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o esquecimento

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Não nos ensinaram o esquecimento. Nem os professores, nem os pais, nem os amores. Só os ais que vamos berrando enquanto a vida nos vai mostrando o que é a vida. Ora coisa lembrada, ora coisa esquecida. E, num instante, durante, somos nada. Esquecemos. Deixamos de lembrar. Queimamos o que aprendemos, sabemos, conhecemos, não por nossa vontade, mas pela triste fatalidade do deixarmos de estar. O meu tio esqueceu. Não sabe quem é ninguém – parece, não sabe quem sou eu – esquece. No lar, refém da cadeira e da vida, já não tem a brincadeira que tinha antes da despedida. Não tem olhar no olhar nem estado na forma de estar. Está assim, parado, pertinho do fim de ter estado. E eu olho para ele, do lado de fora, vejo uma espécie de frio, vejo e não vejo o meu tio, ele está mas já foi embora. O meu tio esqueceu. Não é dele este lamento. Lembra pouco, talvez demasiado, o que viveu, e sofrem outros como eu por não lhes terem ensinado o esquecimento. São lamentos meus, não do meu tio. Digo-lhe adeus do portão. Ele sorriu. Também o meu coração.

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sei que estás

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sei que estás
que me lês
e eu peço que não vás
sou ainda o que tu vês
sabes que estou
que te leio
não me peças, eu vou
tu bem vês que eu anseio

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sopa

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Desde criança que sou fiel ao artigo 1.º da Constituição da República das Crianças, alínea a) que diz que “toda a criança tem o dever humano, cívico e patriótico de odiar sopa”. Agora adulto, embora ainda criança, sou capaz de cometer o (maravilhoso) crime de adorar uma sopa da pedra, mas só. Continuo fiel ao André criança quando era criança. E, nesse tempo, fiel ao manual imaginário, rejeitava qualquer tentativa maternal dessa tortura chamada comer a sopa. Olhava o prato, cheio, sempre cheio, o sacana do prato, e evitava a colher, a de sopa junto ao prato, a de pau junto à mãe. E resmungava. A sopa está muito quente, está muito fria, está muito sopa. E, enquanto ganhava tempo para a fatalidade da ingestão de batata e legumes esmigalhados com água, olhava o admirável voo da mosca que, todas as noites, me sobrevoava a cabeça a gozar comigo ou a incentivar-me ao cumprimento da lei inventada. Eu lá ia perdendo infinitos com asas nos olhos e a minha mãe lá ia perdendo paciência com a colher nas mãos. E, no fim, apesar da minha luta pelo respeito ao mandamento irreal, perdia eu e perdia o prato, que perdia a sopa que lá tinha. E eu ali, derrotado, triste, desolado, mas de punho em riste para a próxima batalha na cozinha.

(eu contei isto tudo à Maria Carvão ® e ela fez esta coisa bonita)

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irmão coração

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Amanhã vou aprender as letras, tenho medo de não conseguir, dizia eu. Amanhã vou aprender as letras, estou tão entusiasmado, dizia ele. O meu irmão sempre olhou a vida de joelho levantado, pronto a correr com ela – ou contra ela, se fosse preciso. Eu não. Preso ao chão, indeciso, braços fechados e olhar escondido (embora nunca fechado), sempre olhei a vida desconfiado. Mas fui mudando, pouquinho sozinho, mas tanto com ele ao lado. Não deixei de ser o que era no epicentro, mas comecei a ter coragem para ser o que não era e queria ser por dentro. O meu irmão trouxe-me as pernas do sonho, o arranque do desconhecido, a coragem do coração. Eu, sem ele, escondido, continuaria a ser o que era, sonhando, desconhecendo e amando, mas sem o amor – que é o impulso da vida passando – que tenho pelo meu irmão.

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é o improviso a acontecer

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Lembro-me de ser pequenino e de ter, pequenino, vontade de ser maior, de ter, fazer, olhar, criar amor – qualquer coisa que fizesse os outros felizes por instantes que, nisto da felicidade, os deslizes são constantes e o imprevisto tanto anima como entristece. E eu, desde pequenino, improvisava, e procurava ser acima para ajudar, estar do lado deste não-estado para estar. Sempre tentei ver de fora para ver, atento e espantado com o tempo passado a correr. Ajudando. E acho que tenho ajudado, mas a verdade é que fica tarde e eu vou estando posto de lado. De fora, consigo ver, mas é de dentro que preciso ser, maior. É o improviso a acontecer, amor.

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o recreio sempre foi

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O recreio sempre foi o lugar dos sonhos. Atrás das casinhas que eram salas de aula, sonhava-se como as crianças devem sonhar, vivendo o que sonham. A minha vida, naquele recreio, foi quase sempre a de camisola dez do Benfica, de Luz cheia até ao terceiro anel e de bolas no ângulo. Agora, estão as bolas no chão e os sonhos não estão. Tomaram lugar as lembranças de quando, mais do que sonhos, éramos crianças.

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havia aqui um escorrega

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Havia aqui um escorrega gigante que demorava seis meses a subir e cinco segundos a descer, ora sentado ora em pé, a correr, para os mais fortes e corajosos e completamente loucos. Cheguei a ser tudo isso graças a esse topo do mundo feito de ferro. Havia aqui um baloiço onde eu me lançava ao céu de pernas esticadas e a tremer. Havia aqui muros riscados a pedaços de tijolo para o jogo do três em linha. Havia aqui barrocas para os berlindes, os abafadores e as pitoninhas. Havia aqui uma pista de alta tecnologia manual onde se faziam corridas de caricas. Havia aqui bicicletas que subiam e desciam e joelhos que esfolavam e rabos que raspavam na radical descida dos skates. Havia aqui infância pura sem futuros e com cheiro a eucalipto e a leite achocolatado dos Tempos Livres. Havia aqui eu. E ainda há. Nada se perdeu, especialmente tudo o que já não está.

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feitos de escuro

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Somos seres feitos de escuro. Seres sós. Os tecidos, os órgãos e os sistemas do nosso corpo são apenas coisa irrelevante que nos limita o constante do futuro, não são nós.

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parece que a escuridão

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Às vezes, parece que a escuridão ganha forma de rosto – como se a emoção fosse o oposto do que se deveria ver, nada, vazio, escuro, ausência, bruma, coisa nenhuma. Mas vejo o rosto que ganha forma na escuridão, não sendo rosto, não sendo. Não. Não é rosto, nem sequer escuridão. É espelho meu, espelho meu, o rosto sou eu, o resto é ilusão.

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cão outono

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É Verão, e o meu cão Outono. Calor cá fora, e ele, devagarinho, passo a passinho, olha o seu dono com outro olhar. Olha mais perto por estar mais perto de acabar. E lentamente, olha a gente que o sente, que o lembra arrebitado, e ele olha de volta e volta para a volta que o mantém acordado. E eu não cedo perante a tristeza. Tenho medo, mas tenho a certeza da sua felicidade. Também a minha de o lembrar, de o ver olhar apesar dos pesares da idade. É Verão, e o meu cão é Outono. Ão ão, dá a patinha ao dono.

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ela à minha espera

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Três dias depois, regressei a casa. Não foi tempo nenhum, mas foi tempo suficiente para estar ausente ela à minha espera. Esteve o dia inteiro a pensar na melhor forma de me dizer saudades e de se mostrar contente, feliz, eufórica por me voltar a ver – mesmo que por apenas três dias ausente. Foi buscar os meus dois livros e uma das minhas pulseiras. Foi buscar um boneco do Benfica. Foi buscar o senhor Alfredo, tão importante para mim como para ela, tão família minha como família dela – foi ele, este homem de bigode muito parecido com uma marioneta, que lhe alegrava todas as noites de um ano quando ela era pequenina, quando me ligava em videochamada, não para falar comigo, mas com o senhor Alfredo que, todas as noites de um ano quando ela era pequenina, falava com ela com a inocência de um homem do campo que a fazia rir e estar atenta e rir e perguntar e rir e falar e rir e, acima de tudo, acreditar. Escreveu-me que eu era fixe e escreveu o que o Vitorino lhe disse para mim. Escreveu-me um desenho e escreveu-me um poema. Recebeu-me assim, com a vontade mais pura e inocente de me agradar. E eu, chegando, deixei-me abraçar. Mas, acima de tudo, acreditar.

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levado pela corrente

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Senti-me mais perto quando me afastei. Custou o frio da água, mas nada mais. Olhei o longe e mergulhei, como se tivesse entrado na primeira dimensão da nossa vida, na placenta da mãe, desta vez, porém, na placenta de mim mesmo. Nadei até onde consegui e parei. Emergi. Fiz-me pesado para cair – o peso leva-me ao fundo – para ver se tinha pé. Deixei-me ir, queria tocar o mundo, mas vi que não era no fundo que ele estava. Deixei-me levar, fosse o que fosse, e vi-me a boiar. Boiava, e o mar salgado fez-se doce e eu fiz-me parte do mar. Senti-me mais perto quando me afastei. Mais perto de mim, afastado da gente. Mergulhei sem um fim, e deixei-me assim, levado pela corrente.

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solidão, uma proposta curricular

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A solidão devia ser ensinada na escola. Devia ser uma disciplina, mas das obrigatórias, como Português e Matemática. Talvez até mais obrigatória do que essas. Não, de certeza mais obrigatória do que essas. Antes da primeira letra ou do primeiro número, já o nosso peito fez as contas ao aeiou da solidão. E ela vai-nos existindo ao longo da vida, especialmente em épocas de recurso. Mas sem qualquer ensinamento. Sem nenhum dicionário nem tabuada do ratinho que nos ajude a lidar com ela – uma espécie de tabuada do um, na sua primeira multiplicação, sempre um vezes um, até decorarmos que, de facto, um vez um é mesmo um e que tudo o resto é elevado a ilusão.

A solidão devia ser ensinada na escola. Um módulo em cada semestre: Solidão – Introdução ao Estar Sozinho; Solidão – Ser Sozinho Não é Não Ser; Solidão – Estudo do Meio; Física e Química da Solidão; Educação Visual para Dentro; Educação Física da Memória; Língua Estrangeira I, II ou III (Loneliness, Soledad ou Einsamkeit), e por aí fora. Estas disciplinas seriam leccionadas em pouquíssimo tempo e com um único aluno por turma, no meio de uma única sala, para o aluno se habituar rapidamente ao mercado de trabalho. E sem teoria que, na solidão, a teoria já é prática. Os exames seriam no final de cada aula, sem consulta nem acesso a calculadora (para evitar ser acompanhado por cábulas) e não assim de repente, como nos acontecem ao longo da existência, logo depois de uma qualquer maravilha no recreio. Não devia ser assim. É que nem sequer somos avisados com uma semana de antecedência. Hoje há exame, André. Mas eu nem sequer estudei. Tens ali aquela mesa no meio da sala. Mas… e quanto tempo tenho? O tempo que tu quiseres. A princípio, pode parecer que vai durar uma eternidade mas, se te esforçares, pode ser que dure menos, meia eternidade, vá. E lá vai o aluno, eu, nós, para aquela cadeira sozinha em frente à mesa sozinha numa sala sozinha com um exame cheio de respostas de escolha múltipla, muitas de escolha nenhuma, e nenhuma certa.

Precisamos aprender a solidão. Mesmo que demoremos a outra metade da eternidade a preencher o enunciado da folha de exame – a tentar lembrarmo-nos de quem somos.

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o peso do medo

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Serei a única pessoa com medo? com dúvidas do que faz e do que pensa e do que sente e do que tudo? A única a tomar anti-depressivos, três por dia, por vezes quatro e cinco, e a ter consultas de psicoterapia e psiquiatria para tentar lidar com este escuro? a acordar com manadas de angústia e incerteza no peito todo? a chorar tantas vezes por medo de errar, de ter errado, de não ter força nem esperança nem casa nem família nem filhos nem dinheiro nem sucesso nem colo nem amor nem paz nem ninho? a ter fobia a multidões e atracção por gentes sozinhas que mais sozinhas a deixam? a sentir-se culpada por pouca ou nenhuma ou partilhada culpa que tenha havido em algum momento em algum lugar? a culpar os pensamentos? a desculpar a culpa? a preocupar-se com o que pensam os outros de si, do que faz, do que veste, do que sente, do que beija? a não conseguir dormir por culpa dos fantasmas cá de dentro? a rir para os muitos e a chorar aos muitos só para si só para não dar parte fraca porque a parte fraca é forte forte forte como a certeza de que, um dia, qualquer dia será morte? a precisar constantemente de aprovação externa porque a interna é um grande xis vermelho carregado pela ausência de confiança? a lembrar o passado só com a inglória e dolorosa e vã vontade de o mudar? a sentir-se irrelevante no viciado e sujo curso do mundo? a ter tanto aos olhos dos outros sem razão para sentir isto? O que é isto? a ter ataques de pânico pelo sofrimento do outro e pela expectativa do sofrimento do outro outro que sou eu? a ter medo de falhar a própria vida?

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o fernando

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Hoje, reencontrei o Fernando. O Fernando foi meu treinador no clube do meu coração, e é no meu coração que está o Fernando. Eu era o número 7, o médio centro criativo, o pacemaker (o mesmo que playmaker mas na linguagem especializada do Mister), o marcador de cantos, o distribuidor de jogo, o médio que fazia o bico do triângulo quando jogava o Edi e o Caldeira. Durante cinco épocas, de iniciados a juniores, o Fernando foi mais do que meu treinador. Foi meu líder, foi meu companheiro, foi meu amigo. E nunca foi o que foi porque me punha a titular ou porque me dava a responsabilidade dos penáltis, dos cantos e de falar no primeiro treino depois do jogo – o futebol, na verdade, nunca foi o mais importante. O Fernando foi o que foi e o que ainda é por ter sido um dos grandes pilares da minha vida. Foi o meu professor da bola, ensinando-me bem mais de vida do que de escola, bem mais de amizade do que de bola. Tanto recebi raspanetes como abraços, pré-épocas loucas nas dunas da praia da Vieira como jantaradas de comer e chorar a rir. Tanta coisa boa que lá vai. Tanta coisa boa que me fez do Fernando uma espécie de segundo pai. Não é exagero nenhum o que escrevo – muito do que sou é a ele que eu devo. O Fernando é, acima de qualquer táctica, um homem bom, com coração escondido atrás da barba e do boné que lhe escondem a criança que ainda é. O Fernando fez de mim um homem. E de tantos que nunca deixou para trás. Nunca. Levantou-os, tantas vezes do seu próprio bolso e todas as vezes do seu próprio amor. Hoje, reencontrei o Fernando. Quase chorou por me voltar a ver e me saber bem. Quase chorei também, vendo, ouvindo, lembrando – uma espécie de golo do coração. E é no meu coração que está o Fernando.

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a minha prima clarinha

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A minha prima Clarinha tem um escurinho parecido com o meu. Lá no seu peito, como cá no meu, há trovões leões canhões que despertam apertam inquietam o que há. Pequenina, também tem vontade de rugir gritar fugir chorar. E ruge grita foge e chora – epicentro. E tudo treme lá fora, lá dentro. Há dias, tremia eu por inteiro, quando a minha prima Clarinha me tirou do escurinho quando me disse que também o tinha, que também o via. Eu falei-lhe do meu, como se ela não fosse uma criança, que é e não é por sentir que sente coisas que não devia, nem devia, ninguém devia, mas sente tanta gente e tanta gente mente. E tentámos enganar o escurinho com palavras e números. Ela ensinou-me a fazer contas de dividir e conversões. Eu tracinhos e um verso. E acalmaram-se as convulsões – tornaram-se então coisa pouca. Iluminou-se o universo. Há palavras que nos beijam como se tivessem boca.

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não tenho amigos brancos

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Eu tenho amigos pretos, mas não tenho amigos brancos. Os meus amigos pretos são amigos pretos. Os meus outros amigos são só amigos. Não lhes dou cor porque nunca lhes dei, porque nunca precisei de lhes dar cor, porque eram da minha cor. É assim que somos, mas não é assim que os nossos amigos são – é assim que os pintamos. Culpa da sociedade, da cultura, da educação, do que seja, de tudo um pouco, que se entranha em nós em pequenos e não se estranha em nós em adultos quando cuspimos cores, por muito que seja sem querer, sem pensar. ⠀

Não sou eu, mas também sou. Os meus amigos são os meus amigos, quer sejam brancos, pretos, carecas ou com nariz. Não são os meus amigos brancos, os meus amigos pretos, os meus amigos carecas nem os meus amigos com nariz. São os meus amigos. Mas há quem tenha amigos pretos e, tendo-os, é porque tem mais a cor do que a amizade, porque tem mais o preconceito do que a verdade.⠀

Não somos todos, mas somos. Por muito que custe admitir, custa mais sentir na pele a cor da pele. Eu não sinto porque sou branco, porque tenho a cor que a sociedade, a cultura, a educação nos diz que é a certa, e que é a cor a que, por norma, ninguém aperta o pescoço, a cor que não vai até ao osso até sangrar até morrer. Sem ar. Porque nunca fui discriminado, porque nunca fui insultado, porque nunca fui morto por ter esta cor que, sendo branca, sendo diferente de todas as outras, é igualzinha a todas as outras que vestem os corações de quem anda, canta, chora, ri, falha, conquista, come, dorme, pensa, sonha e ama como eu, como nós.⠀

Não sou eu, mas também sou. Somos todos. E, para sermos um e todos como devemos ser, precisamos de pensar antes de ver. Combater. Enquanto ainda nos deixarem respirar.

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de lá voltar

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Não são saudades de ser criança, são saudades de lá voltar, ao sítio que se era. Só para saber como se faz, como se brinca, como se ri, como se sente, como se confia. Só para isso. Seria breve, que a vida é breve, e bela também, assim, mas seria, embora breve, embora bela, seria, com fim, para voltar. Iria lá longe, lá dentro, bem debaixo das camadas do medo que a vida trouxe, só para saber como se faz, como se era, como se é, como essência. Só para saber disto que sou quando era tudo em bruto, sem metades. Não são saudades de ser criança, são vontades de ser esperança em permanência. E não um conjunto de camadas que, de tantos medos, são tantos nadas.

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parabéns, gaiato

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O meu avô faria hoje 95 anos. Nunca lá chegarei. Ele chegou perto porque, tendo quase 95 anos, não tinha mais de 10. O meu avô, enquanto meu avô, e não enquanto severo pai do meu pai e dos meus tios, sempre foi uma criança, um gaiato rebelde que nos dava calduços à sucapa e não aceitava uma derrota na brincadeira das damas, das cartas ou do dominó. Levava a brincadeira a sério – como todas as crianças levam – e amuava quando um dos netos ou, em tantos casos, todos os netos lhe davam uma cabazada histórica de meia-noite. O meu avô de 10 anos, com quase 95, fazia corridas com os netos e com os bisnetos. E ganhava. E fazia pirraça a quem perdia. O meu avô criança, já velhote, tinha um olhinho azul que brilhava sempre que lembrava uma ou outra catraia que tinha catrapiscado há mais de 70 anos. O meu avô pequenino, já grande, tinha um sorriso malandro sempre que lhe oferecíamos, assim às escondidas, um xiripiti depois de almoço. O meu avô faria hoje 95 anos. Mas é a criança que ainda me anda para aqui a correr na memória. O gaiato do meu avô…

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a minha madrinha

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Desde aquele dia que o meu maior objectivo de vida mudou. Desde aquele dia que, em primeiro lugar, não está o meu sucesso como artista, a minha felicidade como homem ou a minha bebedeira no Marquês todos os anos até ao fim dos meus tempos. Desde aquele dia que o meu maior objectivo de vida é fazê-la rir. Tudo o resto vem depois. Se lhe provocar um riso, um simples esgar de felicidade que lhe aliene do espírito do lugar onde o espírito está, fico feliz. Sempre que falo com ela, sinto o ar pesado pela presença de quem ela já não tem, mais pesado comigo pelas parecenças que eu e ele tínhamos. Sempre que falo com ela, sei que ela fala, também, com ele. Sempre que falo com ela, sei que falo, também, em nome e em voz dele. Aquele dia foi o dia em que ele morreu. Ele é, porque nunca nenhum deixa de ser, o filho dela. Ela é a minha madrinha. A minha madrinha é, por tudo o que nunca conseguirei dizer, minha mãe também. Eu não sou o filho, mas sim o palerma que a tenta trazer à tona do mundo através de um dos mais primários reflexos humanos, o riso. Isso não faz de mim absolutamente nada, mas faz dela uma mãe que ri. Que é assim que todas as mães deveriam ser. E esta minha, apesar de longe e apesar de não ser de verdade, é a mãe mais bonita que eu – que o meu primo – poderia desejar.

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na comuna, aconteci

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Fui eu, fui outro, fui outros, aprendi, sorri, chorei, sofri, agradeci, quase morri de vergonha, quase me vim de alegria, abracei, fui abraçado, gritei, cantei, caí, amei, fui amado, vi gente que me amava, amei gente que me via, fui às nuvens, fui à lama, fingi e fui sincero, tive medo e tive medo e tive medo e tive medo e superei o medo e vi luz depois do escuro e vi tudo e ganhei tudo e perdi tudo e senti tudo. Aqui, na Comuna, aconteci. Aqui, na Comuna, fui vida. No palco como aqui deste lado em que me encontro agora. Atrás das cortinas. Com tudo e tanto, apesar de tudo e tanto, e dói e dói e dói e amo e vivo. Vivo vida que, para mim, é palco. E vivo palco que, sendo vida, é este. O da Comuna. Um aniversário que também é meu. E nunca viverei o suficiente para o agradecer. Por muito que doa. Foda-se, e dói.

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sozinha, a velhinha

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Não está sozinha, a velhinha – está com o medo. Acompanhada por esse morte-certa-ou-talvez-nada que é o medo. Companheiro o dia inteiro que a faz estar, não sozinha, mas sem gente que se sente onde a velhinha tem a mão. Ninguém – talvez por ter medo, também. Ou é o medo que tem a gente, e a velhinha não sente e julga ser a multidão?

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ao fundo, os tambores

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Já não saía de casa há 14 dias. Finalmente, estava a ver que nunca mais. Mas vi, e nunca mais. O entusiasmo da saída deu lugar ao medo da saída. Já não sabia o que era a rua, receava ter desaprendido de caminhar e receava ter receio das pessoas. Tentei não respirar muito, ele pode andar no ar, não falar muito, ele pode ouvir, não fazer muito, ele pode estar. Sinto o corpo fechado em si mesmo, em mim mesmo, contraído, rijo, pequeno. Sou pequeno e tenho medo. Ao fundo, os tambores, ao perto, os pesados e graves e longos rasgos de violoncelos, como num filme. Tenho medo, quero voltar para casa. Quero voltar para a minha prisão de que tanto queria fugir. Uma espécie de Síndrome de Estocolmo puxa-me para dentro, para fora dali, para casa, para junto do meu agressor de quatro paredes e uma porta. Trancada, como a minha liberdade. Volto a respirar muito, fundo, dentro. De casa.

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na linha da frente

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Há várias formas de lutar. A minha, neste momento, nesta guerra, é cá dentro, longe das pessoas. A da minha mãe, neste momento, nesta guerra, é lá fora, perto das pessoas. Sempre fomos muito diferentes, mas iguaizinhos. Mas, hoje, não sou eu, é ela. A minha mãe trabalha na área da saúde. Está, portanto, na linha da frente do combate ao inimigo. Protegida com máscara, regras e fé, mas desprotegida, como estamos todos, um bom bocado mais do que todos, na verdade. A minha mãe, que não é médica nem enfermeira, tem a função (e o dom) de ouvir, acolher e encaminhar. Recebe as crianças e os velhos, as queixas e os medos, os murmúrios e os gritos. A minha mãe não desiste nem deserta. Está e vai continuar a estar lá na frente até isto acabar, mesmo que isto não acabe nunca. Ela é assim, teimosa na bondade. A minha mãe, por ser minha mãe, está mais desprotegida do que todos. É a minha mãe, os outros todos são apenas os outros todos. Eu sou os outros todos. E a minha luta não é luta nenhuma quando luta a minha mãe. Só quero que isto acabe para ela voltar. Há mais de demasiado tempo que não a abraço. Há várias formas de abraçar.

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somos todos

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E eu que pensava que o mundo não me colocaria à prova além das banalidades que me foi apresentando ao longo da vida, como os desgostos amorosos, as mortes de familiares e amigos ou as derrotas do Benfica. Mais coisa, menos coisa, mais dor, menos dor, seriam coisas que acabariam por surgir de forma inevitável na minha vida, sabia que sim, sabia que as iria apanhar a qualquer momento, estava, de certa forma, preparado para elas. Mas esta coisa que agora apanhei pela frente é coisa que não vinha em nenhuma previsão, até porque não sei que coisa é, como é, de onde vem nem como combater. É o desconhecido que bate à porta e entra sem eu a abrir. A porta está trancada, como as portas de toda a gente, mas o desconhecido bate à minha e bate a todas, e entra, e fica aqui a pairar nas nossas casas, nas nossas roupas, nas nossas cabeças. E não fazemos a mínima ideia do que seja. Não é nenhum ultramar – que eu não vivi, não é nenhuma fome – que eu não senti, não é nenhuma doença – que eu não tive. Não. E o sofrimento não é o mesmo. É outro. É outra coisa. E digo isto sentado no sofá e não entrincheirado no meio do mato com uma g3 e o cheiro a morte, com mesa farta e não com uma sardinha para cinco, saudável e não numa cama do IPO com uma agulha a injectar-me químicos na veia. Eu sei. Estou em casa, confortável, com comida, saúde, tecto, cama, amor, carinho, playstation e vinho. Nada me coloca na mesma situação dos meus pais quando tinham fome, dos meus tios quando foram à guerra nem de tanta gente que tem um cabrão de um tumor para destruir. Coloca-me no desconhecido, à prova de mim mesmo. Sou eu o mundo. Somos todos.

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uma luta no escuro

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Uma luta no escuro. Luzes apagadas, olhos vendados. O inimigo está, mas não o vemos. Não lhe sentimos o cheiro, sequer. Mas está. E levamos golpes vindos não sabemos de onde. Não lhe sabemos a forma nem o tamanho. Não lhe conhecemos os truques nem as fraquezas. Estamos às escuras, em constante estado de alerta perante tudo, até mesmo o nada. É a angústia de não saber, é a ansiedade de sofrer. É respirar desconfiando do futuro. É mais do que o medo de combater. É o medo do escuro.

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mais forte do que via

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Era o dia do funeral da minha avó quando vi, pela primeira vez, o meu pai chorar. Enfraqueci porque vi, ali, em estreia absoluta na sala da minha existência, o meu super herói ficar sem poderes. Não estava à espera. Nem sequer pensava ser possível. Mas foi. Ao mesmo tempo, senti que o meu pai não controlava tudo e que era humano. Desde esse dia que o vejo de forma diferente. Mais forte do que via, enquanto super herói. Mais humano. Ele não ficou sem poderes. Eu pensava que não mas, hoje, sei que chorar, que é sentir, é um super poder. Dos humanos. O maior.

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já éramos sozinhos

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Nós não temos vontade de estar com os outros. Nós temos é medo de estar sozinhos. Os outros, na verdade, na crua e triste verdade, já pouco existiam para nós. Apenas estavam, apenas faziam figura de corpo presente na nossa necessidade primária de aconchego e aprovação. Já éramos sozinhos, mas não estávamos sozinhos. Os outros davam-nos essa ilusão de companhia. Eram eles, não éramos nós. Não precisávamos de nos olharmos dentro para ver quem realmente éramos, somos, virtudes, belezas, maravilhas, mas defeitos, rugas, medos, traumas, guerras e lixo, também. Agora, que nos obrigam à clausura, fechamos a porta, abrimos os olhos e só estamos nós. E só somos nós. E estar, e ser, connosco, dá medo. Não são os outros, somos nós.

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perto, longe

Comentários fechados em perto, longe bloco de notas

Nós já estávamos isolados. Colados aos ecrãs, fechados em avatares, muralhados por um individualismo egocêntrico. Nós já evitávamos as pessoas de carne e osso sem nickname. Nós já tínhamos substituído o toque pelo touch, o beijo pelo like e o abraço pelo scroll. Já não havia convívio, havia scroll. Já não havia gosto de ti, havia swipe right. Já não havia ajuda, havia hashtags. Hoje, há um olá à beira de ser trocado por um adeus. Nós já estávamos isolados. Só não queríamos saber. Trancados em nós mesmos, longe dos outros.

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uma só criatura

Comentários fechados em uma só criatura bloco de notas

Um único homem, uma só criatura, transmitiu um vírus que, em 102 dias (1 Dezembro 2019 – 12 Março 2020), atingiu 130.164 pessoas, matando 4.754. Tudo começou num único homem, numa só criatura. Mais do que qualquer outra análise que possamos fazer, este contágio galopante mostra-nos a influência que cada ser individual tem em milhares de milhões. Um, em 102 dias, contagiou 130.164 pessoas. Um, sozinho, fez estremecer o planeta, fechar fronteiras, monitorizar governos, segregar pessoas, amedrontar consciências, trancar portas, esvaziar esperanças. A influência de um único homem, a consequência da acção de uma só criatura, na vida do mundo inteiro. Eu, tu, que somos um único homem, uma só criatura, temos o poder de atingir e condicionar o comportamento de 7 mil milhões de pessoas. É assustador. Eu, tu, somos a borboleta que bate asas na China e causa uma tragédia no mundo inteiro. É aterrador. Desta vez, foi o vírus errado, o Covid19. Imagina quando for amor. É possível.

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ele que vai

Comentários fechados em ele que vai contos, família por acaso

Não sei o que é, mas diria cancro. Ou solidão, que me parece pior. Pode ser uma união de ambos, como o uísque e o cigarro que devora todos os dias à mesma hora naquele café. Os olhos estão sempre longe, nem sequer olham o que leva à boca. A boca tem a abertura exacta para a dimensão do ponta do cigarro e da ponta do copo. E a sua vida, não sabendo eu o que é, parece-me andar na ponta do fim. Sendo uma coisa ou outra, nunca deixa de parecer uma coisa e outra. Que lhe devoram a vida.

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há sea e sea, há ir e voltar

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Não, isto não é nenhum artigo sobre maus trocadilhos. Pedimos desculpa por isso, mas foi o título que se arranjou. Brincámos com a palavra SEA que, em inglês, quer dizer mar (não tem de agradecer por esta essencial lição de inglês), e então fizemos este trocadilho do qual nos orgulhamos. Vá, não nos orgulhamos assim tanto, mas é o que é. E, vendo bem, o SEA de que vamos falar tem tudo que ver com o mar… que é a Internet. Ufff, safámo-nos bem na justificação do título? Bem, vamos mas é ao que interessa.

O que é SEA?

O nome completo do SEA é Search Engine Advertising, é natural do Marketing Digital, filho do SEM (Search Engine Marketing) e irmão do SEO (Search Engine Optimization). Vivem todos juntos na vivenda do Mundo Digital e dão um jeito tremendo a empresas que queiram potenciar e divulgar o seu negócio.

Quais os objetivos de SEA?

O principal objectivo de vida do SEA consiste em angariar tráfego para o seu site através da apresentação de anúncios online. Estes anúncios são patrocinados/pagos e indexados a determinadas keywords que, quando pesquisadas no motor de pesquisa (ex: Google), surgem em forma de anúncio ao utilizador.

Estratégia de Search Engine Advertising

Uma boa estratégia de SEA (Search Engine Advertising) deve ser realizada em simultâneo com uma boa estratégia de SEO (Search Engine Optimization), com o objectivo de maximizar os resultados e de aumentar as vendas e a relevância online.

A sua empresa pode ser dona disto tudo se dominar os resultados de pesquisa orgânica e de pesquisa paga. Desta forma, irá aumentar, significativamente, o tráfego no seu website e dará a ideia a quem o visita de que você/a sua empresa é uma barra no seu mercado e tem o seu negócio bem consolidado.

Qual a diferença entre SEA e SEO?

É muito fácil confundir SEA (Search Engine Advertising) com SEO (Search Engine Optimization). É só uma letrinha de diferença e são os dois irmãos do mesmo pai, o Search Engine Marketing. Mas, como todos os irmãos, têm as suas características particulares. O SEO é uma série de métodos, idealmente gratuitos, de optimizar um site para que os motores de busca entendam o seu conteúdo como relevante e o mostre primeiro aos seus utilizadores.

Os artigos do seu site, por exemplo, devem seguir todas as boas práticas de optimização de conteúdo, como a keyword principal estar no início do texto, o conteúdo ser completo, estruturado e relevante, conter alt image, links, título H1 e subtítulos H2, dados estruturados e por aí fora.

O SEA, por sua vez, não trabalha no seu site, mas sim nos anúncios externos que visam encaminhar utilizadores para o seu site. Uma das ferramentas utilizadas para a criação dos anúncios é o Google Ads. O conteúdo também é, obviamente, essencial. No entanto, a estratégia baseia-se em ir lá fora, com base em anúncios, buscar o futuro cliente.

Google ADS – Publicidade no Google

O Google Ads é a maior ferramenta de links patrocinados da Internet. Daí a sua importante ligação com uma boa estratégia de SEA. O Google Ads permite criar campanhas de anúncios (artigos, vídeos, banners…) que apenas surgem quando o utilizador pesquisa por termos relacionados com o seu negócio – e é você que define esses termos / keywords!

Isto permite alcançar um público muito mais segmentado e qualificado (e também mensurável), uma vez que já sabemos que ele está interessado no que nós temos para oferecer.

O Google AdWords é a principal fonte de receita do Google. Em 2011, esta plataforma gerou 96% dos 38 mil milhões de dólares que a empresa facturou.

O Google Ads permite a utilização de diferentes formas de segmentação para que a exibição dos anúncios seja ainda mais eficaz:

  1. Público-alvo: é possível acertar nas pessoas certas;
  2. Keywords: os anúncios serão exibidos consoante as palavras-chave pesquisadas;
  3. Tópicos: com o Google Ads, pode escolher exibir os seus anúncios em sites sobre determinados tópicos;
  4. Local: pode escolher onde colocar os seus anúncios: em mecanismos de busca, em sites pessoais, em sites profissionais…
  5. Horário: é possível exibir os anúncios em determinadas horas ou dias da semana, e escolher a frequência de exibição desses anúncios;
  6. Idade, local e idioma: a plataforma permite escolher a idade, a localização geográfica e o idioma de quem será atingido pelos anúncios;
  7. Dispositivos: os anúncios podem ser exibidos em todos os tipos de dispositivos (computadores, tablets, laptops, smartphones…).

Pensando bem, o título deste artigo não é assim tão descabido quanto isso. Há SEA e SEA, há ir e voltar. E isso é mesmo verdade.

Com uma boa estratégia de Search Engine Advertising, o utilizador pode ir, pode estar lá fora, mas volta. Nós vamos lá buscá-lo onde ele está para o sítio onde ele quer estar. É essa a maravilha deste mar chamado Internet.

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ela à janela

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Sábado de manhã, àquela hora, naquela rua, nesta posição, ela está à janela. Tem roupa lavada a esconder-lhe a curiosidade, estendida – ela, a roupa e a curiosidade – à janela. Quieta nos braços, inquieta na vigilância, ela ronda certeira a rua inteira, de uma ponta à outra, quem entra, quem sai, quem passa e quem fica. Fica ela ali, sossegada, escondida, alerta da vida. Nada passa sem que ela saiba, nada acontece sem que os seus olhos registem. Sábado de manhã, àquela hora, naquela rua – ela escondida – aconteceu isto assim assim, passou fulano, ficou beltrano e bateu o sol na roupa estendida.

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a minha luta

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É aqui dentro que estou. Desde pequenino, talvez desde o parto, que esta é a casa que me existe nas entranhas de todos os sítios vitais do meu corpo: da mente, do coração, dos pulmões, do estômago, das pernas, das mãos, dos olhos, da placenta. Raras vezes saí, muitas vezes tentei sair, bati à porta, bati na porta, abri a porta e fechei a porta. A porta abriu-se, partiu-se, fechou-se, sem qualquer vontade própria, fui eu que a abri, que a parti, que a fechei. E sou eu que continuo a fazer tudo isso a uma porta de madeira velha de uma casa de tijolo e cimento e crenças. Por medo de sair, por medo de não voltar a entrar, por medo de decidir, não decido e não faço nada, além de abrir a porta, partir a porta e fechar a porta. Fico dentro. A minha luta tem sido esta, sair. Mesmo com medo de tudo o que possa estar além-fora desta porta. Dentro de outra casa qualquer.

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mulher antes da partida

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Compra o tempo com um cigarro. Vai às compras mas, antes de entrar, já está a comprar. Sacos vazios no carrinho, olhos vazios atrás dos óculos. A preparação passa pela tranquilidade de um cigarro ao sol, a olhar sabe-se lá para onde, talvez para dentro, que é dentro que temos a necessidade de um bafo de cinco minutos que nos ajude a acalmar a vida. Bem vestida, ela – não a vida, chega de tarde, não todas, mas sempre às quatro e vinte. Encosta-se à parede para ser desenhada ou para estar mais perto do cinzeiro, não sei, talvez ela saiba que a olham olhando sabe-se lá para onde, talvez para dentro, talvez não saiba e só quer é facilidade neste processo de queimada. Nunca a vejo no regresso, sempre na partida, ou melhor, no que lhe antecede a partida, no cigarro e na pose, nos sacos vazios e nos olhos que, para dentro, olham cá fora, neste processo de vida, mulher antes da partida.

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o homem-aranha digital

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Está a ler este artigo, não está? Claro que está, caso contrário, esta pergunta não faria sentido. Pois bem, se está a ler este artigo, no nosso blog, é porque foi apanhado na nossa teia do Inbound Marketing.

Inbound Marketing: o que é?

Como assim, apanhado numa teia? Pergunta você, enquanto mexe braços e pernas para tentar livrar-se da teia. Calma, amigo leitor. Não vale a pena combater o Inbound Marketing. Ele, mesmo sendo uma forma de marketing indirecto, é bastante forte.

No Inbound Marketing, os clientes são atraídos através dos conteúdos produzidos, quer no blog, em posts, em vídeos…

O Inbound Marketing é contrário ao Outbound Marketing. Este último vai de encontro ao cliente, o primeiro atrai o cliente ao seu encontro. Mas já lá vamos.

Como funciona o Inbound Marketing?

O Inbound Marketing assenta numa sólida estratégia de Marketing de Conteúdo, de acordo com o objectivo que o cliente pretenda atingir. Para criar uma boa estratégia, deverá seguir quatro etapas:

  1. Atração: através de conteúdo relacionado com o negócio da sua empresa, em blogs, sites, redes sociais, nunca esquecendo uma forte estratégia de SEO;
     
  2. Conversão: depois de atrair potenciais clientes, está na hora de os tornar consumidores assíduos dos seus conteúdos. Para isso, poderá usar landing pages (páginas de conversão), formulários (as landing pages levam ao preenchimento de formulários com os dados do usuário) CRM (este software reúne as informações que os usuários deram nos formulários);
     
  3. Venda: assim que tiver atraído as pessoas, o objectivo é fazê-las “comprar o seu produto”. Para isso, poderá utilizar diversas ferramentas, tais como automação de marketing, email marketing, nutrição de leads e lead scoring;
     
  4. Encantamento: se chegou a esta etapa, parabéns! Conseguiu um cliente. E, perante esta boa notícia, o objectivo é manter o cliente. Portanto, trate de o encantar, lá está, de forma a que ele se mantenha como cliente e a que promova o seu serviço a outros possíveis clientes. Relacione-se com ele, apresente-lhe conteúdos personalizados, faça-o sentir-se parte envolvente de todo o processo.

Inbound Marketing e SEO: uma parceria de sucesso

É óbvio de que precisará de um bom SEO. Esta optimização para motores de busca terá um impacto gigantesco no seu tráfego orgânico. O conteúdo tem de estar lá, mas tem de ser encontrado.

Caso contrário, não faz sentido existir. Daí, um bom SEO fazer toda a diferença. Lojas virtuais que adoptam uma estratégia de SEO conquistam 13 vezes mais visitantes e 6 vezes mais clientes em comparação com os e-commerces não-optimizados com SEO.

O Google é a fonte mais usada para pesquisar produtos e tirar dúvidas. O SEO faz com que o seu site seja encontrado mais facilmente e consiga muito mais tráfego qualificado.

Inbound Marketing vs. Outbound Marketing – o duelo

São diferentes, nenhum melhor do que o outro, ambos importantes e cada um essencial perante o objectivo que se pretende alcançar. Se o Outbound Marketing se apresenta com um conjunto de estratégias mais conservadoras, que vemos desde sempre (telefone, stands de vendas, televisão, rádio, etc), o Inbound Marketing apresenta-se como um leque de estratégias mais “modernas” e directas ao possível cliente.

Assim, podemos estabelecer algumas diferenças:

  1. Estilo de Comunicação: aberta no Inbound Marketing, unilateral no Outbound Marketing;
  2. Onde está o produto? No Inbound Marketing, o produto é encontrado pelas pessoas interessadas; no Outbound Marketing, o produto chega a todas as pessoas, interessadas e desinteressadas no seu produto;
  3. Relacionamento: mais duradouro no Inbound Marketing do que no Outbound Marketing;
  4. Engagement: maior engagement em estratégias de Inbound Marketing do que em estratégias de Outbound Marketing.

Vantagens do Inbound Marketing | Porquê usar uma Estratégia de Inbound Marketing?

O Inbound Marketing tem diversos benefícios. Com uma estratégia bem elaborada, pode alcançar o público certo, estabelecer um relacionamento mais próximo com os clientes, aumentar o seu poder de persuasão, encurtar o ciclo de vendas, diminuir os custos e medir os resultados em tempo real.

Alcançar o público certo

Segundo a Content Trends 2017, empresas que adoptam o Marketing de Conteúdo alcançam 2,2 vezes mais visitas em comparação com as que não fazem uso dele.

Quantidade não é sinónimo de qualidade. Tem toda a razão. No entanto, neste caso específico, as empresas que usam Marketing de Conteúdo também conseguem gerar 3,2 vezes mais leads que as empresas sem uma estratégia similar.

Relacionamento mais próximo com os clientes

Aproximando-se do seu público, poderá apresentar-lhe soluções personalizadas para as suas questões. O seu público está mais receptivo a dicas e recomendações suas.

Maior poder de persuasão

Esta estratégia confere maior poder de persuasão uma vez que é um argumento baseado em informações sólidas, construído ao longo do tempo e não de uma vez só.

Encurtamento do ciclo de vendas

O ciclo de vendas é o tempo que a sua empresa gasta desde o contacto inicial até à conclusão da venda. Segundo a pesquisa Martech 2017, 50,4% das empresas de tecnologia que adoptam Inbound Marketing têm ciclo menor que 30 dias. Apenas 29,5% das que usam métodos Outbound têm esse desempenho.

Diminuição de custos

Em relação aos custos, o Inbound também é mais barato do que as soluções tradicionais, como anúncios e activações de marca. Menos custos é sempre melhor.

Medição dos resultados em tempo real

É essencial acompanhar os dados em tempo real para saber com precisão e rapidez o que está funcionando ou não.


Continua a ler este artigo, não continua? Claro que sim, caso contrário, esta pergunta não faria sentido. Pois bem, se continua a ler este artigo, no nosso blog, é porque continua na nossa teia do Inbound Marketing. Como assim? Pergunta você, enquanto mexe braços e pernas para tentar livrar-se da teia.

Calma, amigo leitor. Volte ao início do texto e releia-o. Está cá tudo. E você tem interesse em saber.

Até ao próximo artigo, leitor fiel.

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ali ao meu lado

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Faz um ano que foi o meu avô, que deixei de o ter, que deixei de o ver, que deixei de o deixar sentar-se ao meu lado a beber um xiripiti e a piscar-me o olho e a sorrir-me o rosto e a fazer-me sentir feliz por ele estar a fazer tudo aquilo ali ao meu lado, o meu avô, o único avô que me restava. Há um ano que me resta a lembrança deste homem que sempre sendo velho, foi sempre criança.

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isto anda tudo ligado

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O Link Building apresenta-se como fundamental, uma vez que apresenta ao utilizador outras fontes de informação, igualmente confiáveis, com conteúdos complementares e relevantes, face à pesquisa que efectuou.

O que é o Link Building?

Boa pergunta! Link Building é, resumidamente, o que nós estamos a fazer agora. Ou seja, é a arte de conseguir atrair links para um determinado site, blog ou página de conteúdo.

Quer dizer, o que acabámos de fazer não foi bem arte e também não pode ser considerado, em abono da verdade, Link Building puro, porque não foi assim tão estruturado. Por exemplo, neste parágrafo, só temos links externos e nenhum interno. Mas já lá vamos.

Como fazer Link Building?

Há muitas formas de fazer Link Building. No entanto, nem todas são boas. Como referência no Marketing Digital que somos, vamos apresentar-lhe, apenas, as boas. Aliás, as melhores.

Há duas características essenciais a qualquer boa estratégia de Link Building:

  1. Links de qualidade: são os links “naturais”, relevantes para quem linka e para quem é linkado. Os maus links podem colocar o site num mau posicionamento perante os motores de busca.
     
  2. Bom conteúdo: conteúdo, conteúdo, conteúdo. A conversa é sempre a mesma. Um bom conteúdo faz com que o seu site seja mais vezes linkado. Conteúdo bom, conteúdo relevante, conteúdo que suscite partilhas.

Tendo estes dois pontos sempre presentes, o Link Building estará sempre mais próximo do sucesso. Depois, obviamente, os links apresentados terão de apresentar algumas características mais específicas, como:

  1. Utilizar links internos e links externos (com texto âncora – o texto que contém o link apontando para o seu site ou para uma página do seu site, imagens e outros tipos de links);
  2. Obter links de sites relevantes – os chamados backlinks;
  3. Guest posts: os artigos de convidados são essenciais para gerar links orgânicos;
  4. Divulgar conteúdos nas redes sociais;
  5. Não ter links quebrados – links incorrectos ou com ligações para páginas inexistentes;
  6. Não comprar links – o Google topa que há um padrão suspeita e prejudica o posicionamento;
  7. Privilegiar uma estratégia integrada de SEO.

Eis o que acontece na complexa mente do Google: ele olha para um site e avalia a sua reputação e autoridade pelos links que ele recebe. A existência de links faz com que haja uma relação entre páginas, funcionando como uma espécie de “voto de confiança”. Fazer um link para outra página é dizer ao seu leitor que tem confiança naquela página. Os bons links são o motor do SEO.

Qual a importância do Link Building para SEO? 

O Link Building é essencial para que os motores de pesquisa vejam o seu conteúdo como mais relevante, levando-o a um melhor posicionamento nos resultados orgânicos de pesquisa. E aqui volta a entrar o nosso querido SEO (Search Engine Optimization). Uma estruturada estratégia de SEO tem de comportar um bom modelo de Link Building.

O utilizador tem sempre de encontrar a informação que procura. Esta frase está emoldurada na mesinha de cabeceira do Google.

Como conseguir backlinks de qualidade?

Os backlinks são links que direccionam directamente para qualquer página do seu site a partir de outro domínio – backlinking. O objectivo é o de expandir o conhecimento do leitor e, em simultâneo, gerar tráfego de qualidade para o seu site ou blog.

Os Backlinks são muito importantes para SEO porque alguns motores de pesquisa, especialmente o Google, dão mais crédito a sites que têm um bom número de backlinks de qualidade (com elevado grau de relevância), considerando o seu conteúdo mais importante do que outros nas páginas de resultados.

Estratégias de Link Building – cá dentro e lá fora

Link Building interno

O Link Building interno não é mais do que o processo de linkar para páginas dentro do seu site. Este processo é bastante recomendado e valioso, levando a uma navegação interna relevante.

Link Building externo

Linkar para outros sites não prejudica em nada o seu próprio site. Pelo contrário. O algoritmo dos motores de pesquisa tem em consideração a linkagem externa, atribuindo-lhe relevância e, também, autoridade.

Portanto, muito resumidamente, não se esqueça: links internoslinks externos e conteúdo, conteúdo, conteúdo. A conversa é sempre a mesma. Os resultados também, os melhores.

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a senhora que demora

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Os meus primeiros brinquedos foram comprados aqui. Não sei se era esta a senhora que atendia a minha tia Nhanha, a tia que me mimava a infância, mas era aqui, nesta papelaria, que os meus primeiros brinquedos ganhavam dono.

Esta senhora seria a mesma, hoje parece ter sido mesmo. Ternurenta, lá de cima e lá de dentro, pelo sotaque com que diz bom dia, cá estamos, graças a deus e obrigado, esta senhora não sai dali porque é ali que ela é. Saindo, deixa de ser, e até o espaço deixa de estar. Acompanhada, muitas vezes, por outra senhora, mais nova mas mais antiga, esta, mais velha mas mais agora, recebe cada cliente de braços abertos no olhar.

Passa os dias à espera que entre alguém e há sempre alguém que passa e que não entra. Entre cadernos, peluches, jornais e porta-chaves, ela existe na demora do tempo que passa, na lentidão dos dias, na espuma das horas. Sempre que lá entro, entro só por entrar. Só quero sentir dentro a alegria de voltar a brincar.

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não foram monstros

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Não foram monstros, foram pessoas como nós, iguaizinhas a nós, que estiveram de um lado e do outro, que torturaram e que sofreram, que mandaram e que obedeceram, que mataram e que morreram. Tinham cabeça, troncos, braços, pernas, coração, fígado, pulmões, pele, músculos, nervos, água, oxigénio, hidrogénio, nitrogénio e carbono. Seres humanos, de um lado e de outro. Nazis e judeus, nazis e ciganos, nazis e homossexuais, nazis e deficientes. Nazis e todos os outros. Todos os outros e nazis. Seres humanos, não monstros. Não seres de outro mundo, inumanos, Pessoas como nós, iguaizinhas a nós. Faz hoje 75 anos que o campo de Auschwitz foi libertado. Não foi assim há tanto tempo. Não está assim tão longe. Está sempre na iminência do retorno pelo simples facto de continuar a existir a única causa do horror: seres humanos, pessoas como nós, iguaizinhas a nós.

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manhã

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Não é por ser domingo. É por ser manhã. Poderia ser qualquer outro dia, segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado ou infinito, que seria sempre por ser manhã. E manhã é sempre recomeço, e recomeço é sempre alerta, e alerta é sempre cavalos a galopar no peito. É o recomeço do tic-tac tic-tac tic-tac acelerado do tempo, é o alerta do pensamento atrás de pensamento atrás de pensamento atrás de pensamento, são os cavalos da luta, da falha e do fracasso. Não é por ser domingo. É por ser, simplesmente. Poderia ser qualquer outra coisa. Seria sempre.

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feito até ao fim

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Perfeito, em latim, significa “feito até ao fim”. Eu não sou perfeito, tenho muito por ser acabado, ainda. Na verdade, nem eu nem ninguém nem nada seremos, alguma vez acabados, feitos até ao fim. Nada está concluído, tudo está em mudança. Nem as almas, nem as pedras, nem as nuvens, nem os cadáveres. Tudo muda, tudo mexe, tudo está em transformação para outra coisa que não a que é, nada está feito até ao fim, fechado, embrulhado, ensacado e pronto a enviar para o código postal da Plenitude. Morada não encontrada, remeter ao destinatário. André Pereira, Rua Incompleta, 1500-370 Coração.

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1984

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«Era um dia claro e frio de Abril, nos relógios batiam as treze. Winston Smith, queixo aninhado no peito, num esforço para se proteger do malvado vento, esgueirou-se depressa por entre as portas de vidro das Mansões Vitória, não tão depressa, porém, que não encontrasse com ele um turbilhão de poeira arenosa.»

George Orwell

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um desfile de modas

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Imagine que o Ângelo Rodrigues e o Cameron Boyce vão ver um jogo do Flamengo e que, durante o jogo, têm algumas dúvidas, como o que é uma convulsão ou como saber onde votar. No final, vão para casa ver um episódio de Game of Thrones.

Sabe o que é isto? Além de um cenário impossível, porque o Cameron Boyce já não pode ir a jogos, é um cenário que reúne os termos mais pesquisados em Portugal, no ano passado. E como é que nós sabemos isto? Google Trends. O Google sabe tudo!

O que é o Google Trends?

O Google Trends é uma espécie de Deus, nascido em 2006, que sabe tudo aquilo que nós procuramos, quando procuramos e com que regularidade procuramos. Portanto, muito cuidadinho com aquilo que procura. Que é como quem diz numa linguagem mais modernaça: muito cuidadinho com o Google trending.

Sendo mais técnicos na definição, o Google Trends (trends = tendências, em inglês) é uma ferramenta do Google que acompanha a evolução do número de pesquisas por uma determinada keyword ao longo do tempo.

Com esta ferramenta, pode ver com que frequência determinada keyword foi pesquisada em determinado espaço temporal. Também pode comparar o volume de pesquisas entre duas ou mais condições.

Segundo dados da Google Trends, são realizadas cerca de 100 mil milhões consultas por mês

É possível apurar a pesquisa por critérios de país (Portugal, Estados Unidos, Egipto…), tempo (últimas duas semanas, último ano, últimos 10 anos…), categoria (Futebol, Música, Política Internacional…) e tipo de pesquisa (imagens, notícias, compras…).

Para que serve o Google Trends?

O Google Trends pode ser usado apenas para satisfazer a simples curiosidade de quem anda pela net, no entanto, pode ser bastante útil para muita gente, em particular, para empresas do admirável mundo do marketing digital:

  1. Saber as Tendências
    Muito importante para mostrar as tendências relacionadas com determinada área ou negócio. Assim, sabe qual a onda que o público está a surfar no momento. Isto é extremamente útil para apresentar conteúdos que vão de encontro aos desejos/pesquisas das pessoas.
     
  2. Conteúdo 
    Aqui está, uma vez mais, o Conteúdo, um ponto essencial no Marketing Digital. Mostrando os termos mais pesquisados pelas pessoas, o Google Trends apresenta-se essencial para a criação de conteúdo e SEO.
     
  3. Comparação de Termos 
    Imagine que está a criar um artigo ou uma ação de marketing e não sabe se deve usar um termo ou outro: cão ou cachorro? Keyword ou palavra-chave? Saiba qual o termo que vale mais a pena usar.

Como utilizar o Google Trends?

É muito fácil. Tem onde apontar a morada? Ora bem, então aqui está: Google Trends. Agora, é explorar.

Na primeira página, por exemplo, encontra os temas que têm sido mais discutidos na Internet. Pode, também, pesquisar por termo ou ver os destaques.

Se quer estar a par do que se passa no mundo constantemente, então sugerimos que se inscreva no Google Trends e assine a newsletter. Acredite que se tornará numa ferramenta importante no seu dia-a-dia.

Google Trends Portugal | Quais as palavras mais procuradas no Google?

Aqui tem uma lista das palavras mais pesquisadas no Google, em Portugal, no último ano:

Ainda está a imaginar o Ângelo Rodrigues a ver um jogo do Flamengo com o Cameron Boyce enquanto tiram algumas dúvidas como o que é uma convulsão ou como saber onde votar, sendo que, depois, ainda vão ver um episódio de Game of Thrones?

Pois bem, este cenário agora não faz sentido. Hoje, 23 de Janeiro de 2020, o que faz sentido é ter o Robert de Niro e o Delonte West a verem um jogo do Canelas enquanto um estuda as Tabelas IRS 2020 e o outro se informa um bocadinho mais sobre o Coronavírus e o NOS Alive. Enfim, modas.

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o peso da vida

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Não é o meu peso. É o peso da vida comigo nela. Eu sou leve como um ser humano minúsculo neste mundo ínfimo neste universo infinito deve ser. Mas, perante a vida, perante a vida real, ganho um peso maciço que não é o meu. É o peso da vida, que é o peso das responsabilidades, o peso das decisões, o peso dos medos, o peso dos outros. E todos estes pesos, que não são meus, que são da vida, toldam-me os movimentos, amarram-me os braços e, tantas vezes, os desejos.

O peso da vida é-nos mais pesado conforme vamos crescendo, creio eu. Quando eu era criança, o peso da minha vida resumia-se ao medo da cama e à ansiedade para completar a caderneta do Mundial 94. Hoje, o peso da vida é-me pesado no trabalho, no amor, nos sonhos, na solidão e no futuro. No salário, nas contas para pagar ao final do mês, na formação de família, na mudança de casa, na criação de um espectáculo, na escrita de um livro, na reedição de outro, no aperfeiçoamento de um projecto, na urgência do tempo, na certeza de estar tudo certo.

Hoje, mais do que em qualquer altura da minha vida, creio eu, o peso da vida é-me asfixiante. E eu, sendo leve, voo, pesado, para a terapia, para o yoga, para apps de meditação, para o escitalopram e até para a astrologia. Só queria voar para mim mesmo, que é lá que está o que realmente importa, leve.

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cem anos de solidão

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«Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencionálas se precisava apontar com o dedo.»

Gabriel García Márquez

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ta, ma, sa

Comentários fechados em ta, ma, sa bloco de notas

Caralho ta foda, Caralhos ma fodam, Que sa foda. Quando estamos irritados, falamos mal, embora bem, português. Nunca dizemos Caralho te foda, Caralhos me fodam nem Que se foda. Dizer bem o se, o te e o me, nestes casos, seria desrespeitar a irritação que sentimos. E não é certo desrespeitar o que quer que seja. Falar mal, nestes casos, é falar bem. Está gramaticalmente errado? Que sa foda.

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não era fado-canção II

Comentários fechados em não era fado-canção II contos, gerador

Um tirinho até ao fim. Vão-se os sonhos e as danças, já não há rosa nem algodão, e as crianças só nas lembranças daquilo que lhes resta do coração. Já não há “beija, beija”, há “trabalha, trabalha, paga, paga”, e tudo não passa de tralha que se acumula e estraga na ida e volta do cacilheiro, e tudo parece metade porque, na verdade, nada é inteiro. Ele trabalhava, ela trabalhava, e a vida andava como deus queria (assumindo que deus existe além da eucaristia). Trabalho-casa, casa-trabalho, e o ganha-pão ganhava-migalha. No chão, um cão e um pirralho. Nos pratos, palha. “Mas tudo melhora”, dizia ele. “Vou lá fora fumar”. Ele não fuma, chora, ele estava a chorar. E ela, à panela, via a novela entre aventais. Ele voltava e ainda fumava, não fumava, chorava cada vez mais. Ele homem, ela mulher, um cão e um filho. Tudo perfeito, família, dinheiro, alegria. Só faltava premir o gatilho. Perfeição? Não, ironia. Ilusões desfeitas aos trambolhões assim que viram que a cidade, afinal, não lhes dava sanidade, pelo menos, mental. Mas era melhor viver doente, lutando, do que voltar ao antigamente, desistindo. “Cá ando”, dizia ela, “resistindo”. Estrangeiro? Talvez fosse solução, mas não havia dinheiro nem para pôr na boca de um cego uma canção. “Ai que saudades das festas e romarias, dos seus amigos que ele um dia cá deixou, porque lá fora as amizades são estranhas, há bem poucas alegrias para quem tanto trabalhou”. Não era fado-canção, era o passado do bailinho, do corridinho e do malhão.

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não era fado-canção I

Comentários fechados em não era fado-canção I contos, gerador

“Danças o bailinho, o corridinho e o malhão, valha ao menos isso para alegrar o coração”. Como se a noite fosse um dia inteiro. Tão lindo que era, tão puro que parecia mas, por puro que parecesse e por lindo que fosse, tinha amarrado ao coração o cabrão do fado. E tudo existia e tudo era triste e tudo era blá-blá-blá entre os pingos da chuva de uma dança, de um passo à frente, de um passo ao lado, de um sorriso que, de vez em quando, era preciso, mas que não era sorriso nem era estado. De toda a maneira, ouvia-se Dino Meira. E a felicidade, ou lá o que é essa coisa intermitente que nos sinaliza a vida, lá andava de mão em mão, de ombro em ombro, de anca em anca. Um aproximar de boca, um fugir de vinho, e ela louca, e ele, devagarinho, acompanhando a dança, e uma criança ou duas ou dezenas delas corriam pelo alcatrão, e ouviam-se beatas que tricotavam as vidas escondidas dos donos dos pés que pisavam o chão. Havia luz e escuridão, pipocas e fritos, bifanas e gritos, joões e joanas, sebastiões e anas e nomes que não rimavam, mas que eram nomes de crianças que corriam e brincavam e se escondiam na igreja e ouviam “beija, beija” e coravam e sorriam e beijavam a boca de cada um. A dela sabia a rosa e a dele, em poesia feita em prosa, sabia ao doce do algodão mas, no fundo, bem à flor dos dentes, sabiam as duas bocas às bocas pré-adolescentes com travo àquela coisa da paixão. Coisa mais linda, mais pura e mais mais que havia entre aqueles dois seres tão seres que não seriam mais.

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