosso objectivo.
A Linha de Cascais é, claramente, um tema fora do nosso blogue. Não tem nada que ver com o que escrevemos. Não tem nada que ver com o conteúdo que pretendemos partilhar. Não somos especialistas na linha de Cascais. Adoramos Cascais, adoramos praia, adoramos as praias de Cascais, adoramos andar de comboio, adoramos todas as estações e apeadeiros da linha de Cascais, mas estamos mais habituados a linhas de código. Não tanto a linhas de Cascais.
Mas a verdade é que, apesar de tudo isso, conseguimos colocar a “linha de Cascais” na primeira página de resultados do Google. Como?
Como aparecer na primeira página do Google?
Hoje, o ser humano não consegue viver sem praticar duas acções de forma constante: uma é respirar, a outra é pesquisar no Google.
Posto isto, voltemo-nos para a segunda (mas, amigo leitor, respire enquanto está a ler o artigo, por favor). A tecnologia e o conteúdo optimizados da Bluesoft permitiram que o artigo fosse parar à primeira página do Google. O artigo segue todas as boas práticas de optimização de conteúdo, a keyword principal – linha de Cascais – está no início do texto, o conteúdo é completo, estruturado e relevante, contém alt image, tem links, título H1 e subtítulos H2, dados estruturados … O artigo tem tudo o que um artigo precisa de ter para aparecer na primeira página do Google.
E é neste momento que voltamos a dar, ao nosso amável leitor, uma ensaboadela de SEO. Exactamente, estamos a falar de Search Engine Optimization. Por amor de Deus (ou por amor da sua inexistência ou da dúvida na Sua existência), abrace o SEO, beije o SEO, use o SEO, trate o SEO como o seu melhor amigo neste mundo do marketing de conteúdo e do marketing digital.
SEO (Search Engine Optimization) – Novamente ao SEO dispor
SEO, ou Search Engine Optimization, é um conjunto de métodos de optimizar um site para que os motores de busca, como Google, Yahoo, Bing, Ask, entre outros, que entendam o conteúdo da sua marca como relevante, posicionando-o no topo dos Resultados Orgânicos – mesmo ali na primeira página do Google.
Com o objectivo de se tornarem uma Autoridade Digital no seu sector, muitas empresas deixam- se levar pelo investimento em pesquisa paga (publicidade). Mas não se deixe levar na artimanha, já agora coloque no Google “pesquisa paga” !!!
Nós, Bluesoft, estamos na linha da frente das empresas especializadas em SEO. Nós, Bluesoft, dominamos as técnicas de SEO e tratamos por tu os serviços de SEO. Nós, Bluesoft, temos colocado empresas nas primeiras páginas do Google num abrir e fechar de keywords. Nós, Bluesoft, aumentamos significativamente a facturação dos nossos clientes e geramos resultados. Nós, Bluesoft, adoramos a linha de Cascais. Mas, acima de tudo, adoramos desafios. Apresente-nos o seu. Nós tratamos dele.
publicado na Bluesoft
natal online, empresas offline
É Natal por todo o lado. As ruas estão iluminadas com bolinhas e azevinhos, o Pai Natal multiplica-se pendurado nas varandas, a Mariah Carey canta nos carros e as redes sociais cheiram a musgo dos presépios. É uma época linda, onde toda a gente é generosa e se preocupa mais em praticar o bem do que em fazer um fatality a quem levou a última oled na Worten do Colombo.
All I want for Christmas is Christmas
Ainda não é Natal e já toda a gente está farta do Natal… desde Outubro. Costuma ser nessa altura que as marcas nos começam a envenenar com falinhas mansas de Natal. As boas marcas, claro. As más, ou as menos profissionais/atentas/organizadas, só começam a preparar o Natal… uma semaninha antes do Natal. E depois desatam a disparar campanhas de Facebook para toda a gente sem qualquer critério, a patrocinar posts no Instagram em cima da árvore em cima do joelho, a bombardear newsletters com promoções pensadas cinco minutos antes… e tudo tem de funcionar. Mas não funciona. Que espanto dos diabos! Quem diria que não iria funcionar?
Estratégia digital no sapatinho
Como já falámos várias vezes aqui, é essencial que haja uma estratégia de marketing digital bem planeada para que se atinjam os objetivos pré-estabelecidos e tudo corra da melhor forma possível. Não é acreditando nos Reis Magos que as coisas lá vão. É preciso seguir a Estrela-Guia – e essa estrela somos nós (ou os nossos ensinamentos, vá). Pedimos desculpa pela bazófia natalícia. E voltamos à história da publicidade paga vs. publicidade orgânica. Como é Natal – ou quase – partilhamos aqui o link para o artigo em que falamos desse já clássico duelo.
Há as empresas que trabalham bem – e atempadamente – e as empresas que trabalham mal – de ontem para hoje. No entanto, ambas trabalham e ambas se esforçam para atingir um determinado objectivo com vista a aproveitar este rodízio de prendas chamado Natal. Há que lhes dar esse crédito. Mas há aquelas empresas que, pura e simplesmente, não trabalham.
Podem não precisar do Natal para terem lucro, ok, mas não trabalham. E, não trabalhando, condicionam o trabalho das outras. E, condicionando, complicam.
“Pois, isto agora mete-se o Natal, de maneiras que só lá para Fevereiro…” E eis que vem à tona um dos mais interessantes e paradoxais fenómenos da sociedade portuguesa actual: por um lado, anda tudo num rebuliço com compras até aos queixos, sem tempo para parar, pensar e, quem sabe, até, respirar. Por outro lado, muitas empresas param, estagnam, “fecham para obras”. Não respondem a emails, não atendem telefonemas, não publicam posts nas redes sociais nem artigos nos sites, não marcam reuniões, não fecham negócios, não abrem negócios, não nada. Cheirando a Natal, estas empresas colocam o cartãozinho VOLTO JÁ na janela e voltam só quando a Popota já tiver ido embora.
Renovação Digital: Ano novo, vida antiga
Terminado este período inebriante de bacalhau e meias, as empresas reabrem de espírito renovado e… com os mesmos vícios, com os mesmos erros e com as mesmas estratégias que não funcionaram antes e que não vão funcionar depois. Mas com pressa! Porque não vendemos nada no Natal, não trabalhámos nada no Natal e agora temos de compensar! E essa compensação – adivinhe, caro leitor – será feita em cima do joelho – adivinhou, não adivinhou? E nós, Bluesoft, cá estamos em cima destas empresas a ver se elas têm noção do que estão a fazer. Quer tenham, quer não, cá estamos nós para lhes iluminar o caminho.
O Natal é quando um homem quiser. O homem não pode é ficar nas palhinhas estendido, nas palhinhas deitado à espera que as prendas lhe caiam da chaminé.
publicado na Bluesoft
empresa nossa que estais na net
“E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do Mal. Ámen”. Ou, como se diz hoje em ambiente digital: “E não nos deixeis cair em tentação de usar plataformas já feitas como o Shopify, o Magento ou o WooCommerce, mas livrai-nos de fazermos tudo sozinhos ou com quem não percebe nada disto porque pensamos que não precisamos de programadores, designers ou gestores de conteúdos. Ámen”.
Hoje em dia, as marcas só existem se existirem online. Não tendo morada na Web, raramente sobrevivem. No entanto, ter essa morada não é ter garantia absoluta de sucesso. Tal como nós, humanos, precisamos de ter a nossa casa num sítio de que gostamos, que sirva os nossos interesses, que nos permita chegar rápido ao trabalho, que esteja perto da escola dos miúdos e por aí fora, também as empresas precisam de ter a sua morada online adaptada às suas características e objectivos.
Infelizmente, não é isso que acontece com muitas empresas. Com a ideia (errada) de poupança, optam por templates já feitos – que, é como quem diz, por uma casa já feita, mas mal feita e mal localizada. Mais tarde, terão a noção de que a dita poupança não existiu. Se a empresa não foi pesquisada, se a empresa não foi encontrada, não houve lucro, não houve poupança, houve prejuízo. Contas simples de se fazer.
Querido, mudei a Loja Online
A solução é simples e passa por um investimento inicial na construção da casa. Mas nada de contraplacados de templates já feitos e que toda a gente usa. Para uma boa casa, é preciso ter bom material. Para um bom website, terá de investir em programadores, em designers e em gestores de conteúdos. Mas dos verdadeiros. Atenção a esses chicos-espertos que, por saberem fazer COPY-PASTE, já se acham programadores, que, por saberem fazer memes no Paint, já se acham designers, e que, por tirarem umas fotos com o iPhone e escreverem posts no Instagram, já se acham gestores de conteúdos. Não são.
Estes templates já feitos estão alojados em plataformas que não são optimizadas para aparecerem nos resultados dos motores de pesquisas nem para gerarem visibilidade orgânica. Para que isto aconteça, será necessário um trabalho de SEO (Search Engine Optimization), conhecer o público-alvo, saber o que é pesquisado, trabalhar keywords e muitas mais coisas essenciais. Em plataformas a sério.
Tendo a casa bem construída e com uma boa localização, terá o sucesso quase garantido. Quase porque o conteúdo, como é óbvio, é essencial. Se tiver o conteúdo, a casa e a morada, apenas precisa de um bom banco onde depositar o dinheiro que vai lucrar.
Compras Online em Portugal
Segundo a ACEPI (Associação da Economia Digital), o valor das compras online feitas pelos portugueses foi de 1,7 mil milhões de euros em 2009 e de 4,6 mil milhões em 2017. Ou seja, em oito anos, o valor das compras online realizadas pelos portugueses mais do que duplicou. Espera-se que em 2025, seja atingido um valor de 8,9 mil milhões de euros.
Em 2009, as empresas e o Estado tiveram um volume de negócios online de 24 mil milhões de euros. Em 2017, o valor cresceu para 70 mil milhões de euros. Em 2025, a expectativa é de um volume de negócios de 132 mil milhões de euros até 2025.
Ainda acha que a sua empresa não deve estar online? Pois, bem nos parecia…
O que deve fazer para criar uma loja online?
A visibilidade e o posicionamento são essenciais. Estar numa rua da Caparica não é o mesmo que estar em Times Square. Mas, em ambos os casos, é preciso saber destacar- se. As pessoas não entram na sua loja só por terem visto a montra. No mundo digital, as pessoas não entram no seu website só porque este se encontra na primeira página de resultados. É necessário saber destacar-se dos concorrentes.
Para isso, antes de tudo o resto, defina o seu público-alvo. Se a ideia é vender chinelos de praia, certamente terá mais sucesso na tal rua da Caparica do que em Times Square. Definir o público-alvo é essencial.
De seguida, elabore um plano estratégico digital que vá de encontro a esse mesmo público- alvo, com a criação de um site optimizado para os motores de pesquisa, com conteúdos relevantes e influentes.
Um plano de optimização de SEO é essencial para o seu website ser visto. Um plano estratégico de conteúdos relevantes é essencial para que o possível cliente fique no seu website.
Qualquer pessoa ou empresa pode criar uma loja online. Poucas pessoas ou empresas conseguem criar uma boa e eficaz loja online. Não caia na tentação dos templates já feitos, dos artistas dos computadores que se dizem programadores, dos pintores de Paint que se dizem designers nem dos fotógrafos e escritores de Instagram que se dizem gestores de conteúdos.
Se já caiu nessa tentação e está arrependido, nós perdoamos. Mas não o volte a fazer. Para o seu bem e para o bem da sua empresa. Em nome do SEO, do E-Commerce e do Marketing Digital. Ámen.
publicado na Bluesoft
domingo
O domingo é a permanente ausência do dia, a memória viva do ontem e a antecipação sofrida do amanhã, a noite que não é, o intervalo da vida, o fosso entre a ilusão e a realidade, o limbo dos corpos, o sofá das almas, o ir não ir e ficar, o ser não sendo a dormitar, o ronronar dos gatos, a ressaca dos sentidos e o snooze de os sentir, a chuva nos vidros da janela da sala, o falar e ouvir e tocar e cheirar e provar tudo a preto e branco, a televisão a médio-som, a solidão a média-luz, o passeio dos tristes, o sal da melancolia, a câmara lenta da ronha.
O domingo é de quem sonha a permanente ausência do dia.
o fim da internet, 1984
“Era um dia claro e frio de Abril, nos relógios batiam as treze. Winston Smith, queixo aninhado no peito, num esforço para se proteger do malvado vento, esgueirou-se depressa por entre as portas de vidro das Mansões Vitória, não tão depressa, porém, que não encontrasse com ele um turbilhão de poeira arenosa”. Assim começa 1984, o clássico romance distópico de George Orwell.
Estamos em 2018 e o cenário podia ser o mesmo. Nós, Winston Smiths de telemóvel na mão, andamos mais um bocadinho e deparamo-nos com “um cartaz a cores, demasiado grande para ser afixado dentro de casa (…) um rosto enorme, com mais de um metro de largo: o rosto de uma União Europeia dos seus sessenta e um anos, com farto bigode e feições de uma beleza austera”. Sim, estamos a mexer com direitos de autor e, sim, aldrabámos ali “União Europeia” e “sessenta e um anos” só para passarmos a nossa ideia. Bem vistas as coisas, acabámos por fazer uma espécie de meme. Ou seja, acabámos de provocar os “velhotes” da União Europeia que não sabem como lidar com este novo mundo e então decidem bloquear, censurar, proibir e pôr tudo sob vigilância.
Artigo 13 – O artigo da polémica
Ok, talvez estejamos a simplificar. Isto é complexo e tem a sua razão de ser. Tudo começou com uma proposta apresentada no Parlamento Europeu com o intuito de “obrigar os gigantes tecnológicos a dividir lucros com artistas e jornalistas”. Ou seja, entrando em vigor, a nova lei visa proteger a criatividade, possibilitando que os conteúdos partilhados na Internet gerem lucro aos respectivos autores. Tudo muito lindo e tal até analisarmos, de facto, o artigo da polémica, apresentado pelo místico número 13.
O artigo 13 limita a possibilidade de se publicar conteúdos em diversas plataformas como as redes sociais, uma vez que as obriga – sim, obriga – a utilizar filtros de upload que consigam distinguir entre conteúdos legais e não legais. Ou seja, ao abrigo deste artigo, qualquer entidade – sim, qualquer entidade – pode proibir – sim, proibir – a utilização de uma imagem ou de um vídeo para a criação de um conteúdo digital. Um bocadinho assustador.
Artigo 11 – O artigo de uma polémica mais pequenina do que a do Artigo 13
Este artigo obriga – sim, obriga – os sites agregadores de notícias a pagarem aos órgãos de comunicação social pela partilha e publicação de links para as notícias publicadas nos seus sites. Continua assustador.
Atenção. Não negamos a necessidade de regulação da Internet. Não negamos a necessidade da defesa dos direitos de autor. Não negamos a necessidade de uma condenação de quem viola esses mesmos direitos. Mas alto lá. Não é bloqueando, não é censurando, não é proibindo, não é vigiando de forma quase ditatorial que se vive no mundo, seja ele o real ou o digital (cada vez mais real do que o primeiro).
ALERTA! ALERTA! O fim da Internet! Calma, Fake News!
O medo está instalado, sentadinho no nosso sofá, de tablet ao colo a ver como lhe reagimos. Há quem grite e corra pela casa de mãos na cabeça e há quem aplauda o medo e lhe sirva uma chávena de chá. Ou seja, há quem diga que isto vai acabar com a Internet e há quem diga que isto vai proteger os criadores de conteúdo.
Pois bem, a favor do artigo, estão nomes como Paul McCartney e Agir (pedimos imensa desculpa por juntar, na mesma frase, uma lenda viva da música mundial e um tipo que fez parte de uma banda qualquer de Liverpool). O argumento? Mais protecção das suas obras.
Contra o artigo, está o Facebook, a Google, a Amazon, a Apple ou Tim Berners-Lee, o criador da Internet. O argumento? Estas propostas irão dificultar o livre fluxo de informações, transformar as empresas de tecnologia em polícias de conteúdo e levar à censura da web.
Cada lado tem os seus argumentos. Cada lado defende-os da forma que os achar mais correta. Não é um tema simples que se resolva de um dia para o outro. E, estando a razão de um lado ou do outro, nunca deixará de estar na sua discussão. Só assim é possível manter esta coisa cada vez mais frágil chamada Democracia.
Trump e Bolsonaro: outra vez? O que têm eles que ver com isto?
Parece-nos óbvio que já entrámos no maravilhoso e perigoso mundo da Internet e das redes sociais. Parece-nos óbvio que já não conseguimos viver fora dele. E parece-nos óbvio, também, que a União Europeia está aterrorizada com a importância que este mundo teve nas eleições de líderes como Trump ou Bolsonaro.
Em ambos os casos, o pior desse mundo – fake news, desinformação, manipulação – aniquilou o melhor. Começou na América e está já a alastrar à Europa. O medo parece-nos ser esse. Mas não convém dizer que é. Então, a União Europeia embrulha-o bem embrulhadinho no embrulho da proteção dos direitos de autor.
Direitos de autor: Direitos? Autor?
Mas que direitos de autor? Há direitos de autor? Ok, temos uma noção de que há autor, de que lhe são atribuídos direitos e que esses direitos, sendo-lhe atribuídos, são, logicamente, direitos de autor. Tudo certo. Mas será mesmo essa a genuína preocupação da União Europeia?
“Viver em liberdade (…) significa também que temos de ser responsáveis e filtrar a informação que nos é apresentada”. Foi assim que a Comissão Europeia respondeu a quem preconiza o fim da Internet com a entrada em vigor desta proposta. Foi assim que a Comissão Europeia respondeu ao mundo inteiro. “Filtrar a informação”.
Ora bem, esta justificação de que a informação deve ser filtrada já foi usada por ilustres defensores da liberdade como Josef Stalin, Robert Mugabe e Adolf Hitler. Todos muito preocupados com a filtragem de informação. Aliás, todos muito preocupados com o bloqueio, com a censura, com a proibição e com a vigilância da informação. Foram tempos maravilhosos de liberdade. #Saudades
Temos de ter cuidado com isso. Na Internet – como no mundo – há coisas boas e coisas más. Não é escondendo as más que elas desaparecem. Pelo contrário. É mostrando as más, é olhando para elas, é compreendendo-as. Só assim é que as podemos combater. Não pelo bloqueio, não pela censura, não pela proibição, não pela vigilância ditatorial. Pela educação.
Enquanto isso, cuidado, Big Brother is watching you.
publicado na Bluesoft
admirável mundo novo
As redes sociais apresentaram-nos um mundo maravilhoso: um mundo onde podemos saber tudo sobre qualquer coisa ou pessoa, um mundo onde podemos fazer ouvir as nossas opiniões livremente, um mundo onde podemos ter influência real nas vidas dos outros. Mas as redes sociais também nos apresentaram um mundo perigoso: um mundo onde podemos saber tudo sobre qualquer coisa ou pessoa, um mundo onde podemos fazer ouvir as nossas opiniões livremente, um mundo onde podemos ter influência real nas vidas dos outros.
Bem-vindo ao Admirável Mundo Novo, com origens em Huxley e continuação em nós mesmos.
Tudo tem o seu lado bom e o seu lado mau – vem no manual de instruções do universo.
Qualquer embandeiramento em arco ou negação arbitrária de qualquer coisa sem o reconhecimento do seu contrário faz de nós ora rebanho enfeitiçado ora velho do Restelo. As redes sociais não são a melhor invenção do universo, mas também não são a pior.
Gestão da verdade, gestão da mentira e gestão das redes sociais
A verdade é que as redes sociais nos abriram horizontes que, até à data, nem sequer sabíamos que existiam. A verdade é que as redes sociais nos permitiram estar em contacto directo e instantâneo tanto com pessoas que estão na sala ao lado como no outro hemisfério. A verdade é que as redes sociais nos deram a conhecer mundos diferentes dentro deste mundo em que vivemos. A verdade é que as redes sociais nos facilitaram o acesso aos órgãos de decisão, permitindo uma voz mais activa e audível da sociedade. A verdade é que as redes sociais nos permitiram, nos deram e nos facilitaram um acesso a um mundo, também ele, composto por muita mentira – as fake news são um claro exemplo disso.
Mas, sendo mentira ou sendo verdade aquilo a que as redes sociais nos permitem aceder, uma coisa é certa: elas são já parte integrante – e indispensável – na nossa vida. A vida moderna já não pode viver sem as redes sociais. Do refugiado sem casa nem família que anda descalço a galgar países ao presidente da maior potência mundial, todos estão online.
Marketing em ambiente digital: o do corpo humano
Não seria de espantar que, em breve, o Facebook, o Whatsapp, o Instagram ou qualquer outra rede social fosse ensinada nas aulas de Ciências como mais um dos elementos do corpo humano – que funciona, não com sangue, mas com marketing digital. Vemos mais pelo ecrã do que pelos olhos. Qualquer dia, ainda descobrimos que, de facto, existe uma coisa chamada realidade.
Redes sociais: espelho meu, espelho meu…
É sobre essa realidade – e sobre a “realidade virtual” que vivemos hoje – que muitas séries, filmes, livros se têm debruçado. Talvez uma das mais impactantes na sociedade actual tenha sido o Black Mirror (por favor, pela vossa saúde, sanidade e consciência mentais, sentem-se um bocadinho no sofá e vejam esta preciosidade). Black Mirror é uma série assustadora, precisamente pelo facto de estar tão próxima daquilo que é a nossa realidade. É uma série ficcional, mas poderá muito bem vir a ser um documentário fidedigno do que se passa nesta era de amor exacerbado pela tecnologia.
Nesta série, há um episódio em que as pessoas dão pontuação umas às outras consoante as relações (íntimas, comerciais, profissionais e outras) que tiverem. Vou na rua, cruzo-me com um tipo com a camisola do Sporting e dou-lhe uma estrela. Mais à frente, cruzo-me com um equipado à Benfica e dou-lhe cinco. É assim que funciona na série. É assim que funciona na realidade. Gostei do atendimento no café? Cinco estrelas à menina que me serviu a mini e o pastel de nata. Odiei o serviço na oficina? Uma estrela ao mecânico que me levou um milhão de euros por duas pastilhas, quatro pistons e cinco minutos de mão-de-obra.
O que, à partida, não parece assim tão errado, é: essa pontuação contribui para o ranking da pessoa na sociedade. É com esse ranking que a pessoa se apresenta perante uma simples entrada num restaurante, perante uma entrevista de emprego, perante um pedido de empréstimo para uma casa… Quanto maior for a pontuação (atribuída por outras pessoas com e sem critério justo), maior a possibilidade de subida hierárquica na sociedade. Assustador, não é? Pois, é a realidade.
Na terra do sol nascente, humanidade poente
E é mesmo a realidade. Na China, este episódio do Black Mirror ganhou vida em 2014 e o governo já conta com os dados de 10 milhões de pessoas. “O principal objectivo é que as pessoas que se comportem de forma pouco ética ou desonesta, no seu dia-a-dia, percam acesso a tudo. Desde os benefícios do governo até aos transportes públicos”. As palavras são de Wenhong Chen, investigadora especialista em redes sociais, da Universidade do Texas.
Para construir o perfil dos cidadãos chineses, o governo utiliza os dados que possui, como registo financeiro, e cruza-os com informação obtida através de aplicações móveis. Começou em Xangai e já se alastrou a outras cidades daquele país.
A própria empresa Ford já usa este ranking no serviço de vending na China. Os utilizadores com um ranking elevado têm acesso a um test-drive gratuito.
Temos as mãos ao volante das redes sociais. Resta agora ver se as sabemos conduzir. A pior (e provável) consequência é provocarmos um acidente em cadeia. Grave.
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poetas de keywords
Nem Fernando Pessoa nem Camões. O marketing digital não é lugar para poetas. A não ser que eles percebam de keywords. Caso contrário, não é com “não sou nada, nunca serei nada, não posso querer ser nada” nem com “fogo que arde sem se ver” que se vende um passeio de barco, um vinho ou um tapete de Arraiolos.
Não há uma única pessoa no mundo que, interessada em comprar um passeio de barco, um vinho ou um tapete de Arraiolos vá pesquisar no Google por “passeio de barco/vinho/tapete de Arraiolos não sou nada, nunca serei nada, não posso querer ser nada” ou por “passeio de barco/vinho/tapete de Arraiolos fogo que arde sem se ver”.
Para o produto que estamos a vender chegue a quem esteja interessado em comprar há que colocá-lo na prateleira certa. Se for um passeio de barco, vai para a prateleira dos passeios de barcos. Se for um vinho, vai para a prateleira dos vinhos. Se for um tapete de Arraiolos, vai para a prateleira dos tapetes de Arraiolos. E em nenhuma das prateleiras está o Pessoa ou o Camões. Eles, adivinhe-se, estão na prateleira dos poetas.
Como escolher palavras-chave para artigos: as mais procuradas no Google para blogs e sites
Para vender um passeio de barco, é bom que se utilizem palavras-chave – as chamadas keywords – relacionadas com passeios, barcos, aventura, lazer, coisas a fazer em Lisboa e por aí adiante. Tanto em português como em inglês. Depende, claro está do público-alvo.
Por exemplo, mensalmente, há 27.082 pesquisas (em todo o mundo) por “things to do in lisbon” contra as 8.100 pesquisas por “what to do in lisbon”. Tendo este dado, é fácil decidir qual o termo a incluir no seu texto sobre passeios de barcos. Outro exemplo prático: há 8 100 pesquisas mensais (em todo o mundo) por “portuguese wines” contra as 1 300 pesquisas mensais por “wines of Portugal”.
Sim, antes de saírem de casa e irem à loja, as pessoas pesquisam no Google. O Google representa 80% das pesquisas a nível mundial. É, assim, essencial um estudo de keywords antes de começar a escrever o que quer que seja. É como na escola: primeiro, aprendemos as letras e só depois é que as escrevemos. Ou como no futebol: primeiro, aprendemos o que é uma bola e uma baliza, e só depois é que marcamos golões ao ângulo.
Mas, segundo grande parte dos clientes, qualquer um escreve e qualquer um joga à bola. Não é preciso estudo prévio, não é preciso avaliação, não é preciso estratégia. Errado. Um estudo de keywords (keyword research) é fundamental para atingir os objectivos estabelecidos pela empresa. E a justificação deste serviço é, como evidente, desenvolver um website ou uma planificação de artigos destinados a blog com conteúdos focados no que os utilizadores pesquisam mais activamente (keyword planner).
Claro que escrever bem é crucial. Ninguém lê um artigo perfeito em keywords e todo escangalhado em gramática. Mas a verdade é que chega mais facilmente a ele do que a um artigo com poucas keywords e gramaticalmente lindo de morrer. O ideal é criar conteúdo bonito, sim, bem escrito, sim, mas eficaz, com as palavras, os termos, as expressões que o cliente pesquisa quando procura pelo produto que estamos a vender.
SEM e SEO | A importância do Marketing de Conteúdo
É aqui que a Bluesoft entra. É aqui que nós lançamos um feitiço (assente, claro está, em SEO – Search Engine Optimization – e SEM – Search Engine Marketing) e descobrimos quais as palavras mais pesquisadas. Depois é tudo uma questão de lógica: se o seu texto incluir mais vezes as palavras mais pesquisadas, será mais vezes encontrado pelos seus futuros clientes. Aparecerá no topo de pesquisas e, consequentemente, terá um forte impacto positivo nas vendas.
É natural que as empresas ainda não estejam totalmente adaptadas à escrita digital (que é, em primeira instância, para computadores e só depois para pessoas). E é, mais uma vez, aqui que entra a Bluesoft. Não temos Pessoa nem Camões. Mas temos em nós todas as keywords do mundo.
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tic-tac tic-tac tic-tac, e agora?
O tempo está a contar. E agora, qual a estratégia?
Não temos tempo. Temos mais que fazer do que ter tempo. Não temos tempo para nos darmos ao luxo de ter tempo. Somos uma espécie de coelho branco da Alice, a correr atrasados para algum lado. O relógio não pára e nós corremos. Sabe-se lá para onde, mas corremos. E, desta forma, como consequência óbvia, perdemos de vista o que temos à nossa volta. Só vemos o que está à nossa frente e, mesmo assim, vemos a correr – que é uma boa forma de ver desfocado – que temos é pressa de chegar ao infinito.
Apenas lemos as letras gordas, apenas vemos vídeos em fast forward e não lemos mais do que o título do livro. Aliás, devemos dizer que estamos espantados por ainda o ver aqui. Conseguiu ler mais do que cinco linhas. Parabéns, é um ser humano raro.
#SOMOSTODOSRUNNERS – Corra mais rápido com Estratégia (Digital)
O ser humano comum é um runner. E, se ele corre, a marca que o quer apanhar tem de correr com ele. Ou, pelo menos, meter-se à frente para que ele a veja. Em vez de a sua marca colocar os seus produtos/serviços na paisagem, o melhor é mesmo colocá-los na pista de tartan.
Até há pouco tempo, o consumidor andava de mãos nos bolsos, assobio na boca e olhos na paisagem. Podia não ver todos os produtos ou serviços que lá estavam, mas via alguns e, acima de tudo, procurava e selecionava. Hoje em dia, o consumidor tem as mãos no novo iPhone que tirou do bolso, o assobio é música de Benny Hill e os olhos só olham em frente. Não procura, escolhe o que lhe aparece no ecrã.
Neste caso, o que pode fazer para não deixar fugir este consumidor? Pois bem, felizmente que estamos perante um ser humano raro que ainda continua a ler mais do que as cinco linhas iniciais de um texto. Parabéns, amigo leitor.
Ora bem, a ideia passa por delinear um plano estratégico digital que vá ao encontro do (possível) cliente, um website otimizado para os motores de pesquisa, com vários conteúdos relevantes e influentes. De forma preferencialmente orgânica, é essencial que a sua empresa sobressaia neste mundo onde as pessoas existem a um ritmo vertiginoso, com acesso imediato à informação – da economia atual e da sociedade digital.
Hoje, mais de 7 milhões de pessoas, só em Portugal, pesquisam na Internet assuntos do seu interesse. É essencial para o consumidor que o resultado desta pesquisa seja imediato – experimente aguardar 5 segundos (mas conte mesmo 5 segundos) pela abertura de um website e tente não atirar o computador pela janela. É quase impossível, não é? Hoje em dia, mais do que nunca, nós exigimos informação imediata.
Como agir – Estratégia Digital, SEO, Marketing de Conteúdo e outros truques
O tempo que tínhamos há dez anos não é igual ao tempo que temos hoje. O tempo que temos hoje não será igual ao tempo que teremos daqui a meio ano. Isto anda assim. Ou melhor, isto corre assim. É por isso que é tão importante para as empresas estarem na primeira linha do olhar do consumidor. Ele não tem tempo para procurar mais. Ele olha e compra porque, no instante seguinte, já está a pensar numa futura compra.
É por isso que as empresas devem ter uma Estratégia Digital que envolva um plano de optimização SEO para que o website esteja posicionado nos primeiros lugares da primeira página. É por isso que as empresas devem investir em Marketing Digital, estudando o sector online, analisando o comportamento do público-alvo, verificando keywords e tendo conteúdos relevantes. É por isso que as empresas devem investir em SEO. É por isso que a Bluesoft lhe fornece essas ferramentas. Para acompanhar a corrida do seu (futuro) cliente mas para, acima de tudo, fazer com que ele veja a sua empresa como a única capaz de lhe saciar a sede (da corrida) da compra. E aí sim, estará no País das Maravilhas.
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web summit, frankenstein
Claro que adoramos bater na Web Summit e nas passagens de modelos que lá se realizam. Claro que muita gente vai para a Web Summit apenas para dizer que foi. Claro que há quem apenas se importe com os planos super trendy e vintage das fotografias que vai tirar na Web Summit para o Instagram. Claro que há quem esteja na Web Summit com um Nokia 3310 no bolso. Claro que tudo isso. Mas também é claro que a Web Summit traz novas ideias, traz negócio, traz iniciativa, traz esperança, traz conhecimento, traz tecnologia e traz muitas mais coisas muito mais importantes do que as primeiras. E Portugal, em particular Lisboa, bem se pode orgulhar disso.
Este ano, mais do que em todas as outras edições, a Web Summit trouxe à praça pública de Lisboa, de Portugal e do mundo inteiro um tema que nos inquieta e deixa alerta: A Solução para a Internet.
Internet, uma espécie de Frankenstein
Inicialmente criada para permitir um acesso à informação por parte de toda a gente, a Internet está a tornar-se, cada vez mais, um acesso à desinformação. Traçando caminhos pantanosos, a Internet está, assim, perante problemas vitais: a sua credibilidade, a sua influência, o seu futuro.
Tim Berners-Lee, um dos oradores que veio a Lisboa falar ao palco da Web Summit, é o criador da Internet. É ele o Mastermind disto tudo. É ele o Boss (desculpa, Springsteen).
A Internet é da sua autoria mas, tendo em conta os caminhos perigosos que tem tomado – ou que tem permitido a outros tomar -, bem que poderia ser de Mary Shelley, a escritora inglesa autora do clássico Frankenstein. Neste caso real que é a virtual Internet, Tim é o Dr. Victor Frankenstein e a Internet é o monstro (que, já agora – e ao contrário do que a cultura popular nos vai dizendo -, não se chamava Frankenstein).
Portanto, Tim Berners-Lee criou um monstro. Inicialmente, não era essa a sua vontade. Mas foi nisso que ela se tornou. É óbvio que a Internet tem coisas maravilhosas – tanta coisa que podemos fazer, saber, aprender com a Internet. É ridículo estarmos a apontar as vantagens que ela nos trouxe – são incontáveis. No entanto, também são incontáveis as salas escuras que ela nos escancarou. Somos nós que decidimos o caminho a tomar. Desconfiando sempre da capacidade do ser humano para optar sempre pelo melhor, o ideal é criar regras. Há muitas que regem a Internet, há muitas que regem quem navega na Internet. Mas, pelos vistos, deveria haver mais.
Os maus caminhos estão à frente de todos: fake news, abuso de privacidade e abuso de dados de utilizadores na web. Muita gente tem tomado estes caminhos. Muita gente importante tem tomado estes caminhos. Muita gente importante que tem tomado estes caminhos está agora na liderança de grandes potências mundiais – sejam elas países ou empresas – precisamente por terem tomado estes caminhos. Não precisamos de dizer os nomes de Donald Trump, Jair Bolsonaro ou Mark Zuckerberg, pois não? Ops, parece que já dissemos. Não faz mal – conta para o SEO.
A criação da Internet reencontra o criador Tim
Tim subiu ao palco da Web Summit e alertou: “Em 2019, pela primeira vez, mais de metade do mundo vai estar conectado e é preciso olhar com mais atenção para a Internet (…) Somos todos responsáveis por fazer da Web um lugar melhor”.
E somos. E temos de fazer com que seja, de facto, um lugar melhor, mais respirável, menos odioso, menos indesejável. Para a manter livre e mais segura, Tim Berners-Lee apresenta um projeto que quer criar uma convenção internacional com princípios e valores da Web. “For The Web” é o slogan. “Chegar a um consenso internacional entre governos, empresas tecnológicas e todos os que utilizam a Internet para criar princípios-base para esta invenção” é o bom caminho a seguir.
Há muitas questões sobre a mesa – ou melhor, sobre o ecrã. O impacto das leis de direitos de autor é uma. As questões culturais de cada país dão outra. A responsabilidade governamental junta-se a estas. Ainda temos os patamares éticos e morais. Enfim, as questões são infinitas, mas são questões sobre as quais não podemos fazer um simples delete.
Caso contrário, pode acontecer o que nos têm dito os clássicos filmes de ficção científica: “não abras os olhos que, um dia, é o robot que manda em ti e não tu que mandas no robot”.
Tim defende a neutralidade da Internet e o acesso de todos a esta rede universal. Em tempos, defendeu Edward Snowden, o antigo programador dos serviços secretos americanos que revelou que o país está a escutar e recolher informação de pessoas através dispositivos em todo o mundo. Hoje, defende a Internet. Outra vez.
E há mais quem a defenda. Aliás, não há orador que suba ao palco de Lisboa da Web Summit com o objetivo de acabar com a Internet. Seria o seu fim – o do orador, entenda-se. E mais. Defendendo a Internet, muitos são os que defendem o Planeta. Muitos são os que vêem nela uma forma de atingirmos um bem-estar nunca antes alcançado. Muitos são os que vêem nela uma forma de melhorar o Planeta. A preocupação com os mares, com os poluentes, com os sistemas de energia renováveis, com os seres humanos, com os outros seres vivos que nos acompanham, é uma preocupação real e que ganha dimensão e força na Internet.
É também por isto que é essencial criar esta espécie de Constituição da Internet sugerida por Tim Berners-Lee, para que consigamos viver em paz e harmonia uns com os outros. Parece lamechice saída de filme da Disney, mas a verdade é que, se não agirmos de imediato para regular este maravilhoso espaço virtual, em breve viveremos num filme Western. Mas sem ser em filme. Bem real, embora virtual.
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rami rhapsody
Um filme fraco, uma interpretação brilhante. Um filme que não valeria 5 minutos se não houvesse Rami Malek. Uma interpretação digna de Óscar para um filme digno de pouquíssima coisa.
É impossível (voltar a) ser Freddie Mercury, mas Malek assusta na forma como está tão perto de negar essa impossibilidade. O jeito de andar, de cantar, de mexer, de olhar, de quase tudo roça a perfeição. A história é conhecida, talvez por isso não haja qualquer surpresa ou perturbação que me tenha feito aplaudir o filme.
Tudo acontece a correr e quase nada é aprofundado como deveria ter sido. É um filme sobre a vida de uma lenda, não há tempo para mostrar as entranhas da vida dessa lenda, eu sei, mas deveria haver. E, devendo, não deveria ter havido filme. É um resumo de Wikipédia, vá. Mas o Malek, caraças, quase me fez acreditar no renascimento do Freddie.
Bohemian Rhapsody não é um filme. Rami Malek é o filme. E nada mais interessa, pelo menos, para mim.
donald twitter e jair whatsapp
Não estamos aqui para dizer bem ou mal do Trump ou do Bolsonaro. Não estamos aqui para os insultar nem para lhes passar as mãos pelo pêlo. Não estamos aqui para transmitir mais uma daquelas opiniões carregadinhas de clichês e frases feitas que condenam o mal e exaltam o bem (que novidade fora do comum esta de condenar o mal e exaltar o bem). Não. Estamos aqui para relatar factos. E, acima de tudo, no contexto do marketing digital, dizer que Trump e Bolsonaro fizeram jogadas de génio para estarem onde agora estão: ao leme de um continente.
Os Homens do leme – Ditadores ou Génios do Marketing Digital?
O percurso de ambos na chegada ao poder é semelhante em termos de comunicação. A estratégia digital, então, foi quase gémea uma da outra. Quer um quer outro disseram adeus aos discursos longos e chatos, substituindo-os por soundbytes, por frases, por slogans impactantes. Quer um quer outro disseram adeus à comunicação tradicional pela televisão, jornais ou rádio, substituindo-a por uma comunicação marcadamente digital – Twitter, Facebook, Whatsapp. Quer um quer outro? Segundo os media tradicionais, ninguém queria nenhum. Mas foram eles que ganharam.
Comunicação Digital: Redes Sociais – Uma Mudança de Paradigma
E nós, que estamos claramente em mudança de paradigma comunicacional, deparamo-nos com informações contraditórias – na televisão, está tudo bem, o Trump não ganha, as sondagens dizem claramente que não, o Bolsonaro não chega lá, ele não tem hipótese nenhuma e, além disso, está a ser atacado por milhões de hashtags #EleNão, #EleNunca. Afinal, #EleSim. Aliás, #ElesSim. O que aconteceu? A televisão dizia-nos uma coisa e aconteceu outra. O Facebook, o Twitter e o Whatsapp – que não passavam de redes para um tipo se entreter a ver umas babes e a mandar umas larachas – afinal deram uma coça no pivô de fato e gravata do Telejornal. Hoje, as pessoas não existem mais sentadas no sofá de jornal na mão à espera do noticiário das oito e do comentário das nove. Hoje, as pessoas existem com o telemóvel colado à cara e com likes e partilhas na ponta dos dedos. Hoje, as pessoas existem de forma diferente. E os media tradicionais parece ainda não terem percebido isso.
Trump e Bolsonaro perceberam há demasiado tempo. Trump e Bolsonaro perceberam onde estão as pessoas, o que elas fazem, quais as suas necessidades, o que elas procuram, o que elas odeiam, o que elas adoram, o que elas desprezam, o que elas desejam. Ponto final.
Mas aqui vem o parágrafo: Trump e Bolsonaro usaram os seus conhecimentos para transmitir mensagens éticas e morais sobre o ser humano, o valor da liberdade e de todas essas coisas essenciais à nossa saúde, honra e sobrevivência? Talvez não. Provavelmente não. Mas, como já dissemos no início do artigo, não é isso que estamos a discutir. Nem queremos. Eles encontraram o caminho mais eficaz de chegar às pessoas. O resto é história.
Exército Digital – Marketing Político Puro
A base de apoio destes dois novos presidentes americanos está neste exército de eleitores digitais, pessoas comuns que se sentem mais participativas na sociedade por fazerem likes, pessoas comuns que se sentem mais ouvidas pela sociedade por escreverem um post, pessoas comuns que se interessam, única e exclusivamente, pela informação superficial e rápida, sem qualquer necessidade de confirmarem a sua veracidade.
Este exército de eleitores digitais, estas milícias digitais produzidas neste contexto da hiperpolarização e da pós-verdade são o oposto daquilo que a Internet preconizava inicialmente: inteligência colectiva e democracia em rede gerida por uma multidão direcionada para o bem comum. Pois bem, não é isso que está a acontecer.
Mas o que fizeram Trump e Bolsonaro? Pois bem, dispararam mensagens a uma cadência de metralhadora por todas as redes sociais, criaram fake news, fizeram transmissões ao vivo no Facebook e no Youtube, incentivaram memes, alimentaram tweets, adubaram posts e deixaram o ser humano – e as suas necessidades primárias – fazer o resto.
Vivemos num mundo onde os grandes pilares de credibilidade estão a abanar com o vento: justiça, comunicação social, escola, política, ciência. Tudo isto é posto em causa. As redes sociais vieram criar uma comunidade irreal igualitária, onde todos podemos dar a nossa opinião e onde a nossa opinião – julgamos nós – conta. E não sabemos se isso merece, sequer, um like.
publicado na Bluesoft
#adormir
O Bolsonaro percebe a Democracia muito melhor do que qualquer adversário. Também o Trump. Também o Putin. Também o Hitler. E fizeram-na funcionar (em seu favor, claro, mas em Democracia). Nós não percebemos. E achamos que ela funciona sozinha e sempre em nosso favor. Errado.
Estamos a dormir o tempo inteiro, fazemos nada durante o sono e, quando acordamos a suar com discursos de ódio e sangue, insultamos o Bolsonaro, o Trump, o Putin e o Hitler e o “povo estúpido” que vota neles. Ah, e criamos hashtags.
Não tentamos perceber a razão para a existência do Bolsonaro, do Trump, do Putin, do Hitler ou de qualquer outro fascista eleito em Democracia. Não tentamos perceber o voto do “povo estúpido”. Não tentamos, sequer, perceber a razão por que apelidamos quem vota neles de “povo estúpido”. Não tentamos perceber o nosso sono. Não tentamos perceber nada. Ainda bem que agora estamos acordados, para vermos a merda que temos feito #adormir.
orgânica ou paga: o duelo
“Não há má publicidade. Toda a publicidade é boa publicidade”. Errado. Errado. Errado. Quem disse isto? Alguém que ficou conhecido por uma péssima publicidade que não teve nenhum efeito positivo nas vendas e que ficou, apenas, conhecida como, lá está, uma péssima publicidade.
Não há coisa como não haver má publicidade. Claro que há má publicidade. Há publicidade horrível. Agora, não se deixem levar pelos clichês e façam a coisa certa (como o Spike Lee, já diziam os Da Weasel).
Publicidade Online
Google AdWords, hard selling, publicidade online, anúncios de Facebook, tráfego pago, tráfego orgânico, marketing de conteúdo – tudo conceitos que navegam neste nosso mundo que, cada vez mais, é um mundo que está no mundo da Internet. Demasiados mundos? Talvez. Demasiada Internet? Certamente.
Hoje, todos estamos online. Quem não está online, não existe. Empresas ou marcas que não estejam online são empresas ou marcas que não existem. Portanto, hoje, a publicidade tem de estar online e tem de funcionar bem online.
Agora, como fazer bem publicidade online? A primeira coisa é conhecer o nosso público-alvo e saber convencê-lo a adquirir os nossos produtos, a ler os nossos artigos, a ouvir a nossa música, a fazer que ele faça o que nós queremos, mas sem ele dar por ela, sem ele pensar que fomos nós que o levámos a escolher. A ideia é ele pensar que foi ele que escolheu. Em certa medida, em grande medida, até foi.
O público-alvo, possível cliente, é que manda nisto. O cliente tem necessidades e a empresa tem de olhar para elas e arranjar formas (produtos, serviços, conteúdos) para as satisfazer. Até aqui, tudo certo. No entanto, há empresas que se baseiam nesta hierarquia de Maslow para cercar o cliente, sem sequer o deixarem respirar (se o objectivo for vender botijas de oxigénio, perfeito – mas não é).
Hoje em dia, vivemos numa Times Square gigante e constante que nos bombardeia os sentidos com todo o tipo de publicidade. De manhã à noite, tudo nos diz “deseja-me”, “compra-me”, “come-me”. E a maior parte das marcas que nos gritam isso nem se preocupa se fala muito alto ou não. A maior parte das marcas que nos gritam mostra claramente ao que vão: “olá, humano, isto é publicidade, tu vais sentir que precisas disto mais do que precisas daquilo e vais desejar, comprar e comer, caso contrário, não existes nesta vida”. Funciona, mas não é a melhor estratégia. Nem a que funciona melhor.
Publicidade Paga VS Publicidade Orgânica
Antes de mais, convém salientar que a criação de tráfego é o ponto essencial para que haja publicidade na Internet. Esse tráfego pode ser tráfego orgânico ou tráfego pago. Publicidade orgânica ou publicidade paga. Agora sim, vamos ao combate.
Num canto do ringue, com um custo elevado, tempo limitado e concorrência alta, está a publicidade paga! No outro canto do ringue, com mais confiança, mais credibilidade e uma elevada taxa de cliques, a publicidade orgânica! Senhoras e senhores, bem-vindos ao duelo da Publicidade na Internet.
Mas vamos lá a ter calma. Antes de começar o combate, convém ser justo e dizer que todos nós já amaldiçoámos a publicidade e já pensámos em mil e uma maneiras de acabar com ela. Bloquear publicidade está, provavelmente, no topo dos nossos desejos enquanto consumidores. E se já não nos bastava a publicidade offline – na televisão, na rádio, nos cartazes da rua, por aí –, ainda vem a publicidade na Internet. Um tipo vai ver como estão os ódios na rede social do Zuckerberg e lá vem um anúncio de Facebook. Depois, vai até ao Instagram para apreciar umas boas fotografias desta ou daquela e lá vem uma publicidade no Instagram.
Vai ao Youtube e leva com mais uma dose de anúncios. Levamos com tudo isso, mas a verdade é que continuamos a visitar o Facebook, o Instagram e o Youtube, e as pessoas/empresas que lá estão continuam a ganhar dinheiro online com publicidade.
Anúncios no Google, Anúncios no Facebook, Anúncios no Instagram, Anúncios no youtube, Anúncios em todo o lado!
A publicidade paga, quer seja anúncios no Google, publicidade no Facebook, publicidade no Instagram ou publicidade no Youtube, tem os seus pontos fortes – e convém estudar bem os pontos fortes do adversário antes de lutar com ele.
O primeiro é o seguinte: é mais fácil. Este é o ponto forte mais evidente. Mas também mais caro. Pay-Per-Click (PPC), Google Adwords, Facebook Ads, banners, links patrocinados, enfim, o leque é variado. Hoje em dia, há mil e uma maneiras de fazer publicidade, pagando. Há tutoriais de como patrocinar no Instagram, de como anunciar no Facebook, de como usar Google AdWords em nosso benefício, de como ganhar dinheiro online com publicidade… Tudo é possível com publicidade paga. Mas, como o próprio nome indica, tem uma desvantagem: paga-se.
Mas continuemos nas vantagens: eficiência temporal. Os anúncios podem ser programados para um determinado período de tempo. Os resultados são imediatos e facilmente analisados.
Terceiro ponto positivo: público definido. De acordo com palavras-chave e sem muito trabalho, podemos chegar ao público que pretendemos.
A grande desvantagem da publicidade paga continua a ser a forte tendência a cair no Hard Selling – um modelo de vendas bem old school, em que 40% do tempo é utilizado no fecho da venda e 30% na apresentação, num total de cerca de 70% do tempo disponível. Apenas os restantes 30% são aplicados na gestão de relacionamento com o cliente, tentando perceber o que ele quer, o que não quer, quais as suas necessidades. Desta forma, é muito mais difícil criar a tal confiança.
E a publicidade orgânica, o que vem a ser isso? Ora bem, a publicidade orgânica está no canto oposto da publicidade paga, uma vez que não possui qualquer custo directo. É, geralmente, conhecida no meio por Inbound Marketing, uma estratégia que procura conquistar clientes através da criação de conteúdo. Há uma conquista, não uma compra. Vamos lá a um exemplo banal do mundo da bola para percebermos melhor isto: o Leicester conquistou a Premier League, o Manchester City comprou-a. Quem está a par dos meandros da bola, não precisa de mais explicações.
Mas deixemos a bola e voltemos à Terra. Para que determinada empresa consiga resultados positivos com tráfego orgânico, é necessário investir em estratégias de Marketing de Conteúdo e de SEO (ver artigo).
Um dos pontos fortes da publicidade orgânica é a credibilidade: uma vez que o espaço é conquistado, pressupõe-se que o conteúdo tem qualidade. Isso gera confiança no (possível) cliente.
A autoridade é outro dos ganhos alcançados com a publicidade orgânica, fazendo com que o cliente olhe para a empresa como referência na matéria.
A interacção também aumenta, fomentando o engajamento dos consumidores, e levando a um claro aumento de leads qualificados.
Tudo muito bonito e tal, mas qual a escolha certa? Pois bem, talvez até possa haver um compromisso entre ambas: publicidade orgânica e publicidade paga. Combinando ambas as estratégias, é possível melhorar o alcance e optimizar a qualidade e o envolvimento do seu público, obtendo leads com resultados rentáveis.
Marketing de Conteúdo
Porém, escolha o caminho que escolher, uma coisa deve ter em mente: mais do que pagar para publicitar um produto, é preciso criar uma história para que o (futuro) cliente procure o produto sem saber que está a ser levado a isso. Ele não precisa (nem deveria) saber que está a ser envolvido numa teia do mal, em que a Senhora Empresa está a mexer os cordelinhos e a sacar notas e livros de cheque para o obrigar a ser cliente! A Senhora Empresa pode existir, com gato ao colo e tudo, mas tem de ser mais esperta e subtil nas suas manobras (nem sempre) malévolas.
A ideia, muito resumidamente, é ser um Master of Puppets na mesma, mas sem o (possível) cliente dar por isso. Se der, ele também não se vai chatear porque sabe que percorreu aquele caminho escolhido por ele, com as suas vontades e com os seus desejos. Foi conquistado. Depois é só juntar os trapinhos e fazer a coisa certa.
Na Bluesoft temos como objectivos aumentar a visibilidade, credibilidade e rentabilidade da sua marca, tornando inesquecível a experiência digital do seu público alvo.
publicado na Bluesoft
simone
“Simone, o Musical” deveria ser apenas “Simone”. Tudo o resto é acessório, clichê e fraco.
Não é musical porque as músicas não foram músicas graças às palavras que não se ouviam e às guitarras, ao piano e à bateria que quase se faziam ouvir mais do que o ridículo que se ouvia. Não é peça de teatro porque o teatro que há não o chega a ser, por tão primário de guião, tão mau revisteiro de representação e tão incoerente de cenário. Nem sequer é Simone porque Simone não é aquilo rodeado por aquilo que estava em palco. “Simone, o Musical” deveria ser apenas “Simone”. Só ela. Sem palavras vulgares, personagens vazias ou emoções mal amanhadas.
A única coisa que se aproxima do teatro em si é o que se diz antes de se pisar o palco e que, neste caso, reflecte, na perfeição, o que mais há neste “musical”: muita merda.
search engine: ao seo dispor
Pedimos desculpa pelo trocadilho. Apenas queríamos chamar a sua atenção para a importância do que vai ler. Antes de mais, se você chegou aqui, é porque nós alinhámos os astros para que isso acontecesse. Por astros, entenda SEO.
Significado de SEO: um astro
SEO não é Messi nem Ronaldo. Mas também consegue fazer magia.
SEO, ou Search Engine Optimization, é – além de um palavrão para quem não está dentro do marketing digital ou do desenvolvimento web – uma série de métodos de optimizar um site para que os motores de busca (Google, Yahoo, Bing, Ask, entre outros) entendam o seu conteúdo como relevante e o mostre primeiro aos seus usuários. É esse o significado de SEO. Simples. Nem precisou de ir ao Google pesquisar.
85% de toda a navegação na Internet começa nos motores de busca! E é aqui que começa a optimização SEO.
Estratégia de SEO: mexer os cordelinhos
Hoje somos todos influencers, bloggers e até Charlies, mas poucos sabemos usar o que somos (ou o que queremos ser) para ter relevância.
Há mais startups em Portugal do que portugueses. Também há mais startups em Portugal a desaparecerem do que portugueses. As startups são lindas, têm lindos chief executive officers e lindas senior creative content marketing digital experts, andam todas de bicicleta, são gourmet, vintage e retro-chiques.
De mão dada com estas startups, estão as palestras de iPhone e calças bege. Não há um único ser humano no planeta Portugal que já não esteja com a Web Summit pelo bigode. Toda a gente foi à Web Summit, toda a gente tirou fotografias na Web Summit, toda a gente opinou sobre a Web Summit, toda a gente escreveu sobre a Web Summit, toda a gente ouviu muito atentamente as palestras da Web Summit, toda a gente conheceu gente muito tecnológica e moderna na Web Summit, toda a gente bebeu um shot de Web Summit, toda a gente enfardou uma dose Extra Large de Web Summit. Fizeram-se talks, tiraram-se selfies e escreveram-se posts. Há até quem tenha participado num sunset qualquer no center of Lisboa com people so much tecnológica da Web Summit. Tudo aconteceu na Web Summit e tudo vai continuar a acontecer nas próximas Web Summits. Mas pouco se falou do que acontece, realmente, na Web. Se falou, as empresas não ouviram.
Pois bem, o que realmente interessa não é estar nas plataformas nem ir a palestras de copo de gin na mão. O que interessa é saber como estar e como tirar proveito disso. E isso faz-se com… rufem os tambores… conhecimentos de Search Engine Optimization ou, para os amigos, SEO (e pode ser com uma mini na mão, guarde lá os 15€ do copo balão com hortelã e gelo).
Querer ser influencer sem saber como influenciar ou ir a palestras sem saber ouvir é estar a construir a casa tecnológica pelo rooftop (é assim que se diz agora, não é?).
Para uma empresa ser vista não precisa de se ajoelhar num pareo virada de rabo para a fotografia. Para uma empresa ser vista – e, consequentemente, ter mais hipótese de vender os seus serviços -, tem de dizer as coisas certas, nos momentos certos. Mais ou menos como o Horatio Caine, no CSI: Miami. De forma eficaz e com estilo.
Com o objectivo de se tornarem uma referência digital no seu sector, muitas empresas deixam-se levar pelo investimento em pesquisa paga (publicidade). Nada de mais errado. A probabilidade de obter cliques por publicidade não ultrapassa os 6%!
Por sua vez, a estratégia de SEO é muito simples: gerar tráfego qualificado para o seu website, aumentando a rentabilidade e visibilidade orgânica da sua marca.
O SEO (Search Engine Optimization) reúne um conjunto de técnicas que facilitam a visualização das páginas de um website, através da optimização SEO nos motores de busca.
Estes entenderão o conteúdo da sua marca como relevante, posicionando-o no topo dos resultados orgânicos – mesmo ali na primeira página do Google. A vantagem é óbvia: maior visibilidade face à concorrência e, sobretudo, junto de potenciais novos clientes.
Empresas de SEO: como escolher? Nós escolhemos. Aliás, você escolheu
Sim, somos nós. A Bluesoft tem estado na linha da frente das empresas de SEO e tem colocado inúmeras marcas na pole position dos motores de busca.
O sucesso de uma estratégia de marketing digital requer, entre outros elementos, a criação de conteúdo relevante e a implementação de técnicas de SEO. A Bluesoft faz.
Se ninguém conhecer a sua marca, passará a conhecê-la. Quem já conhece, as keywords certeiras farão com que a conheçam melhor.
Não basta estar online. É preciso saber estar online. E a Bluesoft, enquanto reputada empresa de SEO, vai ajudá-lo nesse processo.
Lado a lado, a Bluesoft irá preparar a sua marca para a nova era digital. Com a matemática, com a estratégia de SEO, com a tecnologia e com os conteúdos, a sua empresa alcançará as posições cimeiras nos motores de pesquisa, optimizadas para a obtenção de resultados orgânicos.
É este o caminho do sucesso na Web. Abrimos-lhe o apetite? Pois bem, no mundo do marketing digital, pode escolher do hambúrguer gourmet ao cozido à portuguesa, do gin à cerveja fresquinha. A escolha é sempre SEOa (pedimos desculpa por mais um trocadilho, mas foi só mais uma maneira que arranjámos de escrever só mais uma vez SEO.
publicado na Bluesoft
as árvores morrem de pé
Vi o Ruy de Carvalho e a Manuela Maria. Vi o Carlos Paulo. Vi a Patrícia Resende. Vi todos eles e vi todos os que cada um deles é.
Devia haver cada um deles em cada um de nós. Devia haver teatro em cada teatro que cada um de nós é. Devia haver um teatro de família, a que fôssemos chamados regularmente para ver do nosso estado de saúde. Devia haver um INEM do teatro para quem se sentisse doente. Devia rezar-se ao teatro de cada vez que cada um de nós morresse. Devia tocar para dentro todas as manhãs para dizermos bom dia aos actores e nos sentarmos no nosso lugar atentos à aula de vida. Devia haver um teatro de embalar para nos adormecer todas as noites. Devia ser obrigatório bebermos um litro e meio de teatro todos os dias. Devia haver um banco alimentar contra a fome de quem não vai ao teatro, para ajudar quem não o tem. Devia cair teatro em vez de chuva. Devia brilhar teatro em vez de sol. Devia substituir-se o bom dia, o boa tarde e o boa noite por teatro, teatro e teatro. Devia deitar-se abaixo as paredes do teatro para que o teatro fosse a rua inteira. Devia haver baloiços de teatro e escorregas de teatro para as crianças. Devia jogar-se ao teatro nas mesas dos reformados. Devia ser teatro a maternidade e ser teatro o cemitério. As casas deviam passar a chamar-se camarins e os jardins boca de cena. Tudo o resto seria tábuas e adereços. A noite podia ser a cortina vermelha. O dia seria o resto. O lugar de cada um seria o lugar onde cada um estivesse. A peça era a que cada um quisesse. Mas tudo seria teatro. E havia silêncio e caos e sonho e dor e vida e morte e foda e nojo e riso e mar e céu e terra e cama e amor.
E havia teatro.
rip
Não me lembro de alguma vez em algum lugar ter morrido um filho da puta. Quem morre é sempre um génio, um homem de grande valor, uma grande mulher, uma personalidade ímpar, um ser humano fantástico, um ser dotado de uma inteligência brilhante, um jurista de grande gabarito, um cidadão do mundo, um nome cimeiro da cultura, uma mulher de convicções, uma voz livre da sociedade, um grande mestre da arte, um exemplo de vida, um amigo de coração gigante, qualquer coisa maravilhosa cuja morte se lamenta profundamente. Deixará saudades. O mundo fica mais pobre. E com mais filhos da puta. Se essa é condição para aqui ficar, gostaria de ser um. Não me parece muito proveitoso ser um génio na inexistência.
a minha geração
Sou da geração dos 1.000 euros, mas nunca ganhei mais de 800. Nunca estive nos quadros, estive perto, mandaram-me embora. Três contratos de seis meses, o clássico, és essencial, já não és, obrigado e bom dia. Fiz dezenas de formações e uma série de estágios, nunca tive – nem agora tenho – nem nunca terei – experiência suficiente para receber o que mereço receber. Mas trabalho, trabalho muito bem, trabalho melhor, não me baldo com baixas nem me levanto baixando-me. Tenho projectos do caralho, mas claro que não ganho nada com isso porque não são gourmet. Como sou da escrita, qualquer um pode fazer o meu trabalho, claro que pode, qualquer um escreve, mal, mas pouco importa. A verdade é que também ninguém lê. Lendo, saberia escrever e saberia entender o que se escreve. Vou a palco, mas óbvio que nunca lucrei com isso. Há dinheiro para o IGAC, dinheiro para a SPA, dinheiro para o Teatro, dinheiro para o produtor, dinheiro para o promotor, dinheiro para o fotógrafo, dinheiro para o técnico de som, dinheiro para o técnico de luz, dinheiro justo para quase todos, mas dinheiro injusto para mim. E o dinheiro dos bilhetes, que é pouco para mim, é sempre muito para quem quer assistir ao pobre artista no palco. Não arranjas uns bilhetes? Não arranjas uns textos? São só uns lugares. São só umas palavras. E eu não sou só isto. Mas cá me arranjo.
o meu gato
Há dias em que me apetece atirá-lo pela janela. Eu moro no sétimo andar. Há dias em que me apetece atirar-me pela janela. Ele mora no sétimo andar, comigo.
O meu gato faz muita merda. Adora cabos, sofás e cortinados. Morde-me as pernas e arranha-me os braços. Adora os atacadores das minhas sapatilhas e qualquer pedaço de tecido das minhas meias. Gosta de testar a gravidade com os meus livros. Envergonha-me no veterinário. É esquisito com a areia e com a água. Está, neste preciso momento, em cima do teclaijwodhreerioeoiore doftgddddjbhfgggt computadkhfdijjjj. Não me deixa fazer a cama em condições e larga pêlo em sítios cuja existência eu desconhecia. Fez-me ser sócio premium de todas as lavandarias de Lisboa. Pôs-me a dormir na sala para arejar o quarto. Fez-me gastar salários para ele ficar bem depois de operações, vacinas e pequenos cristais que lhe doíam horrores. Nunca se queixou. Apercebi-me. Talvez ele me tenha dito. Não sei, tenho quase a certeza. Não falamos a mesma língua, mas comunicamos. Ele não percebe patavina do que lhe digo – falo mais com ele do que com gente -, mas ele percebe tudo o que sinto quando lhe digo. Eu não faço ideia o que ele quer dizer com aqueles olhares e miares e palmadas de patinhas, mas sei exactamente o que ele sente quando me diz.
Ele brinca comigo sempre que eu chego a casa. Ronrona encaixado na concha que faço com as mãos e encosta-se à parede a pedir números de circo. Encosto o braço à parede e ele salta. Faz outra vez. Outra vez. E outra vez. Eu escondo-me e ele procura-me. Vou à cozinha e, quando volto, tenho cinco quilos e tal a abalroarem-me as pernas. Recompõe-se, foge e esconde-se debaixo da cama. Com a cauda de fora. Eu finjo que não o vejo e chamo por ele – que ridículo, ele não percebe, mas percebe perfeitamente, e ele brinca e eu brinco também, e somos felizes assim, que ridículo, quero ser ridículo sendo feliz e ser ridículo fazendo-o feliz. Sempre que vou à casa de banho, ele vai também. Ora espera por mim, ora espero por ele. Sai a correr e eu levanto-lhe a voz para tapar o que fez. Ele volta atrás e tapa o que fez. Sempre. Deita-se ao meu lado, ao fundo da cama, e adormece agarrado à minha perna. Mexo a perna e ele morde-me os dedos com aqueles dentinhos afiados pelo diabo. Quero atirá-lo pela janela. Levanto a voz e pára. Lambe como que beijando. Encosta-se mais e adormece. Ressona e mexe-se muito. Acordo com a língua dele no meu nariz. Ronrona-me no peito e o meu peito ronrona também. Fica especado a ver-me tomar banho e mia desalmado sempre que abro uma lata de atum. Vai para a janela ver as pombas e as pessoas. Faz muito bem de bibelô em frente à televisão.
O meu gato passa muito tempo sozinho e eu sozinho sem ele. Isto da solidão com saudade é uma merda também, mas ele faz sempre questão de me dizer, não dizendo, que me ama sempre que me vê. Eu digo o mesmo e ele ouve, eu digo-lhe que já venho e que se porte bem e ele ouve sempre. E responde. Não faço ideia o quê, mas responde.
Ele não faz anos hoje nem há hoje dia do gato ou do animal. Também não morreu – o elogio não é obrigatório apenas quando se morre. Ele existe comigo e isso basta-me para que lhe escreva coisas que ele, não percebendo, ouve todos os dias. Continuo no sétimo andar. Ele faz-me continuar.
antes o poço da morte
Fora a crença, presente ou não. Sejamos a pessoa doente que está no poço da morte (sofrendo, sem cura). Não há volta a dar. A volta é só a que vai. Não volta. E essa volta custa-me a mim, pessoa que sou neste exercício da imaginação que não está livre de ser da realidade.
Custa-me a mim, dói-me a mim, e a única recompensa – que nunca irei sentir, é um facto – é a ausência dessa dor. E não sentir não será melhor do que sentir isto que não me deixa sentir outra coisa, nunca mais?
Quem está fora da cama, desse lado onde se discute a minha vida – que é, também, a minha morte -, quer ver-me a não morrer ou a não sofrer? A primeira afecta quem me vê, quem está fora da cama, quem, eventualmente, sofre pela minha morte, não eu. A segunda afecta-me a mim. E é aqui que está a discussão certa. Em mim, não em vocês.
Eu, que estou neste poço da morte (sofrendo, sem cura), tenho a vontade de não sofrer e a recompensa de não viver com ele. Se a morte é a solução, que seja e que seja a minha, e não a de quem não suporta a ideia a que vem amarrada a suposta culpa de me ver morrer.
Não há culpa, isso não é culpa, é egoísmo. A verdadeira morte é esta que me existe enquanto vou sofrendo sem qualquer possibilidade de não voltar a sofrer.
E não trago ninguém comigo, não se preocupem. Comigo, como eu vou, vai quem quer. Quem não quer vir, quem quer continuar a sofrer, pode ficar. Não é minha vontade decidir pelos outros. Não seja a vossa decidir por mim.
quase normal
Quase Normal é uma peça de teatro musical que não chega a ser quase peça de teatro nem quase musical.
Quase Normal é algo – não sei bem o quê – que faz com que olhemos para os actores como quase actores. Quase Normal fala de bipolaridade e de esquizofrenia, diz na apresentação. Na verdade – na sofrível e disparatada verdade da existência desta “peça” – Quase Normal pouco fala, muito canta, nada diz. Diz-se-lhes os nomes, chora-se muito, ri-se muito, há espalhafato e clichês que nem são nossos, mas tudo o que diz é verniz e ignorância num palco que deveria ser pisado para se fazer e mostrar arte. Nem chega a ser quase arte. É quase uma merda. Quase – nem ascende a tal.
Há presença ridícula em palco e vergonha alheia na plateia. As interpretações são assustadoras de tão vulgares e a adaptação do guião é angustiante de tão medíocre. Os momentos musicais deveriam ser condenados à cadeia – é crime tratar a música e a língua portuguesa desta forma.
Quase Normal está em cena, no Teatro da Trindade, a ocupar o espaço da arte. E a embaraçar o público que vai convencido de que, pelo menos, isto possa ser quase razoável. O problema é que nem chega a ser quase merda.
é nome de rui patrício
Choraste e eu, não chorando, chorei contigo. Não pelos golos que sofreste, que até aplaudi. Perdeste, queria que perdesses, é a rivalidade, desculpa, também é ela que nos faz andar nisto da bola e da vida. Só por isso.
Mas choraste e eu, não chorando, tendo até sorrido por cada golo que sofreste, chorei contigo. E nem sequer foram os golos que te fizeram sofrer dessa maneira. Que se fodam os golos, foram – das coisas mais importantes das menos importantes da vida – apenas golos.
Sofreste, e ainda sofres, por não haver o respeito das palavras, dos gestos, das atitudes e de tudo o mais daqueles a quem deste sempre mais. Não a todos, que a maioria está contigo e não te deixa chorar por ela, mas a de alguns que, cegos de raiva e de ingratidão, batem e cospem em quem lhes deu pontos e sonhos e voos e, acima de tudo, coração.
Os homens não choram e tu choraste. Já sabia que eras mais do que homem. Pisámos o pelado do Marrazes, vestimos de negro. Só isso seria suficiente para seres mais do que homem. Mas sempre continuaste aquele puto que não era um Maradona a lateral esquerdo, mas que era um Rui Patricio à baliza. E Rui Patrício não é nome de homem. É nome de Rui Patrício. É nome de capitão. É nome de líder. É nome de quem dá pontos e sonhos e voos e, acima de tudo, coração.
Choraste e eu, não chorando, chorei contigo. És mais do que meu amigo. Sempre que chorares, és meu irmão.
bob dylan
Não foi desilusão porque a ilusão não havia. Bob Dylan foi Bob Dylan. Apagado, chocho, fechado, autista, antisocial, músico e merdas. Disse, apenas, as palavras das músicas. Nem mais ai nem menos ui. Não que devesse ter dito, feito ou sido. Foi um palco e uns instrumentos com voz. Não foi mais nada. Muito menos arte. Foi, até, o reforço da sua ausência. O cd tocava ao fundo, com um som digno de nada, e as pessoas bocejavam e adormeciam e acordavam e bocejavam e adormeciam e acordavam – e bem e bem e bem e bem e bem e bem – e aplaudiam, não pela música bem tocada, mas por a música ter chegado ao fim – e muito bem! Não foi desilusão, já estava à espera de que fosse uma merda.
nem a certeza
Nem a certeza de não saber
eu tenho.
E, não a tendo,
não duvido, duvidando.
Não a digo, dizendo.
E só, só pensando
(ou lembrando o que já pensei),
duvido do caminho que, pisando,
me vai, da vida, levando
até perto do que não sei.
do caralho
O Jonas é um jogador do caralho. O Samaris é um jogador da piça. E nem sequer estou a discutir futebol, estou a discutir palavras. Neste caso, caralho e piça. São sinónimas, referem-se ambas ao mesmo, mas dizem coisas completamente diferentes. Aliás, na verdade, nem se aproximam do que querem dizer. E isso é bonito. É uma espécie de emancipação linguística.
Há o pénis e, do pénis, nasce o caralho e a piça e, do caralho e da piça, nasce o magnífico e o medíocre. Nascem as palavras e nascemos nós. Do caralho.
actores
Eles são eles e outros e eles outra vez, nunca deixando de ser quem são: pessoas e actores. Nós somos constantemente nós e outros, pela repetida dúvida que nos inquieta o entendimento. Há teatro e não há, assumindo que é possível desligar o teatro da vida. Não é. Mas eles fazem-nos crer que sim. E depois que não. Dúvida, coisa maravilhosa nisto do teatro. Da vida.
a ilusão da despedida
Acabou um ano e começou outro. E, sempre que isso acontece, dizemos adeus e pedimos desejos. É fatal. E mentira.
Dissemos adeus a 2017, com balanços e listas do que nele aconteceu, do que vivemos com ele, das coisas boas, das coisas más, das coisas assim-assim. Porém, esses balanços e listas mais não são do que artimanhas que usamos para nos dar a ilusão de uma conclusão, de um fim. Arrumamos situações, factos, emoções nas respectivas listas, e, pronto, estão feitas as despedidas. Tudo arrumadinho, foi bom ou mau, adeus.
Só que não. Não está tudo arrumadinho porque não nos despedimos de verdade. Não daquilo que nos foi relevante. Culpa da memória. Raramente nos despedimos porque é quase impossível nos esquecermos do que nos foi (e continua a ser) importante. A despedida só é se a memória deixar de ser. E a memória não é coisa que deixe de ser de um dia para o outro.
Da mesma forma que os desejos que pedimos nesta altura de pouco nos valem para o ano que começa. Tudo o que pedimos nas passas que engolimos mais não são do que ilusões que nos obrigamos a tomar para conseguirmos lidar com as ilusões que nos são as despedidas. Desejamos isto, aquilo e aqueloutro, quando há outros istos, aquilos e aqueloutros que nos existem e que nós teimámos em (mal) arrumar.
Não pode ser o calendário a marcar o relógio que temos dentro. Não deve, não pode, deveria ser proibido haver um momento estipulado para nos despedirmos e pedir desejos. Não faz nem é, nunca é, sentido. Não é por ser 31 de Dezembro que tudo vai para o lixo, nem por ser 1 de Janeiro que tudo é comprado por estrear. Mas é o que tendemos a fazer (cortando a eito, cavando o nosso próprio fosso).
Apressamos a realidade e nem damos tempo às despedidas nem espaço aos desejos. É por isso que, nesta altura, nem umas nem outros são reais. Umas e outros são bem mais do que fazer listas e engolir passas. Dizer adeus e desejar é o que fazemos durante a vida inteira. Mas sem datas marcadas, que isso faz dela tudo, menos verdadeira.
no dia seguinte, morreu
Na noite de Natal, ninguém sofre de frio nem de saudade. Na noite de Natal, ninguém sofre de fome nem de solidão. Na noite de Natal, ninguém sofre nem morre. Aqui jaz quem não faz falta no dia seguinte.
Aqui jaz um sem-abrigo. Não se lhe sabe o nome nem se lhe conhece família. Na noite de Natal, abriram-lhe os portões para uma refeição quente e uma noite tranquila. Apareceu na televisão. Agora, aparece no chão. O seu corpo será velado por ninguém porque os portões fecharam depois da ceia e as casas de cartão não dão audiência.
Aqui jaz um animal. Ou o que resta dele, no que resta da berma da estrada. Na noite de Natal, recebeu o quente de quem o queria para aquecer os pés e o ego. Apareceu no Facebook e no Instagram. Agora, aparece na caixa aberta da carrinha da junta de freguesia. Questão de saúde pública. O seu corpo será velado apenas se for feito scroll.
Aqui jaz uma velha. Morreu como viveu desde que lhe foi o marido. Sozinha. Na noite de Natal, abriu a porta para a companhia de voluntárias que lhe aqueceram a casa e a solidão. Apareceu no jornal. Agora, nem no café aparece. Não sai de casa desde esse dia porque ninguém lhe toca à campainha para saber, sequer, se ela está lá. O seu corpo será velado quando o cheiro chegar à casa dos vizinhos.
o poeta
O poeta é um sofredor,
sofre tão completamente
que chega a sofrer de amor
escrevendo aquilo que sente.
E os que pensam não ser verdade
o que ele está a transmitir
desconhecem a dualidade
que há no escrever-sentir.
E, assim, a roçar a dor,
viaja de mão em mão
a caneta do escritor
e o papel do coração.
culpa de ninguém
Era tão boa culpa, pena ter morrido sozinha. Tancos, incêndios, legionella, Raríssimas. Em Portugal, morre a culpa, sempre a culpa, sempre só.
São estes os mais recentes casos em que a culpa foi de todos e vai acabar por ser de ninguém. Foi do Exército, do Governo, do clima, das populações, do SIRESP, do hospital, dos partidos, do ministro, da directora, dos associados, de nós todos. No fim, quando tudo acabar, a culpa, que ainda anda aos caídos presa àquele e presa àquela, acabará, como manda a nossa tradição, por morrer presa a nada.
Talvez seja o espelho da personalidade de um povo que, assim que descobre injustiça, cerra os dentes, cria petições, fecha os punhos, faz manifestações, sai à rua, grita, denuncia. No entanto, passada essa excitaçãozinha inicial, vem a realidade que nos é habitual, e a culpa lá se vai esquecendo e diluindo e apagando, até que morre. Só. De ninguém.
rip famoso que era um génio
É com extremo pesar que se anuncia a morte de um famoso. Pelos serviços prestados ao país e ao mundo, o famoso será sepultado com honras de Estado em todas as redes sociais e será lembrado por toda a gente como um génio na sua área
Todos lembram os bons momentos que passaram com ele e os ensinamentos que ele teve a bondade e o altruísmo de lhes transmitir. Todos escrevem frases tristes. Todos publicam emojis com lágrimas. Todos vomitam RIP.
“O mundo está mais pobre”, “O céu ganhou uma estrela”, “Até sempre, meu amor”, “Perdi um amigo”, “Descansa em paz”, “A vida é tão injusta” são as mais usadas. As razões para tal são complexas: pela sua imensa profundidade dramática e pelo facto de servirem para qualquer pessoa — na verdade, até para quem não é famoso (mas, sendo, o prestígio de quem as escreve aumenta — e o número de likes também).
O mundo fica sempre mais pobre, o céu ganha sempre uma estrela, ele é sempre amor até sempre, perdemos sempre um amigo, ele descansa sempre em paz e a vida é sempre tão injusta. Sempre, só que nunca.
Hoje, o famoso deixa de ser e a nossa vida continua. A dele não. Morto, chorado e enterrado, o que vai sempre acaba e o que fica sempre acaba por esquecer.
[artigo publicado no jornal público a 29 de novembro de 2017]
mundo distante
“Mundo Distante” está tão perto que nos chega a incomodar. Esta peça, escrita pelo meu amigo Nuno Costa Santos e interpretada pelo Eduardo Frazão e pelo Manuel Coelho é, essencialmente, realidade. É quase afronta ao teatro, à representação, ao ensaio, à invenção. É realidade, ponto final. E a realidade tem silêncios e asneiras e palavras e coisas inteiras que se arrastam entre as pessoas, tem internet e desemprego e poesia e muito pouco aconchego. Teatro que é realidade que não é teatro. É o que é.
a morte do artista
Kevin Spacey, Terry Richardson, Louis CK. Morre o artista, não morre a arte.
Por vezes, a morte é mais morte se não for literal. Kevin Spacey, não morrendo, morreu para o que fazia. Foi afastado da série House of Cards, despedido da Netflix, viu cancelada a sua homenagem nos Grammy e também a sua participação no filme Gore, já em pós-produção. Além disso – pior do que isso – tem o seu nome na lama da praça pública.
Mas, morrendo Kevin Spacey, não morre Francis Underwood (House of Cards), não morre Prot (K-Pax), não morre Lester Burnham (American Beauty) nem morre Verbal (The Usual Suspects). Morre o artista, não morre a arte.
Terry Richardson, outro artista que morreu por não ter sido humano. Morreu para a arte, mas não lhe morreu a arte. Foi afastado da Vogue e impedido de trabalhar na GQ, Vanity Fair e outras conceituadas revistas do grupo Condé Nast. Além disso, qualquer trabalho de Terry que ainda não tenha sido publicado, muito provavelmente não será.
Mas, morrendo Terry Richardson, não morrem as icónicas fotografias que tirou a Miley Cyrus, Jared Leto, Macaulay Culkin ou Beyoncé. Morre o artista, não morre a arte.
Louis CK, mais um grande em arte que foi pequeno em humanidade. Morreu para a arte de fazer rir, mas não lhe morreu a persona que nos faz, de facto, rir. E pensar. Consequências? Viu a estreia do seu novo filme, I Love You, Daddy, adiada indefinidamente e os seus especiais para o Netflix foram cancelados.
Mas, morrendo Louis CK, não morrem as suas análises pormenorizadas e carregadinhas de sarcasmo e pontaria dos pormenores da vida, não morre o Louie, não morre o Hilarious nem morre o Oh My God.
Kevin Spacey, Terry Richardson e Louis CK, três corpos que serão velados enquanto lhes existirem os corpos. Foram eles, os corpos, que fizeram deles artistas, mas também foram eles, os corpos, que lhes puseram um fim. As almas, essas, estão destruídas. Resta-lhes (resta-nos) a sua arte.
aqui jaz quem não interessa
Entre 17 de Agosto de 2017, data do ataque terrorista em Barcelona, e 31 de Outubro de 2017, data do ataque terrorista em Nova Iorque, houve 183 ataques terroristas em todo o mundo, 147 com vítimas mortais.
Em Barcelona, morreram 16 pessoas. Em Nova Iorque, morreram oito. Em todas as cidades que não interessam – porque pouco ou nada se falou delas, morreram 1353 pessoas. Mil trezentas e cinquenta e três.
Entre Barcelona e Nova Iorque, houve ataques terroristas (com mortos que não interessam – porque pouco ou nada se falou deles) em Arauca, Riosucio, Bujumbura, Semdinli, Mindanao, Djibo, Bagdade, Latakia, Península do Sinai, Gashua, Damasco, Samarra, Maluso, Turku, Acayucan, Maiduguri, Waddan, Lashkar Gah, Al Anbar, Kousséri, Cabul, Timbuktu, Kirkuk, Tall’Afar, Helmand, Mogadíscio, Khasavyurt, Kaspiysk, Dar’a, Sirnak, Ekeremor, Lice, Mandera, Jalalabad, Hamah, Dikwa, Lamu, Sirte, Tiaret, Karachi, Cukurca, Kismayo, Najaf, Kidal, Hakkari, Tegucigalpa, Srinagar, Ngala, Baidoa, Bingol, Siirt, Anantnag, Jos, Ramadi, Beledweyne, Arish, Mazar-e Sharif, Miraflores, Nasiriyah, Yala, Candaar, Deir ez-Zur, Ghormach, Mossul, Qamishli, Chamam, Trai, Tambopata, Yenagoa, Kanker, Agri, As Salamiyah, Chihuahua, Kano, Ar Raqqah, Al Haqlaniyah, Legaspi, Misratah, Yuksekova, Diyarbakir, Jeddah, Beni, Quetta, Mombaça, Ghazni, Gardez, Kiev, Manama e Banki. Também houve em Las Vegas. 58 mortos. Mas o terrorista foi um homem branco e norte-americano. Por essa óbvia razão, “não foi terrorismo, foi demência”, disse Trump.
O cortejo fúnebre vai decorrendo, assim, por aquela parte do mundo que não interessa – porque não é a Europa nem os Estados Unidos da América –, num ruído que mal nos chega, porque deste lado achamos que aqueles mortos nunca sequer foram vivos. E hoje, dia 2 de Novembro de 2017, é o dia deles. Ou será o nosso?
web summiu, é com tristeza
É com tristeza que se lamenta a morte da tecnologia em Portugal. A última vez que foi vista com vida foi esta quinta-feira, dia 9 de Novembro, na zona do Parque das Nações, em Lisboa.
O funeral será realizado em local e data a anunciar, logo assim que se obtiver a certidão de óbito, com um prazo de emissão a depender de cada conservatória. Em média, 15 dias úteis, contados a partir do pagamento da taxa de emissão do documento.
Esta mudança de morada (da vida para a morte) seguirá o seu percurso habitual, sendo necessário ir à Loja do Cidadão às 6h para conseguir senha que permitirá ser atendido às 11h no primeiro departamento, o das Finanças. Segue-se o departamento da Segurança Social, o da Água, o da Electricidade, o do Gás, o da Televisão e o da Internet. Pelas 18h, o pedido de mudança de morada já terá entrado no sistema.
De esperar que o percurso entre a igreja e o cemitério não sofra qualquer percalço a nível de trânsito. Se houver acidente, haverá uma catrefada de papéis a preencher, em duplicado e com uma caneta. Se a carrinha funerária estacionar em sítio indevido, será necessário ligar para a EMEL, ficar em lista de espera, desesperar, desligar, fazer o download da app, abrir a app, ver que a app não funciona, fechar a app, voltar a ligar para a EMEL, voltar a ficar em lista de espera, voltar a desesperar e por aí fora.
Em princípio, o funeral não será realizado em dia de eleições. No entanto, se isso acontecer, o mais provável é haver pouca gente nesta última homenagem à vítima, visto que só é possível votar num único sítio e de uma única forma, no local da sua residência e rabiscando um papel.
Rezemos, ainda, para que o tempo ajude. As previsões meteorológicas apontam para temperaturas que raramente se verificam. Rezar, não sendo, parece ser a única solução.
A quem não possa estar presente no funeral e pretenda colmatar a sua ausência com um donativo monetário, poderá fazer transferência bancária, mas só de segunda a sexta-feira, até às 15h.
Qualquer informação adicional será comunicada no prazo máximo de 30 dias úteis. Por carta.
o mês da morte de 2017
Tinha uma vida inteira pela frente. Partiu cedo demais. Paz à sua alma. O corpo, porém, continua por cá, vegetando pelos corredores dos dias.
É a alma que interessa nisto da vida, nada mais, e é por isso que se declara, em pleno mês de Outubro, o fim de 2017, malogrado ano comum do calendário gregoriano.
2017 morreu porque Portugal viajou no tempo. E tempo é coisa que nos falta.
No Porto, mais especificamente no Tribunal da Relação, houve um regresso ao ano de 1886. Foi no Código Penal desse ano que os juízes se basearam para justificar a violência doméstica de que uma mulher foi alvo, após ter traído o marido. Houve um outro regresso, no mesmo acórdão, aos tempos idos descritos no Antigo Testamento. Sim, a Bíblia também foi consultada para tomar uma decisão jurídica. Morreu 2017 e morrem dezenas de mulheres às mãos (fechadas) da violência doméstica, todos os anos em Portugal.
Em Leiria, Portugal regressou ao século XII, quando ainda não havia Pinhal do Rei. Culpem-se os incendiários, o governo, o SIRESP e os eucaliptos. Morreu 2017 e morreram 700 anos de fauna, flora e História.
Em Lisboa, a viagem temporal não foi ao passado, mas sim ao futuro, um não muito longínquo (nem melhor), 2050, por aí, onde as máquinas ocupam os lugares dos seres humanos fazendo, entre outras coisas, discursos desprovidos de humanidade e empatia. A máquina chama-se António Costa e, nas suas palavras/códigos binários sobre a tragédia das chamas, demonstrou a sensibilidade de um sistema operativo. Morreu 2017 e morreu gente que não foi protegida pelo Estado. Viagem ao futuro ou ao passado?
O cortejo fúnebre do corpo fará o seu percurso até ao dia 31 de Dezembro, voltando a sofrer, com toda a certeza, alguns desvios temporais. A alma, essa, morreu este mês. Enquanto isso, nós aguardamos, sem alma e com expectativa, que ano nos trará o dia 1 de Janeiro. E cá vamos vivendo, sem tempo.
portugal em câmara-ardente
É com profundo pesar que se lamenta o falecimento de Portugal. O seu corpo estará em câmara-ardente em todas as capelas mortuárias frequentadas pelas gentes que, impotentes, viram o fogo comer-lhes a vida.
Todos os anos, Portugal falece. Todos os anos, Portugal renasce. E é deste jeito ciclicamente moribundo que Portugal existe — ou melhor, que vai existindo (querido gerúndio que diz tanto de nós — é cá, mais do que em qualquer outra terra do globo, que se vai existindo, que se vai andando, que se vai fazendo, até morrendo). Não é, portanto, de estranhar, que Portugal tenha sido (vá sendo) vítima desta doença prolongada.
A missa de corpo presente terá (vai tendo) lugar em todas as igrejas do território, no entanto, de nada irá valer se as orações ficarem pelas orações, caindo — como sempre caem — no saco vazio das boas intenções.
Informa-se (vai-se informando) todos os que pretendam prestar as suas homenagens que o façam através dos livros de condolências existentes nos órgãos de comunicação social e nas redes sociais, com poses tristes, gravatas negras, fotografias fortes, olhos vermelhos, palavras mecânicas, hashtags e soluções fáceis para combater este constante falecimento.
A família enlutada cumpre (vai cumprindo) a dolorosa obrigação repetitiva do luto, chorando agora em directo e sendo esquecida depois. E é esquecendo que o país se repete.
Fica a saudade. Vai ficando.
a minha tia carminda
A minha tia Carminda foi a mulher triste mais alegre que eu conheci. Viu morrer-lhe pessoas que lhe nasceram, outras que a viram nascer, tantas que cresceram com ela, muitas que ela ajudou a crescer, todas de sangue próximo. Longe, nada. Tudo lhe aconteceu dentro, como as lágrimas que guardava só para ela – só podia guardar, nunca as vi na sua pele fim de tarde desde sempre, sendo o sempre só o pouco que eu recordo. Mas não se pode guardar tudo o que se tem por não se ter, por isso, ela só podia chorar sozinha, era a única forma que tinha de chorar sem mostrar. A tristeza não é fraca para ficar só no destruído quentinho do peito. Tem de cair dos olhos e mostrar aos outros que se sofre e que se é triste. Ela nunca mostrou nada disso, sentimentos demasiado imensos que ela tratava lá como bem entendia, com os ares do campo e com as fés do deus. Connosco, os que lhe dizem adeus e os que não conseguiram dizer, sempre sorriu e sempre brincou. E nós, pobres tristes afundados em depressões de emprego ou de amores passageiros, sorríamos e brincávamos. Fracas dores as nossas para a ternura e alegria que nasciam das dores dela. A minha tia Carminda foi a mulher triste mais alegre que eu conheci. Talvez por isso, agora, a tristeza seja mais triste um bocadinho.
temos de falar sobre o papa
“A ciência é muito clara sobre as alterações climáticas. Quem as nega, será julgado pela História.” Há duas conclusões a tirar desta declaração do Papa Francisco. A primeira: ele tem razão. A segunda: ele está na cadeira errada.
As alterações climáticas são reais e estão a deixar-nos à beirinha da extinção. É verdade. Mas também é verdade que ter o Papa do lado da ciência vai contra o livro de estilo da igreja católica. Não faz sentido o seu líder basear a sua opinião na ciência. É uma contradição, valha-me deus (tal como esta, vinda de um ateu praticante).
“A religião é o ópio do povo”, dizia Hegel, na introdução de uma das suas obras. Eu digo o mesmo, mesmo não sendo Hegel, mesmo sendo povo. Qualquer que seja a religião, é baseada em invenção, suposição, mentira. Os factos estão do lado da ciência.
No entanto, neste mundo dominado pela ciência, é um homem da religião que a vem defender. Não um homem qualquer, o líder. Enquanto o “líder do mundo livre” nega os factos, o “líder do mundo imaginário” alerta para eles. E não apenas factos científicos. Se o Papa condena o racismo, Trump incentiva-o; se o Papa recomenda que a igreja acolha os homossexuais sem os julgar, Trump repele o casamento gay. Nestes e noutros temas, tanto o Papa como Trump parecem defender o oposto do que as suas “pátrias” defendem (ficariam tão melhor se trocassem de cadeiras).
Não deixa de ser curiosa esta troca de papéis num mundo cada vez mais dominado pela ciência. É ela quem tem a bola, mas quem parece controlar o jogo é o irracionalismo, o medo, o preconceito, a ignorância. O líder do mundo tecnológico controla, cuspindo fogo; o líder do mundo fantástico joga de vez em quando, usando os neurónios.
O Papa Francisco deveria ser o vilão. Mas não é fácil odiá-lo (como devem ser odiados os vilões). É fácil odiar o Bin Laden, o Frankenstein e o Scar. É fácil odiar o Rei Claudius, o Kim Jong-Un e a Cersei Lannister. Até era fácil odiar o Papa Bento XVI — um líder perfeitamente representativo da igreja que liderava. Não é fácil, porém, odiar o Papa Francisco. Porque, mesmo representando o lado da religião, é um líder bom, simpático, ponderado, compreensivo, amável, tolerante e, essencialmente, humano.
Humanidade, venha ela de que lado vier, talvez seja o que nos esteja em falta. Não para que se encontre quem odiar, mas para que continue a haver História. Sem julgamentos. Mesmo com papéis trocados.
ninguém morre de cancro
“Há que dizer-se das coisas / o somenos que elas são. / Se for um copo é um copo / se for um cão é um cão”. Menos se for um cancro, Ary. Nesse caso, é uma doença prolongada.
Em Portugal, não se morre de cancro. Morre-se de “doença prolongada”. Porque dizer cancro é dizer realidade e a realidade aleija muito. E ninguém se quer aleijar.
“Morreu vítima de doença prolongada”, ouve-se e lê-se nos órgãos de comunicação social. João, Fátima, Henrique, o nome é irrelevante, a doença não. Mas parece ser, já que não se diz qual é. Talvez seja essa a ideia, não dizer “cancro” para que o cancro não nos possa ouvir e esquecer-se de nós, desaparecer e deixar-nos tranquilos – e vivos – na nossa vidinha.
Para isso, refugiamo-nos na “doença prolongada”. O eufemismo faz parte do vocabulário de uma língua e usamo-lo como mecanismo de suavizar uma palavra ou expressão que possa ser desagradável. “Se sentimos necessidade de usar eufemismos para falar da morte é porque, na cultura a que pertencemos, evitar a palavra é um sinal de respeito pela dor do nosso interlocutor dos falecidos”, diz o lexicólogo e professor João Paulo Silvestre. Certo. Mas defendo o contrário, e pela mesma razão.
Dizer “doença prolongada” não respeita, funciona como um cobertor de coisa vaga que relativiza a sua importância, que atenua a realidade e que coloca a vítima no biombo do indefinido.
Há pudor nos órgãos de comunicação social que não os deixa dizer que o João, a Fátima ou o Henrique morreram de cancro. E há ironia nesse pudor. Abre-se o telejornal com a vítima da doença prolongada e continua-se o telejornal com a imagem de uma criança lavada em sangue por um bombardeamento na Síria.
Parece uma história de crianças, esta que nos contam diariamente, ao apresentar- nos o cancro como uma espécie de Voldemort, “aquele cujo nome não deve ser pronunciado”. Mas negar o nome é como negar a doença. Não dizendo, não a faz desaparecer. Dizendo, não a multiplica. E, das duas, uma: escondemo-nos no eufemismo ou encaramos a realidade. E a realidade é que, na vida, não há magia.
a repetição do conforto
“Nada é mais certo neste mundo do que a morte e os impostos”. A frase é de Benjamin Franklin e vem provar algo de muito evidente: Benjamin Franklin nunca esteve em Portugal. Cá, há duas coisas mais certas do que a morte e os impostos: os incêndios e as cheias.
E, com essa certeza, vem outra: a de que vai continuar a haver portugueses especialistas nos incêndios e nas cheias.
Este ano, os incêndios atacaram o nosso país de forma dramática. Infelizmente, há deles que continuam e outros que talvez venham a atacar. No entanto, esta semana, choveu. Muito. Especialmente em Lisboa, provocando cheias. E claro que este contraste tão temporalmente próximo veio pôr a nu uma das mais vincadas características dos portugueses: o refilanço. Mas fundamentado, claro, sempre fundamentado.
Claro que isto não é exclusivo dos portugueses, mas a nossa queda para o fado e para o drama dá outra graça (e tragédia — que estes andam sempre de mão dada) a isto.
As razões são simples, dizemos nós: incêndios “porque as matas não são limpas” e “porque a floresta foi mal plantada”. Cheias “porque os esgotos estão entupidos” e “porque as ruas estão mal feitas”. Soluções? Mais simples ainda. Para os incêndios: “pôr os militares a limpar as matas” e “responsabilizar os proprietários”. Para as cheias: “obrigar as pessoas a limpar as ruas” e “controlar as barragens”.
Todos os anos, desde o ano de 1143, que Portugal tem incêndios e tem cheias. Não tinha antes porque antes não havia Portugal. E todos os anos, desde esse ano, que há portugueses a elaborarem teses de doutoramento do bitaite sobre os incêndios e sobre as cheias.
Temos todas as razões e soluções na ponta da língua, quase como se já estivessem engatilhadas desde o último evento deste tipo. Depois, é só disparar. E andamos neste círculo vicioso, nesta lenga-lenga de crítica, que nunca muda e que nunca faz mudar.
Mas talvez seja essa a nossa vontade. Que nunca mude. Quase como se precisássemos dos incêndios e das cheias para podermos mostrar que sabemos por que razão acontecem e qual a solução para que deixem de acontecer.
Mas será mesmo (só) isto? Ou estaremos reféns destes eventos por nos darem o conforto da sua previsibilidade? Falar de incêndios e de cheias em Portugal é quase como falar do jogo da nossa equipa. Sabemos tudo. Quem marca os livres, quem põe o fogo e quem entope os esgotos. Golo.
Sair do conforto é que não. Esmiuçar os incêndios e as cheias, sim, por favor, todos os anos. Sabemo-los de cor. Discutir, de forma constante, qualquer outro tema que nos coloque fora de pé é que já não dá jeito. As nossas opiniões repetem-se a cada ano não porque a História se repete, mas porque nós repetimos a História.
Opinar sobre os incêndios e sobre as cheias poderá ser uma espécie de tapar o sol (e a chuva) com a peneira da nossa falta de conversa e de coragem. Evitando silêncios que nos embaraçam e disparando conversas repetitivas que nos tornam seres humanos repetitivos. E, para isto da repetição, já nos bastam os impostos. E a morte.
o desenho do shéu
O Shéu fez-me um desenho. Foi em 1998, num convívio da casa do Benfica de Leiria, e o desenho que o Shéu me fez é o que mais me desenha a lembrança.
O pai do Mário foi buscar-nos a um jantar do SCLMarrazes, o meu negro clube onde jogava eu e o Mário. Éramos putos, eu tinha 13 anos. Hesitei em ir, por vergonha de estar com os maiores, mas a amizade pelo Mário e o sorriso do pai do Mário lá me levaram com eles. Era noite e havia pirilampos lá fora, no jardim. Lá dentro, no restaurante, havia estrelas. José Augusto, António Simões, Bento, Mário Wilson, Shéu, Veloso. Ficámos sentados junto do José Augusto e do Shéu. José Augusto, o bicampeão europeu, Shéu, o pés de veludo. Havia mais luz do que no jardim e eu não sabia o que fazer, não sabia para onde olhar, não sabia nada. Sabia, apenas, que estava junto de duas lendas que nunca tinha visto jogar ao vivo, mas que eram parte da linfa que me corre no meu (muito) vermelho sangue.
O Shéu, sempre discreto e sempre tranquilo, olhou para mim, pegou numa caneta, num papel e começou a rabiscar. Desenhou qualquer coisa como figuras geométricas – que era o que ele desenhava em campo – e ofereceu-me. Acho que paralisei. Olhei para aquela folha e vi genialidade que ultrapassava a de Picasso. Os desenhos eram horríveis mas, caraças, eram desenhos que o Shéu fez para mim. Que se lixe a Guernica e As Meninas. Este menino estava numa aguarela de museu e não queria de lá sair. Sou capaz de ter dito obrigado – a minha paralisia não me terá deixado dizer mais nada. Sei que o José Augusto também pegou na folha e assinou. Seguiu-se o Bento, que também lá estava ao lado, o Veloso, o António Simões e o senhor Mário Wilson que me chamou de craque (não me interessa mais nada, o senhor Mário Wilson disse que eu era craque, o número 7 do SCLMarrazes era craque, ponto final, foi o que ele disse e, se ele disse, tinha razão) – e todos sabemos que não se deve contrariar os deuses.
A terminar a noite, depois daquela enxurrada divina, dirigi-me à caça de autógrafos na mesa presidencial. Foi aí que desci à terra. Paulo Madeira, capitão de equipa, José Capristano, vice-presidente, e Vale e Azevedo. “Dá cá a folha que a assinatura de um presidente tem de ficar bonita”. Não há dúvida de que ficou bonita. Mas a anos-luz dos desenhos horríveis que o Shéu me fez.
a morte do silêncio
Numa sociedade de movimento, espectáculo e ruído, é difícil termos instantes de silêncio. Raras vezes convivemos com ele — por obrigação ou por vontade. É assim que ele se torna num corpo estranho para nós. E ignoramo-lo. Sem razão. A sociedade é ruído. É por isso que o silêncio é tão necessário.
“Ouve-me, ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa. Capta essa outra coisa de que na verdade falo porque eu mesma não posso”. A Clarice Lispector fala e nós devemos falar com ela. Mas sem falar, que, falando, acabamos com ele.
Ele é o silêncio e ele está a morrer. Pelo menos em parte das homenagens realizadas em Portugal. Em cada “minuto de silêncio” de louvor às vítimas dos incêndios, dos ataques terroristas ou de qualquer outra tragédia, o minuto é de aplausos, e os aplausos são de tudo menos de silêncio.
Aplaudir é outra forma de homenagem, é certo, uma espécie de levantar a cabeça, de mostrar que nada nos abate, um olhar e andar em frente. Nada contra. Mas tudo errado. Aplaudimos quando deveríamos silenciar. E porquê? Por gosto pelas palmas ou por medo do silêncio?
O silêncio traz a reflexão obrigatória, o mergulho no vazio que nos obriga a estarmos sozinhos connosco, com os nossos pensamentos, com a nossa profundidade. O momento já é delicado — homenagear alguém. Acrescentar, a esse momento, a sensibilidade de estarmos connosco talvez nos deixe desconfortáveis.
Associamos o silêncio à solidão e essa solidão adensa-se no contraste de estarmos rodeados de gente — como sempre estamos nestas homenagens públicas. As palmas, por sua vez, talvez sejam as palavras que não dizemos, as conversas que não temos com essa gente, que preenchem este vazio interior que há em todos os que lá estão.
Silêncio e solidão, dois conceitos e estados dos quais parecemos fugir a sete pés. Não por serem intrinsecamente maus, mas por nos obrigarem à companhia que talvez mais nos atormente hoje em dia, nós próprios. Fugimos de nós. E esta fuga merece um minuto de silêncio, não de aplausos.
a banalidade do mal
Quando Adolf Eichmann foi julgado em Israel, Hannah Arendt estava lá – como correspondente da New Yorker. Esperava ver um monstro, mas viu “um homem normal, um simples funcionário público que cumpriu os seus deveres enquanto responsável máximo das deportações dos judeus para os campos de extermínio”.
Eichmann “apenas” agiu segundo o que acreditava ser o seu dever. Nunca reflectiu sobre o Bem ou o Mal que as suas acções pudessem causar. Não foi capaz de fazer um julgamento moral das suas atitudes – se fez, fez o julgamento errado. O Mal tornou-se, assim, banal. É o que diz a filósofa alemã e é o que nos mostra a sociedade.
De certa forma, o Mal continua banal em nós. Uma marcha do Ku-Klux-Klan apoiada pelo Presidente dos Estados Unidos é só mais uma notícia de abertura de telejornal, um ataque terrorista do Estado Islâmico é uma simples nota de rodapé. O constante bombardeamento informativo sobre guerras, doenças, injustiças, fome, assassinatos tornou-nos anestesiados perante o Mal. Não que não o reconheçamos, não que não o sintamos, mas a verdade é que o banalizámos. De tanto o vermos, de tanto o termos à nossa frente, ele acabou por fazer parte da nossa vida.
O Mal entra-nos mente adentro com uma facilidade infantil. E nós deixamos que isso aconteça – até lhe abrimos a porta. Quando nos apercebemos, já ele é mobília. E, ao fazer-lhe isso, estamos a fazer uma única coisa: a faltar-lhe ao respeito.
E essa falta de respeito talvez nasça da falta de seriedade com que o encaramos, da falta de profundidade com que o discutimos – talvez, até, da falta de profundidade com que discutimos a vida toda. Será que nos interrogamos o suficiente? Ou estaremos a engolir tudo o que nos põem no prato sem fazer grandes perguntas?
Agora somos nós que estamos cá, incapazes de resistir às ordens desta sociedade do banal – o que nos torna, também, um bocadinho Eichmann, desumanos e superficiais, meros “funcionários públicos” que cumprem os seus deveres. Sem pensar.
quando há mundo
quando há mundo em tudo o que há
vivido, no fundo, do tempo que é pouco
mas parece infinito, tempo bastante
que vai perto do que é distante
mas, num instante, é já sufoco.
quando há mundo em cada detalhe
café, cerveja, alentejo, inferno
que na boca tem o mar
no fado, o teu olhar,
na dança, o não saber dançar
e tudo é terno.
quando há mundo em não ser mundo
quarto escuro, clandestino
praia sem nome, cama suada
vinho, noite passada
multiplicada pelo destino.
quando há mundo em tudo o que há
e tudo o que há nos engana
é lindo (embora ruim) quando há vezes
que deveriam (diz-se assim) durar tantos meses
mas que duram um fim-de-semana.
