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não sei quando nasci

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Não sei quando nasci. Fui parido no dia 7 de Janeiro de 1985, mas acho que ainda demorei uns bons anos a nascer. Não sei quantos. Não sei muita coisa. Especialmente, não sei aquilo que sei. Duvido do que sei, quero eu dizer. E também duvido de saber.

A minha mãe está amarrada a mim desde que me desamarrei dela. E isso tem tanto de bom, como o cuidado e o mimo, como de mau, como o cuidado e o mimo. A minha mãe sente e chora antes sequer de eu sentir e chorar, e sente mais e chora mais mesmo depois de eu ter sentido muito e chorado muito. O meu pai é um pilar com sentimentos mais quietos e disciplinados. O meu pai também sente e também chora, mas o que sente só diz às vezes e o que chora não mostra. O meu irmão é o meu inverso e é por isso que eu gosto tanto dele. Mais novo, é ele quem manda e quem me ensina, é ele o racional e o pragmático. O que me explica nas calmas e o que me agarra pelos colarinhos, se for preciso. Eu sou o puto emocional que chora, escreve e faz teatros. O palerma que já tinha idade para ter juízo. Mais ao largo, tenho outra gente que me quer bem e que, tantas vezes, ignoro, algumas vezes, sem querer.

Quero sempre mais do que tenho e mais do que sou, tenho ânsias e sou medricas. Amo em exagero e odeio em fúria, tanto estou nas nuvens como na lama. Tenho um horror pavoroso à morte e uma ansiedade assustadora ao dia. Não sei viver o presente e apetece-me, algumas vezes, não viver de todo. Mas finjo bem, parecendo um tipo calmo, alegre e decidido. Sou, algumas vezes, feliz, culpa, quase sempre, da arte e de um ou outro sorriso matinal. Não creio em nada, odeio o ginásio e o meu prato preferido é bolacha maria com manteiga. O meu terapeuta diz que escolher é excluir e eu dou por mim sem escolher, excluindo.

Tenho alguma esperança nas merdas, apesar de tudo. E, contra o que penso, sinto que há coisas boas por nascer. Hoje, faço 35 anos e, na verdade, ainda não sei se nasci.

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josé carlos

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, com as mãos nos bolsos e os pés em todo o lado, José Carlos desconcertava os nervos dos outros. Mas já era normal. José Carlos é que não era. Ou talvez fosse, não se sabe, é impossível saber-se. Era visto como o maluquinho da aldeia, e ganhou esse estatuto pelo simples facto de fazer as coisas de forma diferente do resto da gente. Muito diferente. Sentia uma adoração imensa por Afonso, uma adoração de amigo impossível de descrever, uma adoração de sangue do mesmo sangue, uma adoração de carne da mesma carne. Para isso, bastou não ser desprezado por Afonso, bastou que Afonso fosse o único a falar com ele sem se preocupar com o que as outras pessoas fossem pensar, fosse o único a brincar com ele sem qualquer tipo de gozo mal-intencionado, fosse o único a ouvi-lo quando ele precisava de falar, fosse o único a dar-lhe de comer, de beber e de vestir sem uma única réstia de caridadezinha achada superior, fosse o único a ser amigo dele, amigo mesmo amigo. O único. O seu nome revelava a sua maior anormalidade, a tendência para saber todos os poemas do poeta. De cor. Para ele, era sempre tarde, tão tarde, que a boca nunca tardava a dizer o que sentia, e o que sentia, dava-lhe um ar de um bando de pardal à solta, o puto, o puto. Já não era novo, mas a idade não era para ali chamada. Falava sempre em poesia, para este, para aquele e para todos os que não existiam. Inventava mundos e universos, via coisas e não via outras. Dançava nas ruas, corria que nem um louco, chorava que não era pouco. Ajoelhava-se perante qualquer mulher e dizia, meu amor, meu amor, meu nó de sofrimento, minha voz à procura do seu próprio lamento. E corria, corria, como um cavalo à solta, com um travo de sabor a laranja amarga e doce na mente, e uma coragem imensa de correr contra a ternura no corpo. Estava vestido com roupas que não lembravam ao diabo. Uma camisa de um naipe, as calças de outro. A roupa não jogava a bota com a perdigota. Mas ele pouco se importava. O mundo era-lhe imenso e ele era feliz assim. Feliz na sua tristeza tamanha de não pertencer àquele lugar, mas de não haver outro a que ele pertencesse tão bem como àquele. Tinha o seu mundo, diziam que ele era chalupa, maluquinho, louco, estroina, palerma. Diziam tudo mas, na verdade, pouco se sabia. Ele era isto, ele era aquilo. Ele era tudo o que diziam, por inveja ou negação, cabeçudo, dromedário, fogueira de exibição, teorema, corolário, poema de mão em mão, lãzudo, publicitário, malabarista, cabrão. Era tudo o que diziam, poeta castrado não. Apenas louco,

lágrima | romance – 2015

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origens

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Hoje, fui às origens, ao alto da serra com cheiro a verde e a frio. Antes do almoço, a tasca do senhor Zé não tinha ninguém. Entrou o meu primo, entrei eu, entrou o João, a Beatriz e a Clara. Tantos e o senhor Zé e a sua mulher atrás do balcão. Minis e martinis. Ela fugiu mal viu a máquina fotográfica, ele ficou sem medo, embora a custo para se manter em pé. Conversas da terra e de quem éramos, de onde, netos de quem, do Álvaro, dissemos nós. O Álvaro… fomos a tantos bailes… disse ele. E contou, e ouvimos. E entrou mais gente que sorriu e ajudou a servir e a sorrir também. Tasca velha, com calendários da Nossa Senhora e da Super Bock, paredes de cimento e trabalho duro nas mãos. Fim de manhã nas origens no alto da serra, onde o meu avô falou pela voz amável e clarinha do senhor Zé.

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pernas caladas

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Pernas caladas, seguras, paradas,
olhadas, maduras, beijadas,
ausentes, insanas, carentes,
presentes, mundanas, doentes,
amadas, infindas, suadas,
dançadas, bem-vindas, sonhadas,
sozinhas, quietas, rainhas,
mindinhas, poetas, branquinhas,
vincadas, mordidas, tocadas,
voadas, perdidas, achadas,
imensas, poucas, intensas,
doenças, loucas, sentenças,
deitadas, violentas, cruzadas,
aguadas, sedentas, blindadas,
vividas, breves, sofridas,
sentidas, leves, fodidas.

Pernas legendadas de palavras banais,
pernas caladas que falam demais.

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a minha avó

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Hoje, faz anos a minha avó. A minha avó já não existe. Foi embora quando eu era pequenino. Morreu. Mas não morreu muito (morre-se muito quando não se é lembrado). Esta é a única lembrança que eu tenho da minha avó. E, mesmo ou sendo única, faz-me lembrá-la muitas vezes. Eu deitava-me numa manta feita de retalhos e a minha avó puxava-me e levava-me a ver o mundo inteiro naqueles poucos centímetros que ela conseguia percorrer comigo ao colinho da manta. Hoje, é de um só retalho a lembrança que tenho da minha avó. Mas continuo a viajar graças a ela. Deitado com ela dentro. Obrigado, avó. E parabéns.

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silvino

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Silvino foi um homem às direitas, como o seu punho, que acertou em cheio no meio milhão de chicos-espertos que tiveram a ousadia de piscar o olho à senhora sua esposa que, por muito boa esposa que fosse, por muito boa roupa que passasse e por muito boa comida que cozinhasse, lá, de vez em quando, se aperaltava em excesso dos cabelos às pontas das unhas, da mini-saia ao decote, e desafiava o mais desconchavado coração que se babasse nos olhos de qualquer palerma. E ele não gostava disso.

Pudera. A mulher era dele, os cabelos eram dele, as unhas eram dele, a mini-saia era dele e o decote era dele. Eram da mulher, mas eram dele. Só ele podia olhar. E o punho que escangalhava os queixos dos habilidosos que, distraídos, se concentravam naquelas relíquias empinocadas, também era dele. Era dia sim, dia também. Noite sim, noite também. E, à tarde, também havia forrobodó. Sem alarido, que o povo é sereno. E Silvino também era, só o punho é que não. Ninguém consegue ter controlo total do seu corpo. Há quem não controle o coração, há quem não controle o punho. Aquilo acontecia-lhe assim sem mais nem menos. Sem quês nem para quês. Era com cada bujarda que o café estremecia, a televisão mudava de canal e o canal mudava de apresentador. Era impressionante.

E impressionante foi também a cabeçada que ele deu na esquina da mesa onde um copinho de uísque e um jornal se acompanhavam. Foi ela que o matou. A esquina. E os outros uísques que emborcava como quem limpava atrevidos. Eram às dúzias, às centenas, aos milhares. Naquele dia, bebeu um a mais e caiu. Deu-lhe um aperto no coração e um desaperto na boca. Soltou a língua, fraquejou as pernas e lá foi ele, com a cabeça direitinha à esquina da mesa. A pancada foi seca, apesar da vesícula encharcada. Lançou um grito mudo e catrapumba. O café parou. A televisão não mudou de canal e o canal não mudou de apresentador. Acabou-se o Silvino.

Lágrima

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o futuro próximo

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Lisboa, Teatro Nacional D. Maria II, ano três mil e tal, pelo menos, pelo que se mostrava em palco. Personagens anestesiadas de vida à procura da morte. É isto que se passa nesta peça que vai do nojo à poesia, do transe ao osso. Este Futuro Próximo é uma bizzaria que nos desconcerta do princípio ao fim da história (que nem é o princípio nem o fim da história toda). Há riso, choro, merda, amor, ilusão, melodia, repulsa e morte. Há muito de entranhas nesta peça futurista que, na sua essência, nos fala de nós e da nossa relação com os outros – mas mais ainda da nossa relação connosco. Lisboa, Teatro Nacional D. Maria II, dois mil e dezanove.

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as intermitências da morte

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«No dia seguinte ninguém morreu. O facto, por absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme, efeito em todos os aspectos justificado, basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, nem ao menos um caso para amostra, de ter alguma vez ocorrido fenómeno semelhante, passar-se um dia completo, com todas as suas pródigas vinte e quatro horas, contadas entre diurnas e nocturnas, matutinas e vespertinas, sem que tivesse sucedido um falecimento por doença, uma queda mortal, um suicídio levado a bom fim, nada de nada, pela palavra nada.»

José Saramago

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bestas de lugar nenhum

Comentários fechados em bestas de lugar nenhum primeiros parágrafos

«Começa assim. Sinto comichão como insecto que rasteja na pele, e depois cabeça começa a picar mesmo no meio dos olhos, e depois quero espirrar porque o meu nariz comicha, e depois bufa ar no ouvido e ouço uma data de coisa: tique-tique de insecto, ronco de camião como animal, e depois alguém que grita ÀS VOSSAS POSIÇÕES JÁ! RÁPIDO! RÁPIDO! RÁPIDO! TUDO A MEXER! TOCA A ANDAR OH! com voz que raspa no meu corpo como faca.»

Uzodinma Iweala

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é urgente

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é urgente
pássaros que não caibam em gaiolas
corpos que não caibam em caixões
mortes que não caibam em pistolas
cravos que não caibam em espingardas
mãos que não caibam em esmolas
notas que não caibam em carteiras
sonhos que não caibam em lembranças
brinquedos que não caibam em crianças
palavras que não caibam em dicionários
gritos que não caibam em paredes
cravos que não caibam em lapelas
cores que não caibam em aguarelas
olhos que não caibam em janelas
cães que não caibam em trelas
fodas que não caibam em silêncios
vidas que não caibam em orações
versos que não caibam em canções

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um poema

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Fiz um poema inspirado no meu gato. Espero que gostem:

Eu tinha um sofá
Eu tinha uma jarra
Eu tinha uma cadeira de pele
Eu tinha livros numa estante
Eu tinha cordas na minha guitarra
Eu tinha cabos de internet
Eu tinha cabos de televisão
Eu tinha cabos de computador
Eu tinha cabos, ponto
Eu tinha duas pernas
Eu tinha dois braços
Eu tinha tapetes
Eu tinha cortinas
Eu tinha roupa no armário
Eu tinha um copo em cima da mesa.

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portugal, um problema

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Sol, praia, serra, chuva, neve, comida, bebida, cultura e gente boa. Portugal tem tudo, só não tem estrume que chegue para fertilizar o que cá está. Para ser melhor, para ter um futuro mais forte, feliz e saudável, Portugal precisa de mais estrume.

Precisa de mais Casas dos Segredos, mais cabelos rapados de lado com crista em cima, mais Schwarzeneggers de ginásio, mais 760-100-200, mais condutores na faixa do meio, mais folhas Excel, mais formulários nº 102/4 alínea D de 2003 e troca o passo, mais sushis no Facebook, mais pores-do-sol no Instagram, mais comentadores de futebol e de política e de economia e de coisa nenhuma, mais anúncios da dona Alice a abrir o Intermarché a meio da noite para ir buscar o leite ao Joãozinho, mais playback, mais frases do Paulo Coelho, mais beatas no chão e na missa, mais óculos às cores, mais cantores de domingo à tarde, mais submarinos e Tecnoformas e Freeports e Montes Brancos e BES e BPNs, mais Apitos Dourados, mais condutores de fim-de-semana, mais narizes empinados, mais mamas descaídas, mais greves do Metro e da Carris e da TAP e dos táxis e dos enfermeiros e dos professores e dos médicos e de todo o tipo de funcionário público que existe ou está por existir, mais férias judiciais, mais tatuagens com caracteres chineses, mais hamburguerias gourmet-retro-chiques, mais equipas do Sporting, mais tudo o que é mau e nos chateia.

E nós, os tugas, só chateados, com os nervos à flor da pele e o sangue à flor dos olhos, é que conseguimos fazer alguma coisa. A padeira não deu uma coça aos castelhanos por estar feliz da vida, mas porque os sacanas dos nuestros hermanos lhe interromperam a cozedura do pão. O Infante Dom Henrique não “saiu” de Sagres porque estava cansado de estar na praia de papo para o ar a ver inglesas, mas porque não admitia que o mundo poderia acabar no Algarve. O Ronaldo não ganhou cinco bolas de ouro por ter tudo o que qualquer comum mortal ambiciona durante toda a sua vida, mas sim porque o Platini, o Blatter e o Messi dão cabo da paciência (e dos rins, no caso do Messi) a qualquer um.

Precisamos de estrume para ficarmos chateados. Precisamos de estrume para fertilizar a nossa vontade. Para existirmos, para agirmos. Nós não existimos, resistimos. Nós não agimos, reagimos. E é esse prefixo (Re – Re – Rrrr!!!) que não renegamos e nos renasce renascendo connosco, é esse prefixo que nos reencaminha num regresso ao passado, é esse prefixo que faz de nós reis do reino dos recordes do Guinness. Somos uma espécie de rebanho em refogado a redescobrir coisas que, pelo prefixo, já estavam descobertas. Deixemos as redescobertas onde estão, recordemo-las, mas apenas isso. Está na altura de descobrir. Não o que existe lá fora, mas o que existe em cada pedaço das nossas entranhas (e é sabido que, tecnicamente, as nossas entranhas não são mais do que estrume).

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as dores dos outros

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Quando pensamos em sem-abrigo esfomeados, criancinhas doentes ou velhos sozinhos para conseguirmos superar as nossas dores, não estamos a sentir nem amor nem empatia nem compreensão. Quando pensamos em sem-abrigo esfomeados, criancinhas doentes ou velhos sozinhos para conseguirmos superar as nossas dores, estamos a sentir prazer. E esse prazer é, como todo o prazer que há, egoísta. Estamos preocupados connosco, com as nossas dores, não com eles, com as dores deles. Estamos a usar os sem-abrigo esfomeados, as criancinhas doentes e os velhos sozinhos. Eles são aquele banquinho para chegarmos à última prateleira (e nem sequer está lá nada). As dores dos outros ajudam-nos a combater a nossa, servindo de alavanca para a esperança que temos em nós, não nos outros. Portanto, “se aquela criança tem cancro e está a rir, eu também posso rir e brincar e ser feliz, não tenho razão para não o fazer, há quem esteja bem pior do que eu”, não. Deixemo-nos disso. Não faz sentido mentir. Não há dores iguais e, comparando, não há dores comparáveis. Cada um tem as suas, cada um sofre as suas. Não vamos fingir que nos preocupamos genuinamente com os outros quando estamos assim e não vamos fingir que ficamos genuinamente melhores quando os usamos. É mentira. A dor não acompanha o fingimento. As dores doem mais se forem nossas e se, nossas, as sofrermos sozinhas. Mas só assim é que elas podem deixar de ser o que são. Em verdade.

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o palhaço

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Os balões, as flores e os narizes vermelhos faziam agora parte de um passado que ele queria esquecer. Apesar de todas as gargalhadas que ouvia sempre que subia a palco, ele, o palhaço do seu circo, invertia o que ouvia em sentimento. Todas as noites, vestia-se de cores em forma de roupa e lá ia ele. Actuava sempre depois do domador de leões e antes da trapezista. Mas ele era o único que se sentia desequilibrado sempre que olhava de frente o animal selvagem que era a sua vida. No fim, depois da felicidade (a dos outros), enfiava as mãos nos bolsos e as ideias no chão. Tinha riscos azuis, brancos e vermelhos a escorrerem-lhe dos olhos. Não deveria ter saído dali sem se desmaquilhar. Não deveria ter saído dali a chorar. Mas ele era um palhaço. A felicidade era o seu trabalho. A tristeza era o seu descanso.

pequenas estórias de muitas vidas | livro de contos – 2014

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ele e ela

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Estes são o meu tio António e a minha tia Fernanda, embora nunca tenham sido, para mim, nem António nem Fernanda. Estes são o Quicoino e a Nhanha. Ela morreu em 2002. Ele tem morrido aos poucos desde 2002. Ele existe, ainda, e ela também, num lugar diferente. Ele com muitas saudades dela, ela lá longe de nós. Ele choraminga sempre que a lembra, faz beicinho e limpa os olhos com as mãos enrugadas e duras e já fechadas sobre si mesmas. Solta um suspiro e tenta arranjar mais um bocadinho de ar para continuar neste lado sem ela. Tem conseguido. Ela enchia-me de mimos e eu roubava-lhe Ferreros Rocher. Ele tocava trompete e deixava-me chateá-lo enquanto dormia na espreguiçadeira. Foram-me tios por grau e avós por coração, tantas vezes pais. Hoje, o Quicoino está cansado e triste pelas saudades que nunca deixou de ter dela. Ela, a Nhnanha, tem a gargalhada estridente em cada memória que ele traz à conversa. Ele a preto e branco, ela a cores. Ele e ela, dois amores.

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laurindinha

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Ela passava o dia à janela. Viu o seu amor ir para a guerra e não o viu voltar. Mas esperava por ele como quem espera pelo futuro. Vem amanhã, vem amanhã, sempre amanhã, só amanhã. Os passarinhos eram a sua companhia. Empoleiravam-se no parapeito e ela empoleirava-se nos peitos deles. Para onde eles olhassem, ela olhava também. À procura dele. Mas ele não vinha, já se sabe. Sabia de cor todos os passos de todas as pessoas da aldeia. As horas a que saíam de casa, as horas a que chegavam, as horas a que se demoravam na praça, na florista e na escola. Dizia olá a quem vinha, dizia adeus a quem ia. Anotava brigas e negócios, encontros e desencontros. Assistia, do terceiro anel do seu parapeito, às jogatanas de rua onde as pedras eram postes de baliza. Marcava faltas, gritava, incentivava, fazia claque. Os putos não lhe ligavam patavina.

Laurindinha não era velha nem era nova. Tinha a idade do tempo e vivia bem com isso. Não se queixava. Era o bibelô da aldeia, o naperon em cima daquela antiga televisão que era a sua casa, uma casa a preto e branco com dois canais e sem comando à distância. À distância, só o seu amor.

lágrima | romance – 2015

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na minha língua

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Sei do seu sabor na minha língua,
do seu cheiro no meu corpo que tremia
(ainda treme ao saber da sua mão!)
que deu pele à sua boca que descia
e pecado ao meu ventre que sentia
o vir da pele direito ao coração.
São tão frágeis estas veias neste sangue,
foi tão cedo para ser tão ser aflito
que gemeu,
estremeceu
e morreu
ou virou grito.
Não sei se o que sinto ainda agora
é da fome que ela trazia presa à boca
e que, viva, na minha ainda mora
como coisa impaciente que demora…
Coisa maldita, doida tão louca!
Ou terá sido outra coisa que não digo?
Outra coisa que não a realidade?
Não sei, mas sei dela aqui comigo,
deitada no lençol desta saudade.

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seios, peitos, belezas puras

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Seios, peitos,
belezas puras,
seres tão perfeitos
em desventuras!
Chuchas, tetas,
sonhos de deus,
redondas setas subindo aos céus.
Montes serenos, montanhas nuas,
grandes, pequenos, paisagens tuas.
Lírios, marmelos, flores de jardim
que eu, só de vê-los, quero para mim.
Faróis que ferem aos meus gemidos,
bemóis que querem ser sustenidos.
Docinhos gomos na minha boca,
suores que fomos, e tu tão louca
que assim ficámos, de mão na mão.
Tanto suámos, que o coração
era dos dois, mas no teu peito,
antes, depois, de qualquer jeito,
bate mais forte, mais sem rodeios,
mais do que a morte, vejo os teus seios.
E eu, um pelintra (ou lá como me chamas)…
Tiras-me a pinta e eu beijo-te as mamas.

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lamento, lili

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Lamento, Lili, mas estar vivo não é o contrário de estar morto. A morte não é um estado. Não se pode estar na ausência. Estar pressupõe vida, continuidade, existência. Estar morto é uma contradição. Morre-se e pronto, não se está morto. Não se está, ponto. Estar vivo não é o contrário de nada. Estar vivo, simplesmente, é. Estar morto não é.

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o porteiro de passagem

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Eu não o vejo, ele não me vê. Não sei quem é, não sabe quem sou. Mas ele sabe que eu vou, que passo por ele sem parar, ao entrar e ao sair. Não faz, nem faria, sentido ficar. Ele está ali para ver passar, e eu nem chego a estar.

Todas as quartas-feiras de todas as semanas, dois minutos antes das sete, toco à campainha e passo. Digo-lhe boa tarde e espero pelo elevador. Ele responde de volta, como um eco, e espera por ninguém. Está ali, quieto, olhando, quieto, estando.

É sempre, todas as quartas-feiras de todas as semanas, a última, dois minutos antes das sete, e a primeira, oito minutos antes das oito, pessoa que me liga à realidade dos outros. No quarto piso, tenho terapia. Lá, a realidade é a minha, só a minha, escura, sombria e funda de mão dada com quem visita comigo esse meu lugar.

Subo ao rés-do-chão, vindo do quarto piso, e ele lá continua. Não sei quem ele é, não sabe quem eu sou. Mas ele está, sempre, faz parte do processo de entrada e de saída do Inferno. De passagem.

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Somos um país muito lindo, com muito sol, muita praia, muito campo, muita gente simpática, muita comida boa e muitos turistas. E o nosso turismo não tem nada que ver com isto. Marketing turístico digital é uma coisa que não lhe assiste.

Navegação à vista

Houve tempos em que demos “novos mundos ao mundo”. Hoje, temos dificuldade em que esses novos mundos conheçam o nosso. Da navegação em mar alto, passámos para a navegação na web. E é precisamente aí que metemos água.

A navegação à vista designa-se por uma navegação de acordo com as circunstâncias, sem ciência. Pois bem, é precisamente isso que acontece. É verdade que temos muitos turistas, é verdade que estamos a crescer nessa área e é verdade que estamos fartos de receber prémios para todos os gostos e feitios. Mas também é verdade que a entidade responsável pelo turismo em Portugal não tem nenhum mérito nisso.

85% de toda a navegação web começa no Google. No entanto, as keywords mais relevantes para a promoção do nosso país não aparecem em nenhum activo digital nacional. Portugal, como destino, não aparece pelas principais pesquisas em nenhum país do mundo. Quer dizer, na verdade, aparece, mas com anúncios pagos, que apenas contribuem para uns míseros 6% de cliques. Isto significa que estamos a perder milhões de visitas, graças ao nosso fraco (quase inexistente) marketing turístico digital.

Publicidade para inglês ver: milhões de euros em adwords para promoção do Turismo em Portugal

Sim, são milhões de euros em publicidade imediata e não pensada, daquela para inglês ver. Sim, mas só aquele inglês que não tem Internet.

A nossa entidade responsável pelo turismo prefere os flyers às keywords, prefere o fogo-de-artifício ao SEO. Keywords como “things to do in Lisbon” não têm força no digital, não têm qualquer credibilidade orgânica. Isto significa que qualquer pessoa consegue colocar esta e muitas outras keywords na primeira página de resultados de pesquisa, para o mundo inteiro, apenas por um artigo de opinião. E isto acontece porque essa tal entidade cujo nome não pode ser pronunciado não faz o trabalho que deveria fazer, não faz o mínimo esforço de marketing turístico digital nem elabora uma simples estratégia de posicionamento orgânico.

Os conteúdos são fracos e a arquitetura e o link building dos mesmos não existe. Há muito por melhorar e por trabalhar. A concorrência é forte, mas é possível. Temos é de meter mãos à obra, que é como quem diz, à web.

Marketing Turístico: o Triunfo da (falta de) Vontade (Política)

Ora, o Estado é muito bom a meter a mão. Também não é mau em obras, desde que essas obras sejam autoestradas e estádios. No que respeita a meter a mão na web é que a porca já torce o rabo. Não há vontade política. E, sendo o governo a mandar na tal entidade, bem, já sabemos o que acontece… Um mandato dura quatro anos, pouquíssimo tempo para quem quer ter resultados imediatos. Uma estratégia de marketing turístico digital tem o seu tempo de implementação e demora o seu tempo a atingir resultados. Investir em SEO será sempre investir a médio/longo prazo, o que não se apresenta como muito apetecível para quem quer resultados agora e apenas agora.

Na promoção turística do país, tal como nas áreas da Saúde e da Educação, seria benéfico um plano de continuidade multipartidário a longo prazo, coisa que ahahahah – desculpem o riso, mas isto é Portugal. Quando é que, alguma vez, fizemos alguma coisa estruturada com vista a um médio-longo prazo?

Não há coordenação, não há gente suficiente, não há formação técnica, não há vontade. Há tipos de calças bege e camisa azul que se encontram num rooftop a beber gin e a decidir que o Algarve deve chamar-se ALLgarve e que devemos ter vistos gold para chineses. É esta a política oficial dos nossos responsáveis (também) turísticos.

“Então, mas isto tem funcionado. Temos cada vez mais turistas, estamos sempre a ganhar prémios, toda a gente fala bem de nós lá fora”, diz o caro leitor. E diz muito bem, o caro leitor. Parabéns pela sua observação. Mas não é graças aos responsáveis de turismo do nosso país que isso acontece. A promoção de Portugal está nas mãos de bloggers e influencers amadores, que têm a capacidade de opinar e influenciar com grande alcance, ocupando as primeiras páginas do Google. E não podemos deixar o nosso marketing turístico digital exclusivamente nas mãos de amadores. Até porque não deve ser da sua responsabilidade.

Voo para Portugal: porta de embarque lowcost

O que nos tem safado, muitas vezes, são as companhias aéreas lowcost, que, através dos preços baixos dos bilhetes, fomentam o turismo para o nosso país. Obrigado, Ryanair! Obrigado, Easyjet! Obrigado, Transavia! Obrigado, Vueling! Obrigado, FlyBe! E obrigado aos empresários que investem no país a nível de infraestruturas e condições para bem receber. São eles que, sem terem de o fazer, dão boleia a quem manda nisto tudo. A solução está em criar uma estratégia de marketing digital bem feita, com SEO, keywords, analytics e por aí fora. Com critério e com alvos bem definidos. E, claro, com muito sol, muita praia, muito campo, muita gente simpática, muita comida boa e muitos turistas.

publicado na Bluesoft

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o joker somos nós

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Arthur Fleck é um homem sozinho, triste, desapontado, deslocado, marginal, louco, puro e real. Arthur Fleck é Joker. O Joker somos nós.

Arthur Fleck não encaixa na sociedade. É um homem que grita sem ser ouvido, e, precisamente por gritar sem ser ouvido, grita para dentro de si, onde faz eco, pois o dentro é tão grande e tão vazio. E o vazio ocupa-lhe tanto espaço que, quando inflama, sai por todo o lado e atropela toda a gente. Pela boca, pelos olhos, pelos dedos, quem ama, quem odeia, quem não conhece.

É por isso que Joker, o filme (e Joker, o palhaço) nos deixa tão desconfortáveis. Joker, o palhaço, sofre da doença de rir em descontrolo, mesmo em momentos inoportunos. Joker, o filme, faz-nos rir em descontrolo, mesmo em momentos inoportunos. Quando ele ri no metro, quando ele vai contra a porta no hospital, quando ele mata em casa. É nestes momentos, e em tantos outros, que vestimos a pele (e a doença) de Joker, o palhaço. Rimos, metemos a mão à frente da boca e pedimos perdão pelo riso. É isto que acontece. Sempre. Por nos sentirmos a trair os nossos alicerces do bom e do mau, por não os sabermos distinguir e, até mesmo, por os negarmos.

Joker, o palhaço, faz o que grande parte de nós, em algum momento, em algum lugar, gostaria de fazer – por se sentir deslocado, por não poder mais. Joker, o palhaço, vai lá aquele sítio sombrio da nossa cabeça e diz olá. E nós adeus, dizemos olá de volta e ficamos nestas voltas inquietas à volta de nós mesmos. Isso incomoda-nos. Não gostamos que se saiba, não queremos que ninguém saiba. Mas sentimos, muitas vezes, o mesmo e temos, muitas vezes, o medo.

Olhamos Joker, o palhaço, e olhamo-nos ao espelho – e lá estamos nós, carregadinhos de maquilhagem. Joker, o filme, é uma obra-prima porque nos agarra pelas entranhas e faz o que quer com elas e connosco, porque nos inquieta e nos engana, porque nos atira à cara com uma prestação brilhante de Joaquin Phoenix – o Óscar não chega. Joker, o filme, brinca connosco. Joker, o palhaço, é o brinquedo. Somos nós a piada. O Joker somos nós.

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alterações climáticas

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Calma, nem nós somos a Greta nem isto é a ONU. De qualquer forma, tome atenção ao que lhe vamos dizer: como se atreve a querer ser uma marca green se não trabalha com a Bluesoft?

Pois é, isso é muito grave. Quase tão grave como o estado de emergência climática a que o nosso planeta chegou … Quer dizer, talvez não seja assim tão grave. Bem, é óbvio que não é assim tão grave. Está longe de ser assim tão grave.

É só um bocadinho grave, vá. Agora fora de brincadeiras, a Greta pode ter aquele ar de miúda irritada com a vida, mas a verdade é que ela tem toda a razão para ser uma miúda irritada com a vida. O planeta parece estar a dar as últimas. E a culpa é nossa.

Como é que a Bluesoft pode salvar a sua marca?

A boa notícia é que podemos mudar isso. A sua marca pode mudar isso. Sim, a sua marca pode mesmo salvar o planeta. Como? Já lá vamos. Antes, um breve apanhado da actualidade.

Hoje em dia, não há marca que não queira ser green, amiga do ambiente, eco-friendly, sustainable lifestyle lower carbon footprint cenas… Seja o que for que transmita alguma preocupação ambiental, as marcas querem ser. Muitas até já possuem departamentos de sustentabilidade ambiental para trabalharem nesse sentido. E bem!

Marcas e Consumidores: Match Ambiental

As marcas querem convencer os consumidores de que são amigas do ambiente. Os consumidores querem que as marcas sejam amigas do ambiente. Isto dá match. Vai buscar, Tinder.

Mas atenção. Se a sua marca quer mesmo salvar o planeta, então não pode ficar apenas pela persuasão dos consumidores. Se a sua marca quer mesmo salvar o planeta, então tem, realmente, de ser green, amiga do ambiente, eco-friendly, sustainable lifestyle lower carbon footprint cenas

Qual é a Pegada Ecológica da sua marca?

Comece por levantar os pés da sua marca e ver qual a pegada ecológica que está a deixar no planeta. É grande? Pequena? Assim assim? (Estamos a falar da pegada da sua marca, não desfoque). Pode mudar alguma coisa? Se sim, o quê? Qual a perspectiva de mudança? Demorará muito tempo? Quanto? Quais os custos? Bem, você sabe bem as perguntas que deve colocar.

Meio ambiente, Sustentabilidade ambiental e Marketing Digital são a Solução

Colocadas essas perguntas, trate de lhes dar respostas. E nada de malabarismos. Hoje em dia, é muito fácil descobrir um chico-esperto que diga que vai fazer isto e aquilo na sua marca mas que, na verdade, só está ali para se aproveitar da onda (que será cada vez maior por causa do degelo no Ártico e na Antártica). O segredo é ser green, amiga do ambiente, eco- friendly, sustainable lifestyle lower carbon footprint cenas mas agir como tal.

O consumidor actual não se foca tanto em produtos, serviços ou preços. O consumidor actual foca-se em experiências com significado. O consumidor actual tem, cada vez mais, uma reforçada consciência cívica, social e ecológica. O consumidor actual não compra produtos, compra a mudança que quer ver no mundo. Escrevemos muitas vezes “consumidor actual”? Pois bem, é porque é quem realmente importa.

Segundo um estudo da Tetra Pak, em 2017:

  • 85% dos consumidores consideram que a importância das questões ambientais vai aumentar;
  • 42% dos consumidores procuram, nos produtos, informações sobre o impacto ecológico do próprio produto;
  • 43% dos consumidores afirmam que uma embalagem ecológica torna mais provável a compra do produto, sendo que, destes, metade acreditam que isso aumenta o valor do produto.

É o Super-Homem? É o Batman? É a Greta Thunberg? Não, é a Bluesoft!

A sustentabilidade não é apenas uma preocupação ambiental. A sustentabilidade é uma oportunidade de negócio.

E é essa oportunidade de negócio que nós queremos que agarre. Não é fácil uma marca conseguir um posicionamento green, amiga do ambiente, eco-friendly, sustainable lifestyle lower carbon footprint cenas. Mas é possível. A educação ambiental é possível. E o maravilhoso mundo do Marketing Digital ajuda bastante. Nós, Bluesoft, enquanto empresa de referência no Marketing Digital, fazemos “o resto”, que é como quem diz, tudo.

As manifestações fazem-se na rua, mas também se fazem no digital. É lá que vamos colocar a sua empresa. De cartaz em punho e garganta afinada. Com a delineação de uma estratégia de SEO sólida, conseguimos posicionar a sua marca green na primeira página do Google pelas keywords green que as pessoas procuram (85% de toda a navegação começa no Google). E, sim, a página será reciclada, não se preocupe.

Identificamos, analisamos e estudamos o público-alvo da sua marca. Desenvolvemos toda a tecnologia à medida, de acordo com todas as boas práticas digitais de optimização com os motores de pesquisa (SEO – Search Engine Optimization). Desenvolvemos conteúdos orientados ao público-alvo e optimizados para uma máxima visibilidade orgânica.

Trabalhamos a reputação e marketing digital da marca: acompanhamento e optimização do website e lojas no online, redes sociais e todos os activos ou plataformas digitais. Tornamos a sua marca autoridade digital no seu sector de actividade.

Está na altura de salvarmos o planeta. Pelo caminho, ainda aproveitamos para salvar a sua marca. Sem lágrimas nem murros na mesa.

publicado na Bluesoft

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rugas

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Um lar de idosos é uma casa vazia e triste. Aqui, nesta história, é um poema, nunca deixando de ser uma casa vazia e triste. Emílio é velho e mora agora nesta casa, cheia de velhos e vazios como ele. Emílio não se lembra, pouco a pouco vai perdendo passado, vai esquecendo e vai deixando de existir. Mas vai lutando, tentando encontrar solução para o que não há, outro caminho para outro destino que não o único que existe. Uma luta triste, com sopa, medicamentos e solidões. Emílio tem o destino traçado, e Paco tem, nos traços, corações. Uma história bonita sobre o outono da vida, sobre a melancolia fatal da realidade. Vazia e triste, porém, poema.

Rugas, de Paco Roca.

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regresso às aulas

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Há sempre uma altura do ano em que regresso às minhas lembranças do meu regresso às aulas. Foi há tanto tempo, parece ter sido agora. Estojo com canetas azul, preta e vermelha, um lápis, uma afiadeira e uma borracha verde ou vermelha com uma das pontas azul. A borracha nunca servia para apagar nada, mas sim para escrever ANDRÉ em letras grandes com o tipo de letra dos Metallica ou então BOSS bem vincado para que toda a gente visse a minha habilidade a inglês.

Os meus primeiros livros da escola eram envolvidos por uma capa semi-transparente com desenhos das Tartarugas Ninja. O único momento em que via a capa original era quando ia com a minha mãe comprar os livros à papelaria Jota. Em casa, lá se dedicava o meu pai à encadernação. Para não estragar e, também – essencialmente -, para não me assustar tanto. Pouco depois, a disciplina de Estudo do Meio tinha-se transformado no Donatello e no Leonardo a praticar artes marciais.

Dentro dos livros, as folhas que tinham toda a matéria para o ano, depressa se tornavam autênticos diários de pré-adolescente. Letras de músicas dos Nirvana e dos Ornatos preenchiam a parte rebelde, poemas do Ary dos Santos a parte mais coraçãozinha.

Sempre fiquei na primeira ou na segunda mesa, junto ao professor. Número dois ou número três. André Pereira. Presente. Sem fazer barulho, atento à aula e às miúdas novas. Voltava a escrever no livro. A aula acabava sempre cinco minutos antes de tocar a campainha. Esquecia a dos olhos verdes que os meus já desenhavam a equipa para os 10 minutos de intervalo. Não vou à baliza. A mochila faz de poste e é roda bota fora. Sonho real. Benfica, Rui Costa, Terceiro Anel, melhor em campo, capa de jornal. Toca a campainha para dentro. Bem pior que sofrer um golo. Regresso às aulas.

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o filósofo da benedita

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Ir ao Bigodes é mais do que enfardar uma bifana cheia de mostarda, maionese e gorduras várias. Ir ao Bigodes é mais do que chafurdar numa sopa da pedra carregadinha de tralha boa. Ir ao Bigodes é, também – e essencialmente – sentar-se ao balcão, junto de peludos regos de camionistas e de exagerados tacões de putas, e contemplar. Contemplar os sabores, os cheiros, as coisas e as realidades que roçam as vidas que ali existem na mesma medida que existe quem existe na Nacional 1, de passagem. Como na vida, na verdade.

No Bigodes, há quem contemple eternamente. Não lhe conheço o nome. Pode ser João, Fernando ou Aladino. Pode ser qualquer coisa, que pouco me importa. Mas, podendo ser qualquer coisa, é apenas uma: filósofo. O Filósofo da Benedita. Ele é Kierkegaard, Schopenhauer e Nietzsche, Platão, Voltaire e Sartre. Ele serve bifanas e sopas da pedra como quem pensa na morte, serve camionistas e putas como quem olha longamente para o abismo.

É o habitual, por favor. O quê?

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foda-se caralho

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Nada supera um bom foda-se caralho. Nada. Nem um mero foda-se nem um solitário caralho. Foda-se caralho. Assim. Lado a lado, coladinhos, encostados, amarrados um ao outro. Sem apartheid linguístico.

Dois seres que são um. Duas palavras que são uma. Duas palavras que deveriam ser uma, fodasecaralho, e que se fodesse o hífen, porque não pode haver um milímetro que seja a separá-las, muito menos um tracinho que, fodasecaralho, é um tracinho. Acaba em inho, qual é a autoridade que tem para afastar esta dupla mais forte e mais densa e mais mais do que uma Romeu e Julieta ou uma Unha e Carne? Fodasecaralho.

Que se reinvente a sintaxe, a gramática, a semântica. Tudo. Fodasecaralho é siamês, é alma do povo português que não tem filtro na língua nem nos dentes. E, sem filtro, há mais verdade. Bonita ou feia, sem saudade nem penitência. Não é ignorância nem ausência de educação, é a importância de dizer as merdas com o coração.

Fodasecaralho é casal que enche a boca e os ouvidos. Só os que não o sentem ou não o dizem ou ouvem mal ou já estão fodidos

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crónicas da sala de espera

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Dei por mim a reler o Pedro. Sim, o Pedro, não o livro do Pedro, mas o próprio Pedro, o homem, o camarada, o amigo. Reler o Pedro é a única forma de o voltar a ter na cadeira ao lado, a contar-me histórias de música, de mulheres e de jornalismo antigo, daquele que já não se faz. Eu não fazia nada. Apenas ouvia o que ele me dizia, e ele dizia-me tantas vezes para viver e escrever e não ter medo, e eu ouvia, e ele vivia e escrevia sobre o medo que dizia não ter. Ele tinha cancro, todos temos o medo de morrer. As crónicas sobre os seus tratamentos de quimio e radioterapia que escreveu foram ditas na antena do Rádio Clube, onde partilhámos uma vida inteira de um ano. Antes de as dizer, pedia-me para as ler e para lhe dar opinião, se haveria alguma coisa a mudar. «Nada, Pedro», dizia. «Só a doença, Pedro», pensava. O Pedro juntou todas as crónicas e editou este livro. Morreu pouco tempo depois. Ficámos sozinhos. E é quando o releio que ficamos só os dois.

Crónicas da Sala de Espera, de Pedro Beça Múrias.

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a vulgaridade do génio

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Hoje, tudo é genial. À excepção do génio, que é vulgar. Hoje, ser genial é vulgar, banal, ordinário. Hoje, ser genial é ser o seu contrário. Hoje, é-se genial por um golo, por uma frase ou por uma música. Não é preciso consistência nem talento. Nada é mediano, razoável ou morno – nem mesmo bom. Nada é assim assim. Só assim, genial.

Se cuspimos genialidade a toda a hora a toda a gente que nos surpreende, então estamos a cuspir no verdadeiro génio. Estamos a cuspir no Maradona, no Shakespeare e na Amália. Um puto que mete uma vez a bola no ângulo não é um Maradona, um escritor com likes nas suas frases de Instagram não é um Shakespeare, uma miúda que ganha um concurso de música da televisão não é Amália.

Se dizemos, constantemente, a toda a hora, que aquele é um génio, que palavras nos restam para descrever aquele que, de facto, é um génio? Falha o respeito pela palavra e pelo génio. Se atribuirmos conceitos (que não são delas) às palavras, as palavras perdem força e nós perdemos força com elas. E, sem forças, não vamos a lado nenhum.

Vamos ao extremo buscá-las para lhes dar outros conceitos, outros corpos que vestir. A palavra génio veste o corpo do mediano, do razoável, do morno, do bom e de todas as outras que dizem absolutamente tudo o que simplesmente querem dizer, mas que não dizem nem significam génio. E, assim, pela preguiça de trocar de roupa, ficamos sem saber quem é quem e quem veste o quê. Até as palavras. Essencialmente as palavras.

Tudo é igual, tudo é irrelevante. Não tem nada que saber. É mais fácil assim. É mais simples compreendermos o mundo se o virmos dessa forma. Matam-se as palavras, matam-se os pensamentos. Nivela-se o mundo por baixo e, assim, cabemos todos nele. Aconchegadinhos, inertes e iguais. Sem génios, mas num equilíbrio vulgar, banal e ordinário que nos leva a lugar nenhum.

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o soldado que não voltou

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Memória. É ela, parece-me, que lhe comanda a vida. Não é o sonho, como diz a canção. O sonho deve ter-lhe morrido no instante em que lhe morreu um camarada por estilhaços de uma granada no meio do mato. Angola ou Guiné, escuridão de certeza absoluta. Ainda hoje.

A guerra, ou qualquer outra coisa muito pior, fervilha-lhe nos gestos, corre-lhe no sangue que lhe corre pelo corpo inteiro, nas pernas que não falham um passo, nas mãos que não falham uma reza, na boca que não falha uma passa do charuto que chupa todos os dias sentado num pequeno muro de pedra. Tem o batalhão inteiro a caminhar com ele e o dever patriótico de cumprir a missão diária que lhe dá razão aos dias.

Não sai da rotina, não muda o trajecto. Só quando chega a mãe, que lhe pede ajuda com os sacos das compras, é que ele despe a farda e sorri, cospe o charuto e fala, larga o tempo e ganha cor. Ela vai embora, ele volta. E volta às voltas que a memória lhe dá. Angola ou Guiné. Oeiras, 2019. Amor de mãe. 

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rip irreverente

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A maneira politicamente correcta de dizer que alguém é homossexual (como se fosse politicamente incorrecto dizer que alguém é homossexual – como se fosse sequer necessário dizer que alguém é homossexual) é dizer que é irreverente. E mais irreverente se torna (ou é tornado por quem o diz) assim que esse alguém morre.

O Beauté era um cabeleireiro irreverente, o Variações era um músico irreverente. Parece elogio, é engano. Parece qualidade, é farpa. Dizer que o Beauté era um cabeleireiro irreverente e que o Variações era um músico irreverente é fazer truque com a língua, é esconder a ofensa numa característica que nem aquece nem arrefece, mas que parece dizer uma coisa muito boa. Não é, é só sonsice de linguagem, é só homofobia camuflada.

Para esta gente politicamente correcta que diz que aquele era aquilo, aquele não era apenas homossexual, era paneleiro, maricas, rabeta, larilas, panasca – a lista de palavras é longa, como a estupidez de quem as cospe. Na sua boca, irreverente é, apenas, eufemismo para o insulto.

Ser homossexual não é ser irreverente, é ser pessoa. Sendo irreverente ou não, é ser, acima de tudo, pessoa. Mas a irreverência é a “qualidade” que lhe parece ser inata. A irreverência é fugir às regras, portanto, é ser homem e apanhar no cu. É o que quer dizer esta irreverência, palavra que, escondida pela suavidade de uma saudável rebeldia, mais não é do que arma de arremesso para quem a usa no contexto do adeus a um gajo do caralho que gostava era de caralho. Qual o mal? Qual a relevância sequer? Irreverente? Irrelevante.

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pura anarquia

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Uma espécie de Bíblia para os crentes na salvação do mundo através do riso. Deus é Woody Allen e tudo começa com Ele (atenção, letra grande por ser Woody, não por ser Deus) «lutando por conseguir respirar, com a vida a passar à frente dos olhos numa série de vinhetas melancólicas». Tudo o resto é o que se sabe: Deus a criar coisas sob a forma de crónicas tão vulgares quanto deliciosas. Ler, ver e ouvir Woody Allen é mergulhar, de cabeça, no caos. É lá que está a criação.

Pura Anarquia, de Woody Allen.

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está calor

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O jornalista diz que está calor.

No telejornal, no jornal, na revista, no site, em todo o lado. Onde há um jornalista, há um jornalista a dizer que está calor. E, para o jornalista provar que está calor – porque há pessoas que, sentindo calor, podem não saber que o que sentem se trata de calor – debita informação sobre o calor. Depois, mostra imagens de pessoas com calor e apresenta grafismos que indicam que, é verdade, está calor. Em estúdio, o jornalista entrevista um especialista em calor que diz que, realmente, está mesmo calor. O jornalista confirma que, realmente, está mesmo calor e passa, com alguma lentidão devido ao calor, para outro jornalista que está em directo de um sítio onde, pasme-se, está calor. O jornalista que está em directo de um sítio onde, pasme-se, está calor confirma que é verdade, está num sítio onde, pasme-se, está calor. Ao seu lado, estão várias pessoas, também elas, surpreendentemente, com calor. O jornalista pergunta se está calor. As pessoas respondem que está calor. O jornalista, surpreendido com a resposta e com o facto de, de facto, estar um calor dos diabos, devolve a emissão a estúdio com a relevante e pertinente notícia de que, sim senhor, está um calor dos diabos. O jornalista que está em estúdio, e em brasa por causa do calor, sorri, com alguma dificuldade por culpa do calor, pisca o olho para a câmara e diz que, sim senhor, está um calor dos diabos.

E o Jornalismo no Inferno. Até dá arrepios.

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as velas ardem até ao fim

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É bem possível que este livro não seja literatura, mas sim dança, ballet em pontas, levezinho, suave, de embalar, polvilhado com heavy metal, estrondo, barulho de realidade e escuridão. Este livro dança-se no subterrâneo, nos lençóis de água do ser humano, bem ao estilo soviético, sozinho, virado para dentro, com a melancolia própria do ser humano. Sem merdas, cru, poético, bonito.

As Velas Ardem Até ao Fim, de Sándor Márai.

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manual da felicidade

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É simples. Para quê tanta lamúria e xanax? A felicidade está aqui ao virar da esquina, como as putas. Para ser feliz basta ser quem se é.

Desde que se seja vegan, runner, crente e politicamente correcto. Que se ame homens, mulheres e criancinhas, mas mais ainda os animais e as florestas. Que se faça meditação, alongamentos e yoga, que se condene a medicina ocidental e se venere a oriental, a menos que estejamos mesmo a precisar e aí que se fodam os reikis e os búzios. Que se saúde o sol, se evite o glúten, a lactose e os fritos. Que se seja contra as leis e os patrões, contra tudo o que é contra e que se assine petições, se defenda as minorias e se faça manifs. Que se critique os programas de televisão, se veja netflix, se oiça podcasts e spotify, se compre discos, se vá a festivais. Que não se critique, só se elogie, não se diga mal, só muito bem. Que se respeite os comunas e os nazis, se aceite os burros e se lhes diga que podem conseguir tudo o que quiserem, basta acreditarem e se insulte os inteligentes por não entendermos o que dizem. Que se cague na educação, se escreva como nos apetece, se diga que tudo é genial e ridículo, consoante a inclinação. Que se tape o medo, as rugas e a celulite. Que se seja incoerente e se bloqueie toda a gente que fuja, dizendo, pensando ou sentindo, deste nosso modelo de felicidade. 

É assim que se faz, fingindo que se é feliz, que se vive de verdade.

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manhã

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Um livro que engana pelo nome. Muito mais noite do que manhã, este poema feito de poemas é um mergulho na infância e em todas as memórias a ela ancoradas. Uma escrita simples e bonita que engana por ser simples e bonita. Um livro para ler de manhã, ao adormecer.

Manhã, de Adília Lopes.

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está por um

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É urgente o amor. Em todo o lado, em toda a gente. Mas mais, muito mais urgentemente, no futebol. E não só no que já tem assistência. É urgente o amor ao futebol na sua essência, ao futebol que, na sua definição, já tem o adjectivo que lhe parece faltar: amador. E a culpa é, grande parte, de quem o joga. Sem arte. Sem amor. 

Não por não saber passar ou fintar ou marcar, apenas por não o saber jogar. Camaradas da magia e da sarrafada em coletes berrantes, uni-vos! Voltemos ao futebol como era dantes. Acabemos com quem está a acabar com a substância da peladinha. Esses iletrados que, numa futebolada rasgadinha, cometem o crime tão triste de não contar os golos marcados, só a diferença que existe. Não está 9-8, está por um. Está 1-0. Um zero, exacto. Esses insensíveis que só existem pela conquista e não pelo espectáculo. Esses imbecis que só querem saber se ganham ou perdem, não lhes importando saber quantos golos marcam ou sofrem. Para esses palermas, um jogo que tenha terminado 9-8 é um jogo que ficou por um, que terminou 1-0. São esses que, à beira da morte, resumem a vida inteira num cinzento “estive vivo”. Que desalento.

Esses coninhas da diferença mínima que nos querem substituir os sentimentos por calhaus. Esses seres desumanos que negam o meu golo ao ângulo, a minha assistência de letra e o meu frango admirável porque um 9-8, para eles, é um 1-0. É um jogo que está por um. Por um fio, sim. Esses ditadores do vazio que apagam a História, que lhe dão um fim, que nos dizem a nós, Winstons vigiados, que a guerra com o Eurásia FC não foi assim tão sangrenta porque foi só por 1-0. Esses limitados, no limite, dizem que nunca houve guerra. E, se é sempre para terminar por 1-0, talvez não devesse mesmo haver guerra. Nem paz. Não se faz.

Mais valia jogar sem balizas. Vamos tirá-las, não são precisas. E os jogadores também. Jogamos sem eles, não são amadores, não amam ninguém. E a bola, para que serve? Se já nem o sangue do golo ferve em quem a põe na gaveta. Já não faz sentido haver pé-de-chumbo, podão ou vedeta. Quem faz isto ao futebol é gente sem coração. Para estes idiotas, contar os golos dá muito trabalho. Vai-se a emoção. Vão para o caralho.

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lolita

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«Lolita, brilho da minha vida, fogo dos meus flancos. Minha alma, minha lama. Lo-lii-ta: a ponta da língua enrola no palato e desliza, três socalcos, até que estaca, ao terceiro, nos dentes. Lo. Li. Ta.»

Lolita, do Nabokov, é uma obra de arte que tanto dança na pontinha da faca como no meio da cama. É um corpinho liso e porco e criminoso que nos acorda aqueles pensamentos que não deveríamos ter para depois os acariciar com palavras que nos fazem sentir nojo por as achar tão belas. Lençóis sujos, cuequinhas rasgadas e estamos no paraíso e no inferno, no amor. Coisa mais bonita e proibida de se ler, feita de repugnância e de pedacinhos do céu.

Lolita, de Vladimir Nabokov.

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a minha aldeia

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A minha aldeia não tem lugar no mapa. Não se lá chega com gps nem com indicações na estrada. A minha aldeia está onde a gente não esquece. A minha aldeia está onde não está mais nada. A minha aldeia tem a forma da minha lembrança de quando, mais do que pequeno, eu era criança. 

A minha aldeia tem as mãos gastas que me passam pela cara para tocar o neto daquela, o filho daquele, o menino tão pequenino que agora está um homem feito. A minha aldeia tem os olhos brilhantes pela noção do tempo longe que não volta e do tempo perto que pouco falta. A minha aldeia tem meninas nos sorrisos das velhinhas e velhinhas meninas nos olhos dos velhinhos. A minha aldeia tem os pés assentes na terra escaldada do sol ardente e enlameada da chuva que molha a vida da gente. A minha aldeia tem a saudade cravada nos gestos. A minha aldeia tem o uniforme negro da capela branquinha que toca o sino dolente na tarde calma. A minha aldeia arrasta o corpo em procissões e baila o vinho nos arraiais. A minha aldeia tem ais. A minha aldeia tem a crueldade do campo e do gado. A minha aldeia tem gente fora que só vem de vez em quando para a festa. A minha aldeia é fado que arde em lume brando. A minha aldeia é esta. A minha aldeia tem o coração no sítio certo. A minha aldeia é tão longe de tão perto. A minha aldeia tem a mesa rica de gente pobre que mal tem para quem lá vive e tanto tem para quem lá vai. A minha aldeia tem muito vazio. A minha aldeia tem calor e tanto frio. A minha aldeia tem o corpo da gente velhinha que num destes amanhãs já não existe. A minha aldeia é muito alegre e muito triste. 

A minha aldeia não é lugar. A minha aldeia é corpo que existe nas coordenadas do meu. A minha aldeia sou eu.

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aventuras de joão sem medo

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Sou um medricas, tenho medo de tudo – o que não facilita nesta coisa da existência. Já o João não tem medo de nada, sacana do puto que me fez desejar-lhe a vontade do risco. O João mora num sítio muito triste que bem podia ser o interior das pessoas. Um belo (soturno) dia, decide que isto não é vida e decide saltar o muro para dar início a uma épica viagem de monstros, fadas e poesia.

Uma história que deveria estar na mesa de cabeceira de todos os adultos que, mesmo medricas, ainda têm coragem de sonhar. 

Aventuras de João Sem Medo, de José Gomes Ferreira.

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verão azul

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Mil novecentos e noventa e quatro, o Roberto Baggio falha o penálti e eu fico triste. O primeiro Verão de que tenho memória foi o mais feliz da minha vida. Éramos muitos, uns quantos adultos e uma catrefada de putos a partilhar um rés-do-chão de uma moradia em Lagos.

Havia um jardim, pequenino, em frente ao portão de entrada, e uma palmeira nesse jardim. Era lá que eu e os meus primos brincávamos. Havia uma piscina, mas só lá ia quem morava no andar de cima, nós não. Havia um grelhador com um adulto de boné sempre por perto, o meu pai ou algum dos meus tios. Cheirava a peixe e a carne grelhada. O melão era fresquinho e ainda hoje, dois mil e dezanove, me sabe àquele Verão. O meu primo João nunca queria ir despejar o lixo mas, na volta, já vinha a cantar. Também havia muito sol e sono depois de almoço. Mas os putos felizes não dormem, então, eu, o meu irmão e os meus primos íamos para o café jogar snooker e beber coca-cola. Os adultos ficavam em casa a dormir a sesta e a jogar às cartas. 

Às quatro horas, voltávamos para a praia. Corríamos, jogávamos à bola e tentávamos escavar buracos até à China – nunca conseguimos, por exclusiva culpa do mar. O regresso era feito de areia nos pés, alguns desaguisados entre primos e uma vincada falta de vontade de ir tomar banho. A vontade, mesmo que vincada, dos putos não prevalecia sobre a vontade, mesmo que branda, dos adultos e então lá íamos nós de burro preso para o banho. 

A alegria regressava num instante. Era Verão e era família. E eu era criança (o que ajuda muito nesta coisa da felicidade). Nada mais importava porque, para mim, nada mais acontecia além do que acontecia ali. E, numa televisão pequenina que estava na sala, o Roberto Baggio deu balanço. Olhou para o árbitro, olhou para o Taffarel e correu. Eu adorava o Taffarel, o Raí, o Romário e o Bebeto, mas adorava mais o Roberto Baggio. Torcia pelo Brasil porque não havia Portugal, mas fiquei muito triste com aquela bola por cima da barra. Felizmente, havia Verão partilhado naquele rés-do-chão de uma moradia em Lagos.

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declarações de guerra

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Não é um livro, é um estilhaço de granada. Declarações de Guerra conta, em carne viva, as vidas de ex-combatentes portugueses no Ultramar. As vidas que foram e as que ficaram, ditas por eles mesmos, furriéis, soldados, cabos, alferes, sargentos, todos eles destroçados por uma guerra que não era deles. Ficaram-lhes as vidas que já nem vidas são. Ficaram ninguém. Um trabalho excepcional de Vasco Luís Curado que esventrou o politicamente correcto para dar voz a quem não queremos dar ouvidos.

Declarações de Guerra, de Vasco Luís Curado.

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renascimento

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Nasci em 1985, mas a minha certidão de nascimento diz 1994. Foi após um electrizante empate a zero contra o poderosíssimo Gil Vicente de Cacioli, Dito e Mangonga que o meu pai nos deu à Luz. Manuel José Andrino Pereira, sócio nº 23070. André Filipe Ferreira Andrino Pereira, sócio nº 23071.

Passaram 25 anos e passaram memórias que hoje voltaram. Quase uma vida de mão dada e cachecol ao pescoço. Quase uma vida de uma vida inteira que é o Benfica. Que é mais do que o Benfica. É o meu pai.

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é mentira, mentira

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É assim que versa o refrão da música de um dos grandes da música portuguesa, Dino Meira. E é assim, também, que versa muita da massa noticiosa que navega por essas redes sociais. Massa noticiosa essa que bem nos tenta dar música. A uns consegue; a outros, bem pode continuar a tentar. Mas a verdade é que esses uns são cada vez mais e têm tanto poder na sociedade como os outros.

As fake news são, irónica e infelizmente, verdadeiras. Elas existem e propagam-se como doença por aqueles que não estão vacinados. Talvez se possam mesmo considerar como a grande epidemia do século XXI. Não provoca vítimas mortais como a peste negra ou como a sida, não enfraquece nem destrói o nosso sistema imunitário, não destrói os nossos órgãos, mas atinge aquilo que nos difere de todos os outros seres vivos neste lindo planeta: a razão. 

A Estratégia Digital da Desinformação

As fake news atacam-nos o cérebro com desinformação. É isso que fazem. Mas não é desde ontem que isto acontece. A divulgação de mentiras como verdades sempre aconteceu. No entanto, foi com o boom das redes sociais que elas se popularizaram, mais especificamente durante as eleições de 2016 que levariam Trump a ocupar o Trono de Ferro em 2017 (uma espécie de Joffrey dos tempos modernos – pedimos desculpa pela nerdice Game Of Thrones).

Durante esse período, foram divulgadas várias notícias falsas envolvendo, em muitos casos, opositores de Donald Trump, como Hillary Clinton. Várias empresas especializadas identificaram os seus autores, tendo mesmo acusado três agências russas – ah, o maravilhoso marketing político digital ao serviço do lado negro da força – aqui, pedimos desculpa pela nerdice Star Wars

Essas fake news eram divulgadas no Google e no Facebook, com links para diversos sites carregadinhos de mentiras e desinformação, não havendo escrutínio prévio de nenhuma destas empresas sobre estas notícias. Foi isso que tramou Zuckerberg – e que ainda está a tramar. A mãos com a Justiça, o puto que só queria arranjar uma forma de engatar miúdas da escola está agora a ser acusado de ter tido influência, não apenas na eleição de Trump, como também – e não menos grave – na filtração e na falta de protecção de dados de milhões de utilizadores. 

Facebook – O bom, o mau e o vilão

O Facebook é mais prejudicial do que útil? É esta a questão que o documentário “As Mentiras do Facebook” coloca. Esta é a rede social mais utilizada em todo mundo, ligando 2 mil milhões de pessoas. Mas será que esta união faz do mundo um melhor ou um pior lugar onde se viver?

“As Mentiras do Facebook” é um documentário que mostra o impacto que a rede social mais utilizada em todo o mundo tem na privacidade e na democracia a nível global.

Produzido com material inédito e entrevistas exclusivas a actuais e antigos funcionários a empresa, o documentário aborda as fake news, os discursos de ódio, o envolvimento em processos eleitorais, a filtração e a falta de protecção de dados de milhões de utilizadores. Este é um documentário que deveria ser obrigatório nas escolas.

Este é um documentário que – ele sim – deveria aparecer no feed de cada utilizador de Facebook. 

É verdade que, perante a gravidade dos factos, o Facebook comprometeu-se a cancelar contas e a bloquear o acesso publicitário aos sites com fake news. Mas isto de separar a verdade da mentira nunca foi fácil. E esta é uma tarefa que tem lugar num terreno simultaneamente paradisíaco e pantanoso: o mundo digital.

Aqui, os meios de comunicação tradicionais encontraram espaço para divulgarem a sua mensagem. O Marketing Digital ganhou (nova) vida e abriu-se uma caixa de Pandora. O problema é que esse espaço também foi encontrado pelos vilões, que também encontraram a caixa de Pandora aberta. Um Admirável Mundo Novo sem lei. E, não havendo lei, impõe-se a lei do mais forte. O mais forte é quem tem mais dinheiro. Simples e eficaz. E triste, também. Como o fado. E lá estamos nós a levar baile… “É mentira, mentira, é tudo uma mentira…” 

publicado no site da Bluesoft

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drs. não sabem comunicar

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Os jovens querem lá saber de Política! Estão interessados é no Instagram, no Youtube e no Fortnite. É uma geração perdida, é o que é, carregadinha de putos egoístas e mimados que só pensam neles. Querem lá saber dos outros… Querem lá saber da Política…

Os velhos de São Bento vs. Os putos da Internet

Como, certamente, percebeu, deixámos o Velho do Restelo escrever o primeiro parágrafo deste texto. Com a ajuda do Velho de São Bento, claro está. Ou melhor, dos Velhos de São Bento, que costumam andar por aquelas bandas a resmungar uns com os outros.

Mas foi só o primeiro parágrafo. Nada tema, caro leitor. Agora que já tirámos o Velho do Restelo (e seus amigos de São Bento) daqui, já podemos escrever a realidade das coisas. (Não se preocupe com os Velhos – estão ali entretidos com uma máquina de escrever e um pombo correio. Ainda não percebem como funciona esta coisa super recente do computador.)

Os Jovens e a Política: Amigos ou Inimigos?

Será que os jovens portugueses não querem mesmo saber da Política? Ou será que é a Política que não quer saber dos jovens portugueses? Do que falamos quando falamos de Política? Do que falamos quando falamos do interesse dos jovens pela Política?

Os jovens estão interessados no mundo que os rodeia. Os jovens estão interessados nas pessoas e na sociedade, na educação, no meio-ambiente, na economia, no emprego, no combate à corrupção, no combate à violência doméstica, na igualdade de género, na luta contra a pobreza. E manifestam-se, mostram-se, lutam pelos seus ideais e convicções. Não será isso Política? Não será isso fazer Política sem estarem engravatados num Parlamento às moscas?

Nós diríamos que sim, é Política. No entanto, parece haver um fosso entre os jovens e os políticos. Parece não haver comunicação entre os dois lados. E, neste caso, a culpa não é tanto dos putos, que bem se esforçam para se fazerem ouvir. A culpa é mais dos cotas, que não se esforçam para os ouvir nem sem esforçam para que os jovens os oiçam.

Em qualquer relação, tem de haver comunicação. E são sempre precisos dois para comunicar. Ninguém comunica sozinho.

Estou? Está lá? Não estou a ouvir: Comunicação Política, we have a problem

Vamos à parte teórica disto. Na base, está a comunicação. Se há dificuldade na comunicação política, é porque o Marketing Político não está a ser bem feito.

Como sabemos, o Marketing Político é uma série de técnicas que têm como principal objetivo manter a ligação entre um político e o seu eleitorado. Mas não só. A ideia também é conquistar mais eleitores para as próximas eleições.

Muitos desses eleitores são jovens. Se formos mais específicos, há 2.015.953 eleitores recenseados em Portugal que têm entre 18 e 34 anos. Esta massa jovem está esmagadoramente na Internet – não está na televisão nem na rádio nem nos jornais. Esta massa jovem comunica, intervém e faz Política (comunicando e intervindo), mas parece que os políticos não comunicam com ela. Porquê?

Comunicação Política para Totós

Vamos ser justos. Os políticos bem tentam comunicar. A comunicação está na base da Política e, se for bem feita, é sempre uma vantagem. Só que os políticos não sabem comunicar com os jovens. Eles têm sites, páginas de Facebook e de Instagram, contas no Twitter e, alguns, até têm podcasts. Mas, mesmo assim, não chega.

Há esforço, mas não basta estar na “rua” onde estão os jovens. Há que estar na “rua”, sim, mas ir bater-lhes à “porta de casa”. O político tem de estar na Internet, tem de estar nas redes sociais, tem de fazer lá a sua comunicação. Mas, essencialmente, tem de estar onde estes jovens estão. O político tem de comunicar nas redes daqueles que os jovens seguem. O político tem de entrar pela “casa” dos putos pelas mãos dos seus ídolos.

Uma das formas é o Collab.

Collab: uma Cataplana de Peixe ou um Arrozinho de Atum?

O que é isso da Collab? Ora bem, Collab vem de “collaboration”, colaboração, em português. A Collab acontece quando dois canais distintos resolvem colaborar para ambos os canais e, assim, apresentar o canal convidado ao seu público, mostrando um conteúdo que possa ser interessante para os seguidores de cada canal.

Collab, embora não pareça, é o António Costa ir ao programa da Cristina cozinhar uma cataplana de peixe. Antes, já lá tinha ido a Assunção Cristas cozinhar um arrozinho de atum. Isso é collab.

O que o António Costa e a Assunção Cristas lá foram fazer foi comunicar com o público da Cristina Ferreira. E bem. Mas o público da Cristina Ferreira não está propriamente entre os 18 e os 34 anos. Portanto, uma vez mais, estes mais de 2 milhões de eleitores ficaram de fora.

“De fora, mas onde?” Por favor, não diga que não sabe onde eles estão. Basta ir à Internet e fazer uma simples pesquisa. É facílimo saber onde estão os jovens, o que fazem, quando fazem, por que razão o fazem, o que procuram, etc.

Portanto, um político só não chega a estes jovens se não quiser. Além de colaborar com a Cristina Ferreira (ou com o Manuel Luís Goucha ou com a Filomena Cautela) – para chegar a outros públicos, também pode (deve) pensar em colaborar com os influencers das redes sociais – do Instagram ao Facebook, do Twitter ao Youtube – para chegar os mais jovens.

Marketing Político: Os Putos de São Bento sabem comunicar

Estudos demonstram que os novos meios de comunicação têm um enorme poder no desenvolvimento de uma relação próxima com o eleitorado jovem e na captação de novos eleitores.

A importância da Internet no Marketing Político é tanta que, segundo o estudo “The Internet’s Role in Campaign 2008”, esta tecnologia já ultrapassou as revistas e a rádio. A perspetiva aponta para que ultrapasse também os jornais, como fontes de informação sobre candidatos e eleições, nos Estados Unidos. E, como sabemos, é nos States que se ditam as regras.

O crescimento da utilização da Internet veio incutir uma certa pressão na necessidade de adaptação por parte dos políticos. E é justo considerarmos que os políticos portugueses têm ainda um longo caminho a percorrer no Marketing Digital Político para aproveitarem as vantagens oferecidas por este universo digital. Uma delas é comunicar diretamente com mais de 2 milhões de eleitores. E nem sequer precisa de lhes dar beijinhos e apertos de mão como (ainda!) faz nos mercados.

Os jovens querem saber de Política! Estão interessados no Instagram, no Youtube e no Fortnite e é lá que devemos comunicar com eles.

É uma geração que pode ser ganha por quem souber comunicar com ela, carregadinha de putos com ideias e vontade de mudar o mundo. Querem saber dos outros. Querem saber da Política.

publicado na Bluesoft

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amore à primeira vista

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Estávamos nós sossegadinhos da vida a fazer o nosso trabalho quando a seta do cupido nos atingiu. Foi mesmo em cheio no coração, ali entre a aurícula orgânica e o ventrículo online.

Ficámos vermelhos nas feições e irrequietos no batimento digital. Não sabíamos o que fazer, o que dizer, para onde olhar. Era mesmo fogo que ardia sem se ver. Estávamos apaixonados

Foi amor à primeira vista. Ou match, como se diz hoje em dia. Não sabemos. Seja o que for, foi amor. Olhámos para ela e ela olhou para nós! Nunca nos tinha acontecido isto, desta forma, com ninguém. É a magia do Marketing Digital. 

Amor é Estratégia Digital que arde sem se ver 

Perguntámos-lhe o seu nome e dissemos-lhe o nosso. Amore Nostrum, agência matrimonial que presta um serviço de matchmaking entre homens e mulheres que procuram o par perfeito. Bluesoft, agência de Marketing Digital em Lisboa que presta serviços de reputação digital, estratégia SEO, design e programação. 

Feitas as apresentações, convidámo-la para um café. Aceitou e sentámo-nos à mesa, a beber e a conversar. Disse-nos que era uma eterna romântica mas que, apesar das constantes tentativas em encontrar o amor, nunca teve muita sorte – “Procurei em todo o lado, na rádio, nos jornais e na televisão, até em publicidade paga, mas o que ouvia era sempre o mesmo: não!”. 

Achámos normal. Afinal, ela apostava apenas (e muito) nos meios tradicionais. “Encontrámo-nos no momento certo”, dissemos. “A tua vida já não é um deserto, o futuro somos nós, está nos digitais”. Ela sorriu de volta e disse que sim. 

Saímos várias vezes, fomos ao cinema, ao teatro e ao Google. Passeámos de mão dada, trauteámos a mesma canção e até descobrimos novas keywords. Pouco a pouco, fomos abandonando os meios tradicionais e investindo no Marketing Digital – com publicidade orgânica em detrimento da publicidade paga (tendo poupado o dinheiro para outros cafés, cinemas e teatros). 

Demos as mãos e, juntos, elaborámos um website – o mais completo e apelativo, muito mais do que um site de encontros. E, como um website nunca vem só, definimos uma estratégia digital de SEO (Search Engine Optimization), ou seja, uma série de métodos de otimizar um site para que os motores de busca (Google, Bing, Yahoo, Ask e outros) entendam o seu conteúdo como relevante e o mostre primeiro aos seus utilizadores. 

Definimos objetivos, keywords, conteúdos relevantes, corrigimos erros, acrescentámos links, apurámos o conteúdo e deitámos o olho a outras relações que víamos como modelo para nós. Resumindo, “apimentámos a relação” com a Estratégia Digital

Assim, com o tempo, fomos conseguindo gerar tráfego qualificado para o website e aumentar a rentabilidade e Visibilidade Orgânica. 

Bluesoft e Amore Nostrum: Numa Relação 

Hoje, nem nós nem a Amore Nostrum somos os mesmos que se cruzaram numa das ruas do mundo virtual. Hoje, temos uma relação sólida, cúmplice e carregadinha de amor e keywords – especialmente na primeira página do Google: “alma gémea”, “homem procura mulher”, “mulher procura homem”, “conhecer pessoas”, “par perfeito”, entre muitas outras. 

Temos muito orgulho em dizer que, fruto desta nossa relação, nasceu um blog onde, todas as semanas, a Amore Nostrum escreve artigos sobre fogo que arde sem se ver e que se apodera da gente, artigos sobre quem procura e sobre quem encontra, artigos com dicas, artigos com propostas e também poemas de amor – tudo o que a leve a obter resultados de forma orgânica. Tudo através do Marketing de Conteúdo

O tráfego aumentou em 216% desde que o website foi colocado online. E o mais espantoso é que o tráfego continua a aumentar. A nossa relação é feliz e vai de vento em popa. O segredo?

Bem, como em qualquer relação, investimos no amor ao digital e ao cliente. Acreditámos na Amore Nostrum e ela acreditou na Bluesoft. A confiança e o trabalho árduo por um objetivo comum fazem o resto. E seremos felizes para sempre. 

publicado no site da Bluesoft

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4x3x3, 4x4x2 ou 5x0x5

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É como se não fosse preciso meio-campo. Só defesas e avançados. O Odysseas bate o pontapé de baliza, o João Félix domina a bola e mete-a lá dentro. Nem Gabriel nem Pizzi. Para quem gosta de um processo rendilhado, não é lá muito bonito de se ver. Para quem gosta de eficácia, é esta a solução. Para quem gosta de figuras de estilo, tem aqui uma boa metáfora com a forma como a inovação tecnológica tem vindo a transformar a sociedade, erradicando o papel de intermediário.

São vários os exemplos: Uber, Airbnb, Ebay, OLX, Amazon, Crowdfunding, entre muitos outros. Em todos estes casos, há uma ligação direta entre os defesas e os avançados, anulando o papel dos intermediários. Mas já lá vamos, que esta metáfora do jogo da bola não pode avançar sem, primeiro do que tudo, apresentarmos as equipas.

Tecnologia e o seu Impacto na Vida Social e Política

É absurdo pensar a nossa vida sem tecnologia. De manhã à noite, em todos os momentos do nosso dia, perante qualquer situação, a tecnologia está presente. Se falha, é um caos, o nosso cérebro dá o erro HTTP 404 página não encontrada e só desejamos um shutdown urgente.

E, existindo esse impacto tecnológico em nós, é óbvio que existe esse impacto também na nossa vida com os outros e, por consequência, na vida política – neste âmbito, veja-se os casos paradigmáticos de Donald Trump e Jair Bolsonaro.

Impacto das Redes Sociais na Sociedade

Do Twitter ao Facebook, do Whatsapp ao Instagram, do Linkedin ao Tinder, as redes sociais existem na nossa sociedade como órgãos vitais dessa mesma sociedade.

A influência das redes sociais na sociedade é mais do que óbvia. E pesada. Se, por um lado, elas nos permitem saber tudo sobre qualquer coisa ou pessoa, partilhar as nossas opiniões e ter influência real nas vidas dos outros, por outro, elas também nos colocam numa situação vulnerável, enfeitiçados por um conforto de scrolls e likes que nos cria a ilusão de pertença.

As Redes Sociais como meio de activismo

Hoje em dia, é muito fácil para qualquer pessoa sentir-se parte de uma causa no mundo digital. Basta estar nas redes sociais, partilhar ideias, usar hashtags e assinar petições.

Em 2010, as redes sociais assumiram um papel ativo bastante preponderante no Médio Oriente. Tudo começou no Facebook e no Twitter, com marcações de protestos, e rapidamente se expandiu para a realidade “extra-virtual”. Centenas de pessoas de vários países daquela zona do globo foram para as ruas protestar contra os respetivos governos e regimes políticos. Tudo foi divulgado nas redes sociais e tudo ficou conhecido como a Primavera Árabe, uma revolução que teve como principal impulso o ativismo nas redes sociais. Sem esse meio de comunicação, dificilmente as pessoas teriam tido acesso à informação. Sem esse meio de comunicação, as manifestações seriam residuais.

Com as devidas proporções, em Portugal, a mais recente manifestação de protesto teve os enfermeiros como personagens principais. O elemento que diferencia esta de todas as outras greves feitas cá é a forma de financiamento.

Mergulho no Crowfunding

E que forma é essa? Bem, está no título, não faz sentido termos feito a pergunta. Crowdfunding é a resposta.

O Crowdfunding é uma forma de angariação de fundos online em que, quem quiser, doa dinheiro para uma causa ou projeto. Esta é uma forma eficaz de financiar o início de um novo negócio.

Essencialmente, existem quatro formas de angariação de fundos:

  1. Financiamento colaborativo – quem financia recebe um donativo;
  2. Recompensa – em contrapartida pelo financiamento presta serviço ou produto;
  3. Capital – a entidade financiadora obtém uma participação no capital social, distribuição de dividendos ou partilha de lucros;
  4. Empréstimo – a entidade financiada paga juros relativos ao financiamento.

Em Portugal, o PPL (people) é a plataforma de Crowdfunding de referência, com especial foco em projectos sociais, criativos e empreendedores.

Greve Cirúrgica

Esta greve dos enfermeiros ficou conhecida como Greve Cirúrgica. A recolha de fundos tinha como objectivo parar os blocos operatórios do Centro Hospitalar de São João, no Porto, de Coimbra e do Santa Maria, em Lisboa. O objectivo estava nos 300 mil euros. Foram angariados 360 mil. Como se achou pouquinho, foi criado outro Crowdfunding com o objectivo de angariar 400 mil euros. Foram angariados 424 mil.

Mais de 25 mil pessoas contribuíram para as duas campanhas de Crowdfunding e, no total, foram angariados mais de 784 mil euros. Há especialistas que alertam para a possibilidade de ilícito da atividade sindical. Até haver um veredito final, há que realçar o impacto destas iniciativas.

Comércio Tradicional VS Comércio Electrónico

Quando falamos de comércio, lembramo-nos, quase que instantaneamente, de um estabelecimento físico, antigo e com um senhor de bigode atrás do balcão. No entanto, com o avanço da tecnologia, surgiu o comércio eletrónico, uma loja onde os produtos já não estão à mão de semear do cliente.

Este tipo de comércio – comércio electrónico – pode ser definido como um conjunto de actividades comerciais que ocorrem online envolvendo um processo de compra e venda pela Internet.

E-commerce | O Evaristo tem cá disto

O e-commerce é um conceito que se refere a qualquer negócio ou transacção comercial que implique transferência de informação através da Internet. Quando devidamente implementado, o e-commerce é bem mais rápido, bem mais barato e bem mais conveniente do que os métodos tradicionais.

Marketplace | O Evaristo tem cá disto… e daquilo

Melhor, só mesmo o marketplace, que nos encaminha para um conceito mais colectivo de vendas online. Nesta plataforma, diferentes lojas podem anunciar os seus produtos, dando ao cliente um variado leque de opções.

Para os clientes, o marketplace é vantajoso porque apresenta mais praticidade. Aqui, ele pode ver, num só site, ofertas de vários vendedores, podendo comparar e escolher o melhor produto de forma mais fácil. Além disso, pode comprar vários produtos de várias lojas diferentes e efetuar apenas um pagamento, em vez de passar por múltiplos processos de pagamento em vários sites.

No caso de um online marketplace, o cliente vai ao site da Loja X e escolhe o produto que está a ser vendido e enviado pela Loja Y. Já no caso do e-commerce, o cliente vai ao site da Loja X e escolhe o produto que está a ser vendido e enviado pela própria Loja X. É esta a grande diferença.

Plataforma de E-commerce | O Ringue do novo Comércio

Mas não há razões para diabolizar o e-commerce. Pelo contrário. Os exemplos que iremos dar operam, essencialmente, no plano digital, através de apps e/ou sites, sem recurso a lojas físicas:

  1. No caso da Uber e das outras plataformas semelhantes, os motoristas e os clientes dispensam os intermediários (os antigos donos das frotas de táxis);
  2. O Airbnb é semelhante, na medida em que eu posso arrendar directamente o meu espaço ao meu cliente sem a necessidade de qualquer intermediário das Remaxes desta vida;
  3. O mesmo acontece com a Amazon, como Ebay ou como OLX, onde os intermediários são perfeitamente dispensáveis. Quem tem o produto, coloca-o à venda; quem quer o produto, compra-o. Não existem os tradicionais donos das lojas que cobram um valor para intermediar o negócio;
  4. O recurso ao Crowdfunding, no caso da greve inorgânica dos enfermeiros portugueses, deixou para segundo (ou até mesmo e terceiro) plano organizações tradicionais como os sindicatos.

Como criar uma Loja Online

Se tem um produto e se quer vender esse produto, ganhando algum dinheiro e, quem sabe, enriquecer até ser um multimilionário de charuto na mão e Ferrari nos pés, aponte: para começar um negócio online, assegure-se de que o seu produto é de nicho e que os consumidores têm dificuldade em encontrá-lo nos grandes centros comerciais.

5,3 milhões de portugueses estão online, 78% dos utilizadores de Internet já fizeram compras online e 11% de todas as compras são feitas através de comércio electrónico.

Voltemos à metáfora inicial. Talvez tenhamos exagerado nisto de jogar sem meio-campo, até porque, neste caso, nós fomos o Pizzi ou o Gabriel do seu futuro golo. Fomos nós que recebemos a bola, que a acarinhámos e que a entregámos de bandeja a vossa excelência ponta de lança de alta qualidade que só tem de a encostar lá para dentro. É goooooolo!

publicado na Bluesoft

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welcome to the freak show

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Claro que o Conan Osíris ganhou o Festival da Canção. Não é surpresa nenhuma. E até é bem provável que ganhe o Festival da Eurovisão. Não me admirava nada. Não é a música que ganha neste festival. Nunca é. É a diferença.

No ano passado, ganhou a gorda israelita japonesa das galinhas. Como era a música? Pois, também não me lembro. Há dois anos, ganhou o Salvador. A música era, de facto, música. E lembramo-nos dela. Mas foi a diferença que ganhou. Um puto sozinho em palco com voz, sem dança nem explosões. Diferente de tudo o resto. Felizmente, coincidiu com uma música que era, de facto, música.

Já venceu um grupo de selvagens que vieram além da muralha para cantar heavy metal, Lordi, e um homem que é mulher que tem barba e vestido de gala, Conchita Wurst. Como eram as músicas? Ninguém se lembra, não interessa. A Irlanda já concorreu com um peru, a Itália com um macaco e a Ucrânia com uma espécie de hamster. As músicas eram todas maravilhosas, não eram? Pois. A Polónia já levou um saltitante grupo de mamas a baterem manteiga em palco, sim, um saltitante grupo de mamas a baterem manteiga em palco (vale a pena pesquisar) e a Moldávia já levou gnomos do Boom Festival. Que músicas lindas, não eram? Exacto. A Áustria já deitou fogo a um piano e a Ucrânia já enrolou um Boy George em papel de alumínio. E a música? Ahn-ahn. A Letónia já optou por piratas, o Montenegro por astronautas e a Rússia por velhinhas de um rancho lá do INATEL Estaline. Músicas lindas, lindas, lindas… A Bielorrússia já pôs um loiro nu a uivar com um lobo e até nós levámos o Jel e o Falâncio sendo Jel e sendo Falâncio. Pois.

Não é surpresa nenhuma o Conan Osíris ter vencido o Festival da Canção e estar nos favoritos a vencer a Eurovisão. Não é música e é diferente. Está ganho.

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o verdadeiro dono disto tudo

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O Marketing de Conteúdo é a trave-mestra do Inbound Marketing. Já lá vamos a este. Por agora, deixe-nos continuar com esta metáfora ao nível da construção. Passamos a explicar: tal como uma trave-mestra, também o marketing de conteúdo é o elemento que suporta a maior parte das cargas de uma construção. Neste caso, a construção de uma marca.

Esta trave-mestra baseia-se na produção de conteúdo digital relevante para o público-alvo, sejam eles conteúdos profissionais, educacionais ou meros conteúdos de entretenimento.

E atenção que estes conteúdos, ao contrário do que muito boa gente anda para aí a dizer (e a fazer), não se devem centrar na marca nem nas vantagens ou desvantagens dos seus produtos. Pelo contrário. Estes conteúdos devem acertar bem no público-alvo e nos seus problemas, nas suas dores, nas suas dificuldades. Tocando-lhe na ferida, o público-alvo vai sentir ainda mais a ferida. Sentindo ainda mais a ferida, vai querer tratá-la. Querendo tratá-la, vai procurar uma solução. Procurando uma solução, encontra a sua marca. Afinal, a sua marca já lá estava. Foi ela que lá foi mexer.

Como fazer Marketing de Conteúdo?

Mas não basta tocar na ferida e apresentar logo um estojo de primeiros-socorros. Não é assim tão fácil. Também não precisa de tirar nenhum curso. No entanto, é preciso saber o que se faz e não andar para aí a fazer biscates.

É aqui que entra o Marketing de Conteúdo. Antes de mais, é importantíssimo planear correctamente e antecipadamente todos os conteúdos que precisa, organizar a sua equipa e definir objectivos para cada um dos seus conteúdos. Implementada a estratégia, o passo seguinte é a dedicação.

É preciso perceber como cada um dos formatos de conteúdo (redes sociais, email marketing, vídeos, podcasts, templates) funciona. É preciso saber onde os divulgar e como os divulgar de forma a chegar ao maior número de pessoas possível.

Estratégia de Marketing de Conteúdo

É preciso pensar na maneira de distribuir este conteúdo, é preciso pensar na maneira de aumentar a audiência e medir resultados.

Vamos, assim, dividir o marketing de conteúdo em seis etapas:

  1. estratégia e análise matemática de público alvo;
  2. planeamento;
  3. elaboração da persona;
  4. criação de conteúdo;
  5. distribuição;
  6. medição de resultados.

Estas etapas têm de estar presentes numa estratégia de marketing de conteúdo (ou, como dizem os estrangeiros e os hipsters, content marketing). Não as seguindo, será mais difícil atingir os objectivos propostos. E, para isso, é necessário cumprir 10 pontos-chave para ter um conteúdo de qualidade e, por consequência, um website optimizado:

  1. relevância e contexto: o google já analisa temas e contexto e não apenas keywords;
  2. volume de conteúdo: mais de 900 palavras por página (não precisa de contar, esta página tem 1278 palavras);
  3. imagens e vídeo: uma imagem tem de ter mínimo de 32px por 32px (como esta aqui em cima);
  4. gramática e ortografia: quase metade dos clientes abandonam um site com ortografia e gramática pobres, portanto, nada de escrever com os pés. Se sabe escrever bem, escreva bem; se não sabe, arranje alguém que saiba;
  5. legibilidade: o texto tem de ser lido e entendido facilmente. Ou seja, nada de advogados nem de redactores do Diário da República;
  6. formatação: 79% dos utilizadores apenas passam os olhos pelas páginas web, não ficando por lá muito tempo – seja cativante;
  7. expertise: é importante usar estudos de caso, situações reais e com dados, para que a informação tenha mais credibilidade e o Google a possa entender como tal;
  8. partilha nas redes sociais: acelera o tempo de indexação e mostra que há uma interacção importante entre os vários meios de comunicação;
  9. links internos e externos: essencial;
  10. qualidade dos comentários: elevado número de comentários é interpretado como conteúdo de qualidade. Mas atenção ao conteúdo dos comentários. Se a maior parte das pessoas for ao seu site destruir o seu artigo, então sai o tiro pela culatra.

Marketing de Conteúdo VS Inbound Marketing

Já sabemos que o Inbound Marketing é uma série de estratégias de marketing que têm como principal objectivo atrair e converter clientes usando conteúdo relevante. Mas nunca é demais saber. E também já sabemos que são várias as etapas para atingir o objectivo definido pelo Inbound Marketing:

  1. atrair
  2. converter
  3. relacionar
  4. vender
  5. analisar

O objetivo principal é fazer com que o seu público-alvo respeite a sua marca e a tenha como referência.

Marketing de Conteúdo VS Publicidade Paga

E voltamos ao clássico duelo entre marketing de conteúdo e publicidade paga: em qual se deve investir para alavancar o seu negócio na internet? O campo de batalha é o marketing digital.

Todas as marcas querem conquistar clientes e aumentar as suas receitas. Para isso, em primeiro lugar, têm de tornar o seu negócio conhecido. Uma das hipóteses em cima da mesa é a publicidade paga.

Quais são as vantagens da publicidade paga? Um bom anúncio consegue alcançar as pessoas certas e no melhor momento. As campanhas no Adwords ou no Facebook são excelentes opções para promover o seu negócio e a sua marca de uma forma direccionada, segmentada e mensurável.

Por outro lado, temos o marketing de conteúdo. Quais os seus benefícios? Pois bem, seguindo as práticas adequadas, é bem possível que aconteça o seguinte:

  1. criação de brand awareness: o reconhecimento da sua marca aumenta;
  2. criação de leads: o Marketing de Conteúdo consegue obter informações de possíveis clientes e qualificá-los;
  3. melhoramento do engajamento com a marca: mais interações e, consequentemente, mais empatia com o público;
  4. diminuição do custo por venda: se o custo para ter um cliente é elevado, então talvez não valha a pena;
  5. aumento de vendas: é possível guiar os leads por todo o processo de compra e prepará-los para a tomada de decisão.

A Importância de um Blog e da Produção de Conteúdos para uma Empresa

Num estudo realizado pela HubSpot a respeito da importância das empresas terem um Blog e produzirem conteúdos, chegou-se à seguinte conclusão:

  • Uma empresa que tenha um Blog recebe 55% mais visitantes, 97% mais links orgânicos e indexa 434% mais páginas no Google;
  • Cerca de 69% das empresas atribuem a geração de leads ao sucesso dos seus blogs;
  • A Nielsen referiu que nos Estados Unidos os utilizadores de internet passam três vezes mais tempo em blogs e redes sociais do que a ler e-mails;
  • O inbound marketing custa 62% menos por lead do que o outbound marketing.

SEO e Marketing de Conteúdo

Como é óbvio, não nos podemos esquecer do nosso velho amigo SEO (Search Engine Optimization). Não basta criar conteúdo relevante para o seu público. É preciso que o seu público veja esse conteúdo. E, posteriormente, haver a chamada gestão de conteúdo.

Assim, é importante usar algumas técnicas de SEO de forma a posicionar a sua página nesse vasto mundo que é a Internet:

  1. analisar as informações obtidas com as keywords;
  2. rastrear tráfego e links por conteúdo;
  3. criar relações com influenciadores no mundo digital, os chamados influencers;
  4. gerar uma estratégia de marca sólida e eficiente através de conteúdo com interesse;
  5. certificar que o site possui uma boa experiência para o utilizador e para os mecanismos de busca.

Mais do que pensar no perfil exacto do seu público-alvo, é importante pensar nos seus problemas e como ele os procura resolver. Estar lá, tocar na ferida e andar lá a escarafunchar. O futuro cliente vai sentir ainda mais a ferida. Sentindo ainda mais a ferida, vai querer tratá-la. Querendo tratá-la, vai procurar uma solução. Procurando uma solução, encontra a sua marca. Afinal, a sua marca já lá estava. Foi ela que lá foi mexer. E é esta a trave-mestra para a criação e sustentação da sua marca. Agradeça ao content marketing, o verdadeiro Dono Disto Tudo (sim, somos uns hipsters).

publicado na Bluesoft

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um autêntico festival

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Amigo leitor, como está? Antes de começarmos a nossa conversa, deixe-nos lançar-lhe um desafio: abra o Google e pesquise por “publicidade paga”. Muito bem, qual o primeiro site que lhe aparece? Exactamente. Agora, pesquise por “publicidade orgânica”. Qual o primeiro site que lhe aparece? Isso mesmo. Sabe por que é que isso acontece? Porque nós sabemos o que estamos a fazer. E porque dominamos a Internet, claro. Ou parte dela, vá. Só aquela que queremos.

Publicidade Online – tudo é Publicidade, tudo está online

Divulgação de uma marca, ideia, produto ou serviço através das ferramentas disponíveis na Internet. Muito resumidamente, é isto a publicidade online. Aprofundando um bocadinho mais a sua definição, podemos dizer que a publicidade online pode ser colocada em prática através das redes sociais, de sites próprios ou de e-mails. O essencial é garantir o investimento em publicidade na Internet, uma vez que esta é uma rede onde está, bem vistas as coisas, toda a gente. 

Temos os banners, os links patrocinados, o e-mail marketing e muitas outras formas de chegar ao cliente. Não esquecer as nossas queridas keywords e técnicas de SEO (Search Engine Optimization).

Todos sabemos o que é publicidade online e o que é necessário para que ela nos ajude a atingir os nossos objectivos. Falámos de publicidade online no tal artigo para o qual o amigo leitor é encaminhado assim que pesquisa por publicidade paga e/ou publicidade orgânica. Publicidade digital, objectivos da publicidade, objectivos da marca, estratégias de marketing, está tudo lá. 

O que é a Publicidade?

Mas vamos dar um passo atrás. O que é a publicidade? O Dicionário Priberam da Língua Portuguesa diz que é um substantivo feminino; qualidade do que é público; vulgarização, divulgação; promoção de produto ou serviço através dos meios de comunicação social; mensagem que publicita esse produto ou serviço = anúncio.

Ora, o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa diz muita coisa, mas não diz tudo. E o que nós acabámos de fazer aqui foi publicidade orgânica (porque o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa não nos paga) ao Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Mas vamos ainda mais a fundo nisto da definição de publicidade. 

Publicidade é dar a conhecer um produto incitando ao seu consumo. É a chamada arte de sedução. Por exemplo: se, hoje, noite de São Valentim, o amigo leitor está a ler este artigo, é porque fez uma má publicidade de si próprio ao seu alvo amoroso. Voltemos ao que nos trouxe cá – ou melhor, ao que o trouxe cá. 

A publicidade envolve muito mais do que a compra de um produto. Publicidade também está presente nas nossas relações sociais e culturais. É por isso que os publicitários estão sempre atentos às tendências culturais e comportamentais da sociedade. Assim, a identificação com o consumidor é muito mais próxima. 

Ou seja, a publicidade é um espelho da sociedade da sua época, uma vez que reproduz os comportamentos e os valores vigentes. 

Publicidade Paga – A Conta vem no Fim

Não há cá almoços grátis. E, por almoços, dizemos publicidade. Bem, em rigor, a publicidade pode ser grátis per se (ui, uma expressão em latim só para marcar aquela posição), mas acaba por envolver sempre um investimento. Podemos falar de publicidade orgânica (não paga) mas, agora, vamos falar de publicidade paga. 

A publicidade paga tem uma grande variedade de benefícios para as empresas, sendo que os mais comuns são os seguintes: 

  • Várias opções de publicidade direccionada que podem encaixar nos mais variados tipos de orçamentos;
  • Aumento do reconhecimento da marca;
  • Maior facilidade em atingir o seu público-alvo. Mas, como já falámos por diversas vezes, a publicidade paga tem os seus defeitos, entre os quais se destacam o alto custo, o tempo limitado e a concorrência elevada. 

Em qualquer um dos casos, há que ter atenção a um tipo de publicidade que ainda afecta mais do que qualquer outra: a publicidade enganosa. Se o cliente se sentir enganado ou, pior, se tiver a certeza de que está a ser enganado, é o fim. 

Fyre Festival – Os Piratas das Caraíbas 

Foi o que aconteceu com o Fyre Festival, um festival de música que teria lugar em 2017, numa praia paradisíaca das Caraíbas. 

Teria lugar porque, de facto, nunca chegou a acontecer. Se vai varrendo, como nós, todas as séries e documentários que aparecem na Netflix, então já deve ter visto ou, pelo menos, ouvido falar deste “Fyre: o Grande Evento que Nunca Aconteceu”. Em pouco mais de uma hora e meia, pode ver os bastidores do fracasso deste festival. 

Muita coisa aconteceu para que tudo terminasse assim. Essencialmente uma que, neste caso, é a que mais nos importa abordar: a importância das redes sociais na sua divulgação e, também, na sua condenação.

Uma “experiência musical imersiva”. Era assim que o Fyre Festival se apresentava. Teria lugar em 2017, no cenário idílico das Caraíbas, com miúdas maravilhosas, homens carregadinhos de abdominais e comida, bebida e música até à eternidade. 

Fyre Festival On Fyre

A estratégia dos organizadores – Billy McFarland e Ja Rule – era simples: seduzir os chamados influencers que navegam nos mares das redes sociais. Então, começaram por fazer uma festa na ilha com supermodelos e influenciadores. Bella Hadid, Alessandra Ambrósio, Hailey Baldwin, Emily Ratajkowski, Kendall Jenner, Elsa Hosk, Lais Ribeiro e muitas outras foram filmadas a correr pela praia, a mergulhar, a comer, a beber, a andar de jetski … Águas transparentes, areia branca, enfim, um autêntico paraíso. Tudo vivido por estas beldades. Tudo partilhado no Instagram. Tudo num vídeo promocional bem filmado, bem editado, bem tudo. 

Em 48 horas, foram vendidos 95% dos bilhetes, que custavam uma batelada de dinheiro. De milhares a centenas de milhares de dólares, de acordo com o tipo de acomodação e outros miminhos. 

Mas esses miminhos revelaram-se umas chibatadas. Assim que saíram do avião (comercial e não privativo, como anunciavam no vídeo de divulgação), depararam-se com o inferno: tendas inundadas, desorganização, falta de comida e de água, escuridão, som deplorável, malas perdidas… Até os artistas que deveriam subir a palco começaram a cancelar as suas presenças – Blink-182, Disclosure, Major Lazer, entre outros.

O festival vendeu nas redes sociais só as coisas maravilhosas e deixou de lado os problemas. Um clássico dos tempos modernos. 

Fyre Festival – Internet, We have a problem

Et voilà, começou a demolição. Antes da festa, os organizadores foram expulsos da ilha e tiveram de encontrar outro lugar para fazer a festa. Seguiu-se a criação de um site para denunciar tudo o que estava a acontecer de errado com o evento. De um momento para o outro, o baralho de cartas ruiu.

Um festival que nasceu nas redes sociais acaba por morrer nas redes sociais. Outro clássico. Para o fazer nascer, supermodelos divulgaram o festival nas suas redes sociais. Para o matar, um puto com 400 seguidores colocou uma foto no Twitter com um pobrezinho pão com queijo – muito longe da comida prometida pela organização do Fyre Festival. A ironia dos novos tempos.

Muita gente perdeu muito dinheiro. McFarland, o empresário e mastermind de tudo isto, foi processado e preso. Os influencers também não se ficaram a rir, pois tiveram influência – lá está, com o próprio nome indica – na criação da ilusão deste festival. 

Pode não ter sido um festival de música, mas foi um festival de trafulhice que nos deu duas lições que já deveríamos saber de cor:

  1. não devemos acreditar em tudo o que está na Internet;
  2. o poder da publicidade é assustador. Buh! 

Calma lá, este artigo está na Internet – devemos acreditar nele? Tan taaannn…

publicado na Bluesoft

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